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Saúde

Estudo: mais de 60% dos portugueses tem problemas digestivos

A culpa é do estilo de vida que se leva, desde a alimentação às noites mal dormidas.

É preciso mudar os hábitos.

Entre 3 e 16 de setembro deste ano, 750 portugueses, entre os 18 e os 64 anos, serviram de amostra para um estudo que queria perceber qual era o estado da saúde digestiva dos portugueses. Resultado: mais de 50 por cento tem problemas digestivos e parecem não saber porquê.

O estudo, que foi desenvolvido pela Marktest com a ajuda dos especialistas Ana Bravo, Filipa Jardim da Silva, Rui Pinto, Sofia Castro Fernandes e Sofia Veiga, revela que 57 por cento considera que a saúde digestiva é apenas influenciada pela alimentação.

Porém, os que demonstram ter mais sintomas de desconforto digestivo são também os que — além de terem uma alimentação pouco equilibrada — dormem pior, têm maiores graus de stress e praticam menos exercício físico.

O pior é que 61,7 por cento da amostra diz sofrer de algum sintoma desconforto digestivo várias vezes por mês, mas desvaloriza, não os considerando realmente um problema a ser tratado.

Os sintomas mais mencionados são barriga inchada (52,3 por cento), enfartamento/digestão lenta (39,2), mau hálito (33,5), azia (30,8), prisão de ventre (29), cólicas (28,8) e diarreia (19,2 por cento).

Para os especialistas envolvidos no estudo sobre a saúde digestiva dos portugueses, os resultados não são surpreendentes, mas não devem ser ignorados.

“O facto de as pessoas estarem a desvalorizar os sintomas de desconforto digestivo merece atenção e pode ser também por isso que não se têm registado mudanças significativas nos seus comportamentos (…) Não podemos é continuar a achar que ter sintomas de desconforto digestivo todos os meses, várias vezes por mês, é algo que não merece a nossa atenção”, explica Rui Pinto, especialista em digestão, no relatório final publicado esta quinta-feira, 22 de novembro, no site do projeto “Tudo Começa por Dentro”.

A parte da população que mais mostra estar preocupada com os sintomas são as mulheres (41,4 por cento), entre os 25 e os 34 anos, e quem apresenta um IMC (Índice de Massa Corporal) equivalente à obesidade (35,8 por cento). São também estes grupos que registam maior nível de stress, pior qualidade sono, menor atividade física e uma alimentação rica, sobretudo, em açúcares e/ou gorduras e salgados.

Para Sofia Veiga, especialista em atividade física, quando os portugueses perceberem que o exercício físico no dia a dia é tão importante como fazer as refeições diárias muita coisa vai mudar. Mas não basta isso.

“Todo o desgaste emocional (stress e falta de descanso) pode fazer com que o corpo peça energia de uma forma mais descontrolada. Nestes estados é comum ocorrerem as crises de fome ou a tendência por opções menos saudáveis (mais calóricas, com mais açúcar, gordura ou sal) que nos dão uma sensação de energia mais imediata, assim como nos levam a comer mais e mais rápido”, completa Ana Bravo, especialista em alimentação.

Vale a pena ver as principais conclusões do estudo por áreas.

A falta de exercício é um dos problemas.

Alimentação

Segundo os especialistas, os inquiridos parecem não dar a devida atenção à frequência e tempo que dedicam às refeições. Mas 92 por cento dos portugueses diz querer mudar algo na sua alimentação, principalmente o consumo de gordura, privilegiando o consumo de legumes e vegetais. Reduzir o consumo de açúcar é outro dos objetivos.

Dizem também comer demasiados doces (particularmente mulheres) e salgados (sobretudo os homens).

Exercício físico

A amostra diz não praticar atividade física suficiente, principalmente as mulheres. Em média, mais de um terço do tempo diário ativo dos portugueses é passado sentado, sendo que sobe para metade em pessoas entre os 25 e os 34 anos e/ou trabalhadores de serviços/comércio/administrativos.

Ainda que metade da população diga ter dores musculares/articulares, não o associam ao sedentarismo. “Talvez, por não praticarem exercício com regularidade, os inquiridos não tenham como reconhecer/comprovar o impacto da atividade física no seu bem-estar”, lê-se.

Sono

Os homens dizem dormir menos horas do que as mulheres, mas não têm aparentemente pior qualidade de sono (menos pesadelos e descrição do tipo de sono são mais positivos do que as mulheres).

Mas, de uma forma geral, nenhum dos grupos associa esta falta de qualidade de sono como influenciador do seu bem-estar.

Stress

Praticamente todas as mulheres diz sofrer de algum estado de stress todos os dias, quando o mesmo só parece acontecer para metade dos homens. Porém, mais de metade dos portugueses considera o seu quotidiano stressante, sendo que há mais de 25 por cento com um elevado grau de stress associado a uma constante necessidade de mudar radicalmente de vida.

“O trabalho é aparentemente a principal razão de stress mas, com o aumentar da idade, a família vai-se tornando cada vez mais a maior razão de stress”, revela o mesmo estudo.