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Saúde

Lara tem 23 anos, um cancro da mama e pediu ao filho para lhe rapar cabelo

Ao contrário do que costuma acontecer, vê a doença com positividade e não tem dúvidas de que vai vencer. Conheça esta história.
Este momento aconteceu no dia 1 de dezembro.

Nunca se está à espera de ouvir que se tem um cancro — é uma das palavras mais temidas deste século. Muito menos quando se tem apenas 23 anos. Contudo, isso aconteceu com Lara Silva que, ao contrário do que costuma acontecer, encarou a doença com força e positividade, e nunca duvidou durante um segundo que será capaz de vencer a doença.

Nunca foi adepta de praticar desporto, mas sempre tentou manter uma alimentação saudável. O único problema que teve antes do cancro foi a asma, um “problema banal”, como disse à NiT.

No início deste ano, estava deitada e sentiu um pequeno nódulo quando passou a mão na mama direita. “Senti uma coisa mesmo muito pequena, tanto que até desvalorizei na altura. Tenho um filho de cinco anos, o Enzo, e amamentei-o durante quatro, pelo que pensei que podia ser alguma coisa relacionada com isso, mas nada de grave. Por isso, desvalorizei completamente”, recorda.

De vez em quando passava a mão e já não sentia nada. Noutras vezes aparecia novamente — mas continuava sem dar importância. Só alguns meses depois, já em junho, é que comentou com um casal amigo que lhe disse para ir ao médico. E assim foi. 

Estávamos a 20 de agosto quando Lara teve uma consulta com a médica de família, em Setúbal, cidade onde nasceu e mora. Queixou-se do nódulo e foi-lhe dito que com aquela idade nunca poderia ser algo maligno — isto sem qualquer exame feito. Depois de marcada uma ecografia mamária, foi automaticamente transferida para o Hospital de São Bernardo, também em Setúbal. Lá, o médico que viu a ecografia disse que, à partida, não era nada e que ia pedir para fazer uma biópsia por respeito ao especialista que fez a ecografia, que terá valorizado mais a situação.

“Quando digo que tenho alguma coisa desde janeiro, o que me dizem é que se tivesse ido ao médico mais cedo também teria sido desvalorizado, já que nessa altura era uma coisa mesmo muito pequena. E isso é assustador”, revela.

Nessa altura já se sabia que o nódulo da jovem de 23 anos tinha 3 centímetros — em janeiro teria algo como o tamanho de uma unha pequena. Esperou três semanas pelo resultado da biópsia e, nesse curto espaço de tempo, aumentou mais 1,5 centímetros.

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Durante esse período de espera, Lara Silva nunca pensou no assunto, muito pelo contrário. “Pensei simplesmente no dia em que ia chegar lá e receber uma resposta que eu já sabia: que era algo mau. Tinha quase a certeza. Mas nunca me preocupei muito com isso.”

Deve estar a perguntar-se como é possível encarar uma doença com tanta tranquilidade. A jovem, que é gestora financeira, nunca deu importância a coisas graves. É a sua forma de se proteger. Acredita que desesperar não adianta de nada, que tudo vai dar certo e que vai sair desta doença muito mais positiva e com mais para dar.

O dia chegou: 25 de setembro. Tinha uma consulta marcada para as 10 horas, mas eram 13h30 e ainda não tinha sido chamada. Decidiu ir ao consultório e perguntar porque estava a demorar tanto, uma vez que precisava de ir comer. O médico respondeu que estava a deixá-la para o final para ter tempo para ela. Lara percebeu logo que as notícias não eram boas.

“Quando entrei, então, no consultório, ele deu-me um papel para ler, o relatório da biópsia, que tinha a designação concreta do meu cancro: carcinoma mucinoso invasor. Pedi ao médico para me explicar o que era e ele disse-me que era um cancro maligno. Comecei logo a rir. Ele questionou: ‘Está a rir?’. Disse que sim porque já sabia que era mau, escusava era ter-me deixado tantas horas sem comer. Não tive muito mais reação do que isso”, recorda à NiT.