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Saúde

Há 1332 profissionais de saúde infetados em Portugal — 231 são médicos

A ministra da Saúde, Marta Temido, diz que estes números estão a ser analisados para encontrar eventuais falhas de segurança.
Portugal tem agora 11.278 infetados.

A conferência de imprensa deste domingo, 5 de abril, começou com a ministra da Saúde a revelar que dos 11.278 casos confirmados de Covid-19 em Portugal, 87,1 por cento estão em domicílio e 9,6 em internamento nos hospitais.

Marta Temido aproveitou para reforçar que a capacidade ventilatória em Portugal “mais do que duplicou” desde o início de março.

“O SNS tinha uma capacidade de 1142 ventiladores para o apoio a doentes a Covid-19 adultos”, disse, acrescentando que entretanto foram realizadas duas operações e foram recuperados vários equipamentos que não estavam a ser utilizados, e que estão agora a funcionar.

À data de sábado, 4, o Serviço Nacional de Saúde tinha à disposição mais 1538 ventiladores — 1150 comprados, 227 doados e 140 por empréstimo da Air Liquid. Do total, 85 por cento dos aparelhos têm capacidade invasiva, garantiu.

A ministra da Saúde aproveitou para relembrar que chegaram a Lisboa na manhã deste domingo, a bordo de um voo da TAP, mais 144 ventiladores, que resultam de compras e doações, assim como 280 monitores para unidades de cuidados intensivos. Todos os aparelhos vão ser distribuídos de acordo com as necessidades dos hospitais. Aguarda-se a chegada de mais 508 ventiladores a 6 de abril e outras unidades nos dias 13 e 30 do mesmo mês.

O internamento hospitalar é apenas para os doentes que realmente precisam

Marta Temido abordou também a capacidade de internamento hospitalar “apenas para os doentes que necessitem de resposta hospitalar”. Alertou para o facto de haver um conjunto significativo de doentes que podem ser tratados no domicílio. “É muito importante que o sistema seja utilizado de uma forma eficiente, reservando espaço para os casos graves e críticos”.

E acrescentou: “Todos sabemos que é um ponto crítico da utilização do SNS, mesmo em épocas normais, a circunstância sistemática de internamentos inapropriados por constrangimentos no encaminhamento de doentes, quer para a rede nacional de cuidados integrados, quer para os domicílios para idosos ou para as próprias famílias”.

De acordo com a ministra da Saúde, antes de serem admitidos em lares ou residências geriátricas, todos os idosos têm de ser testados ao novo coronavírus e colocados num período de quarentena nunca inferior aos 14 dias. Se não for possível a realização do teste antes da admissão do teste, a entrada deve ocorrer com os cuidados adequados e o utente deve ficar isolado.

Em casos de utentes de lares cuja infeção se confirme mas que não necessitem de internamento hospitalar, Marta Temido apelou a que “possam ser recebidos nas instituições” onde já se encontravam.

A ministra disse, ainda, que a resposta à pandemia deve ter especial atenção aos mais vulneráveis, como os idosos, sobretudo aqueles com mais de 70 anos. “Precisamos do esforço de todos para encontrar respostas sociais para todos os casos”, acrescentou. “Cada um deles podia ser o nosso pai, a nossa mãe, o nosso avô ou a nossa avó”.

Há cada vez mais profissionais de saúde infetados

Marta Temido revelou, também, que até sábado, 4 de abril, havia dados de 1332 profissionais com casos confirmados de infeção, dos quais 231 são médicos, 339 são enfermeiros e os restantes 662 pertencem a outros profissionais de saúde.

Ainda não há discriminação do que grupos de profissionais são, nem as diferenças entre os setores público e privado. Porém, garantiu que se está a fazer o trabalho necessário para detalhar mais estes números e “identificar eventuais fragilidades em determinados grupos”.

A ministra da Saúde admitiu que há laboratórios a marcar os testes laboratoriais para mais tarde do que o SNS. Sobre isso, referiu que através das entregas do material que chegou no sábado, quer de zaragatoas, quer de reagentes, Portugal ficará numa situação mais confortável.

Admite também que houve avarias em equipamentos desses laboratórios e escassez de zaragatoas, entretanto resolvida.

O uso indevido de equipamento pode aumentar o risco de contaminação

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, interveio na conferência para falar do uso de equipamento de proteção pela população em geral.

No que diz respeito às luvas, que “quer se tenha luvas quer não se tenha luvas, se se tocar numa superfície contaminada, obviamente que os vírus e as gotículas ficam na superfície das luvas e, portanto, se forem levadas à cara, à boca, ao nariz ou aos olhos, os vírus são transmitidos”.

Disse, ainda, que provocam uma falsa sensação de proteção. “Quanto muito seriam apenas utilizadas numa única vez, num único ato, descartadas, tiradas, deitadas fora. Senão, usemos as nossas mãos, evitemos levar as mãos à cara e lavemos as mãos com frequência”.

Graça Freitas reforçou que “a principal medida de proteção das mãos é a lavagem frequente e no intervalo da lavagem não tocar ou tentar não tocar na cara”.

Os doentes em cuidados intensivos e os atrasos nas cirurgias

Após confirmar que a maior parte dos internados nas unidades de cuidados intensivos são pessoas idosas, a diretora-geral da Saúde avançou que as autoridades de saúde têm concentrado atenção também nos doentes mais jovens, nomeadamente crianças.

“Estas idades pediátricas estão a ser atenciosamente acompanhadas todos os dias. Felizmente, as crianças que são internadas, mesmo aquelas que entram com um quadro clinicamente grave e complexo, têm tido uma capacidade enorme de recuperação e a maior parte delas está já no seu domicílio e muitas já foram dadas como curadas”, disse Graça Freitas.

“Nos adultos jovens a ida para as unidades de cuidados intensivos tem sido sobretudo determinada pela sua condição clínica de base”, acrescentou. Referiu, inclusive, que os casos mais graves tinham “uma morbilidade basal muito grave”. E continuou:“Quanto mais velha a pessoa, mais grave é a doença.”

A ministra da Saúde voltou a intervir e relembrou que um despacho que fez recentemente estabeleceu que “as intervenções cirúrgicas que não fossem classificadas clinicamente como urgentes e muito urgentes podiam ser em função da avaliação da instituição, da direção clínica, remarcadas. Adiadas para data posterior”.

Garante que isto permitiu “precaver que a capacidade de resposta do SNS ficaria preservados para os casos mais urgentes, mas que os casos prioritários e muito prioritários continuariam a ter resposta no Serviço Nacional de Saúde”, acrescentando que a área oncológica, considerada “prioritária e muito prioritária”, deve manter-se.