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Saúde

Invenção italiana pode duplicar a capacidade dos ventiladores nos hospitais

O professor Marco Ranieri criou a solução. Poucas horas depois, uma empresa construía os circuitos que podem salvar vidas.
Há boas notícias vindas de Itália

Nestes dias de pandemia, Itália tornou-se numa espécie de tubo de ensaio: é a assistir ao drama que é vivido no país que outros estados europeus se preparam para o pior. Apesar de todas as más notícias que têm chegado, especialmente da região norte do país, há uma pequena esperança de que o rumo trágico possa ser invertido, tudo graças à invenção de um médico italiano que procura a solução para um dos mais sérios problemas sentidos nos hospitais: a falta de ventiladores.

Com milhares de italianos a precisarem do apoio de ventiladores para respirarem e sem máquinas para prestar assistência a todos os infetados, Marco Ranieri, professor de Anestesiologia e Cuidados Intensivos da Universidade de Bolonha, percebeu que era aí que estava uma das possíveis soluções para o drama italiano.

“Há dois dias, não havia ventiladores livres na Lombardia. Estávamos desesperados. Trabalhámos toda a noite, pesquisamos o que se fazia no estrangeiro, consultámos colegas. Foi assim que nasceu a ideia: um circuito eletrónico que permita que uma só máquina ventile duas pessoas em simultâneo”, revela ao “Corriere di Bologna”.

Num sistema de saúde levado ao limite, a viabilidade desta invenção pode ajudar, num cenário perfeito, a duplicar a capacidade de ventilação, o que salvaria muitas das vidas que se perdem por falta de assistência. Os últimos relatos vindos de Itália revelam que, pelo menos na região mais afetada da Lombardia, já se faz triagem sobre quem é colocado no ventilador — o que pode eventualmente ditar a morte dos pacientes que não têm acesso a estas máquinas. Um verdadeiro cenário de guerra.

Assim, para Ranieri, faltava o mais difícil, passar a ideia para o papel e depois concretizá-la. Foi feito um contacto com uma empresa local, sediada em Mirandola, que aceitou de imediato o desafio de produzir o protótipo em apenas 72 horas. “A ideia é toda deles. A nossa função passou apenas por fornecer os componentes”, nota Stefano Bellarmi, CEO da Intersurgical.

“Fizemos uma encomenda de mil unidades que esperamos que não tenham que ser usadas. Estas estão destinadas à região da Emilia-Romana e temos algumas disponíveis para a Lombardia, que estamos a guardar até que sejam pedidas”, diz Ranieri.

“São notícias formidáveis”, confessa o responsável pelo departamento de saúde da região italiana Sergio Venturi, que terá confirmado que as primeiras experiências no hospital de Sant’Orsola em Bolonha foram bem-sucedidas.