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Saúde

Foram feitos 69 mil testes em março em Portugal — 40 mil só na última semana

O secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, revelou também que a Linha Saúde 24 recebeu 18 mil chamadas por dia.
A intenção é também duplicar a capacidade de ventilação.

“Estamos todos a tentar normalizar dentro do possível esta situação pandémica em que hoje vivemos. Se me pedissem uma palavra para definir este tempo diria: o tempo da adaptação”, começa por dizer o secretário de estado da Saúde na conferência de imprensa desta quarta-feira, 1 de abril.

António Lacerda Sales referiu, também, que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não estava programado para receber uma pandemia desta dimensão, elogiando de seguida a “capacidade de adaptação extraordinária” tanto dos portugueses como dos profissionais de saúde, assim como do próprio governo.

“Muito nos vale e nos deve orgulhar o nosso SNS. Continua a ser uma das maiores conquistas dos portugueses e uma garantia de que todos temos lugar e ninguém fica para trás”, continuou.

O secretário revelou que a Linha SNS 24 atendeu mais de 18 mil chamadas por dia — eram cinco mil antes da pandemia. Em março, foram atendidas mais de 300 mil chamadas. Além disso, antes da confirmação do primeiro caso de Covid-19 em Portugal, a linha contava com 950 profissionais e agora são mais de 1440.

“Continua a ser crucial que as pessoas não adoeçam todas ao mesmo tempo e que os contactos sejam reduzidos ao mínimo”, reforçando que isto se aplica mesmo na época da Páscoa.

António Lacerda Sales referiu, também, que atualmente são processadas muito mais amostras para Covid-19. Foram analisadas mais de 69 mil amostras desde 1 março. Só na semana passada, de segunda-feira a domingo, foram quase 40 mil amostras. “Mais do dobro da semana que antecedeu”, disse.

O responsável deixou ainda agradecimentos à “onda solidária, individual e coletiva” que tem contribuído para robustecer a capacidade de resposta do SNS. Destacou a oferta de ventiladores, monitores, equipamento de proteção individual e, ainda, o trabalho voluntário.

A conferência de imprensa desta quarta-feira contou ainda com a presença e intervenção de José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP),  que recordou que a comunidade de diabetes representa mais de um terço da população portuguesa. Nomeadamente, “nove por cento das pessoas falecidas pela Covid-19”.

O presidente da APDP alertou, ainda, que não há qualquer evidência que as pessoas com diabetes possam ser mais afetadas pelo novo coronavírus, nem que varie de acordo com o tipo de diabetes. Se a doença “estiver bem compensada, o risco é o mesmo da população em geral”, garante.

O secretário de estado da Saúde voltou a falar e disse que “ainda é cedo para avaliar a tendência”. “O grau de incerteza é grande, mas não podemos deixar de assinalar que nos últimos dias tem havido um abrandamento da tendência, sem que isso possa servir para retirar conclusões”, acrescentou.

De acordo com António Lacerda Sales, o ministério da Saúde está “disponível para não abrandar já estas medidas”. “Temos de confiar que foram bem tomadas, no tempo certo e provavelmente alguns desses números estão a dizer-nos isso.”

Em relação aos ventiladores, o país está a fazer um esforço grande para aumentar a capacidade, assegura. Neste momento, há 1142 ventiladores disponíveis — 525 estão em cuidados intensivos e 480 em blocos operatórios —, sendo que existe uma capacidade de expansão de 134.

“Pretendemos duplicar este número para aumentar a nossa capacidade de ventilação em Portugal. Temos de estar preparados para o pior e esperar o melhor”, avançou.

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, também participou nas declarações e disse ainda que continuam a ser colocadas pessoas em confinamento obrigatório.

Quando questionada sobre se existem locais para a testarem de profissionais das força de segurança, bombeiros ou outros, respondeu que “seja qual for, um cidadão que tenha uma questão de sintomas, será testado segundo esses sintomas e a sua gravidade e fica em isolamento”. E continuou: “Os testes serão de acordo com a condição clínica, independentemente da profissão.”

O último boletim da Direção-Geral da Saúde demonstrou que houve mais 808 casos confirmados de Covid-19 nas últimas 24 horas, aumentando o total de infetados para 8251. Os dados divulgados esta quarta-feira, 1 de abril, revelam que 20.275 mil pessoas estão sob vigilância e outras 4957 aguardam os resultados das análises laboratoriais. O relatório regista, ainda, 187 mortes, 46.249 casos não confirmados e 726 internados, dos quais 230 em cuidados intensivos.