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Saúde

Estudo revela que sémen congelado é viável para reproduzir fora da Terra

As amostras de esperma humano expostas à microgravidade mantiveram-se iguais às do nosso planeta.
O estudo foi feito em Barcelona.

Um estudo divulgado esta segunda-feira, 24 de junho, no 35.º Encontro Anual da Sociedade Europeia de Reprodução e Embriologia em Viena, Áustria, concluiu que as diferenças entre amostras de sémen congeladas expostas a microgravidade, assim como aquelas que são mantidas em condições terrestres, “abrem a possibilidade de transportar de forma segura gâmetas masculinos para o espaço e considerar a possibilidade de criar um banco de esperma fora da Terra”.

Os resultados foram apresentados pela médica espanhola Montserrat Boada, do centro Dexeus Women’s Health, em Barcelona (Espanha), que liderou a investigação. O grupo de especialistas trabalhou com engenheiros de microgravidade da Universidade Politécnica de Barcelona.

Boada explicou que pouco se sabe em relação aos efeitos das diferenças gravitacionais no esperma e nos óvulos. Para tirar as dúvidas, realizou-se o estudo com dez amostras de sémen de dez voluntários sãos — cada uma delas foi dividida, passando para o dobro.

Uma parte das amostras foi congelada em nitrogénio líquido e introduzida num tanque para transporte aéreo colocado numa avioneta do Aeroclube de Barcelona-Sabadell, que é destinada a voos acrobáticos para estudos científicos. A avioneta fez, então, 20 manobras em queda livre para criar as condições de microgravidade. Depois foram descongeladas, analisadas e comparadas às restantes (armazenadas em condições habituais).

Os resultados revelaram não haver diferenças significativas entre elas, pelo que pode haver reprodução fora da Terra. Agora falta realizar o teste com os óvulos.