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Saúde

Especialista confirma que vírus mortal da China é transmissível entre humanos

Zhong Nanshan ajudou a combater a pandemia de SARS e está a investigar a nova pneumonia viral que já matou três pessoas.
OMS pede para todos os países estarem alerta.

A notícia mais temida chegou esta segunda-feira, 20 de janeiro: o vírus mortal que já matou três pessoas e conta com mais de 200 casos em quatro países — a maioria na China — é transmissível entre humanos. Quem o diz é um especialista chinês em doenças infecciosas e que teve um papel proeminente no combate à SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome ou síndrome respiratória aguda grave, em português), em 2003.

As autoridades locais tinham divulgado que a pneumonia viral parecia capaz de se espalhar apenas de animais para humanos, atribuindo a causa do surto a um mercado de peixe e marisco na cidade de Wuhan, no centro da China, entretanto encerrado. Contudo, Zhong Nanshan, um dos infecciologistas que ajudou a dominar a pandemia da SARS, revela que a transmissão do vírus pode ocorrer entre humanos, o que poderá levar a um crescimento exponencial do número de casos.

“Agora podemos dizer que é certo que é um fenómeno de transmissão de humano para humano”, disse, citado pelo jornal norte-americano “The New York Times”, à televisão estatal, após o vírus chegar ao Japão, à Tailândia e Coreia do Sul. De acordo com Nanshan, o vírus pode estar presente em partículas de saliva. Acrescentou ainda que, num dos casos, um paciente parecia ter infectado 14 trabalhadores do hospital onde estava a ser tratado.

O número de pessoas infetadas com o coronavírus triplicou nos últimos dias, depois de ter chegado às maiores cidades chinesas. As autoridades confirmaram uma terceira morte causada pelo vírus e avançam que há mais de 200 novos casos do novo tipo de pneumonia viral.

No entanto, de acordo com os cientistas do Colégio Imperial de Ciência, Tecnologia e Medicina de Londres, o número de infetados poderá ser muito maior do que o registado até agora. Os investigadores do Centro de Análise Global de Doenças Infeciosas deste Colégio, uma entidade que, aliás, aconselha instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que um total de 1723 pessoas possa ter sido infectada, apenas em Wuhan.

Uma das fotografias que está a correr o mundo.

Há ainda preocupações de que o vírus se possa espalhar pelos milhões de pessoas que viajam por ocasião do Ano Novo Chinês, que se celebra este mês. Por isso mesmo, ao que tudo indica, estão a ser tomadas medidas para evitar uma catástrofe. Aliás, segundo a “Sky News”, existem vídeos de autoridades com fatos de proteção num avião no aeroporto de Macau, uma região autónoma na costa sul da China continental, a verificar as temperaturas de todos os passageiros que chegam de Wuhan.

A mesma publicação avança que no aeroporto de Hong Kong, também na China, onde a triagem de temperatura se tornou comum após o surto de SARS, as medidas estão ainda mais intensivas.

Já o site americano “Business Insider” revela que os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos estão a examinar passageiros que vêm de Wuhan para o Aeroporto Internacional de São Francisco, Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX) e Aeroporto Internacional JFK de Nova York.

O presidente da China, Xi Jinping, disse também esta segunda-feira que o surto “deve ser levado a sério” e que todas as medidas possíveis devem ser tomadas para o parar.

O uso de máscara tem sido essencial.

O que se sabe sobre o vírus mortal?

Sabe-se que o vírus é da família da Síndrome Respiratória Aguda Grave que, entre 2002 e 2003, fez 648 vítimas mortais na China. O caso detetado na Tailândia é de uma mulher chinesa que viajou para esse país.

Os sintomas da infeção com este vírus são semelhantes aos de uma constipação, podendo ser acompanhados de febre, tosse, fadiga e falta de ar. 

Alguns especialistas dizem que o novo vírus pode não ser tão mortal quando comparado com o SARS, mas ainda pouco se sabe sobre ele, incluindo sua origem e a facilidade com que pode ser transmitido entre humanos.

O que se pode fazer para evitar a transmissão do vírus?

Para impedir a propagação desta pneumonia viral, a Organização Mundial da Saúde recomenda que se lave as mãos frequentemente, tape a boca e o nariz ao tossir e espirrar e evite o contacto direto com animais de quintas ou selvagens. 

As autoridades de saúde de Hong Kong também aconselharam os residentes que viajam para fora da cidade a não tocar em animais vivos, a não comer animais silvestres e a evitar mercados que vendem carne fresca e aves vivas.

No Portal das Comunidades Portuguesas também há uma nota em relação ao vírus. “Até ao momento, a OMS não fez nenhuma recomendação específica em matéria de saúde aos viajantes. Assim, aos viajantes que se desloquem à China, e em particular a Wuhan, aconselha-se que se informem sobre a evolução da situação e estejam atentos aos comunicados publicados no portal da OMS”, pode ler-se.