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Saúde

É isto que acontece ao nosso corpo quando ingerimos açúcar

Quanto mais comemos, mais vontade temos de continuar a fazê-lo. É um poço sem fim, mas também é possível que esta explicação faça com que não o queira ver mais à frente.

Depois de ler isto já não vai sorrir assim.

Está escondido em todo o lado — até no pão — e acabamos por nem dar por ele. Quando sabemos que está presente tentamos ignorá-lo durante os 20 segundos em que estamos a devorar um chocolate ou os cinco em que fazemos uma goma desaparecer. Depois disso, se o açúcar fosse uma pessoa, estaríamos a esganá-lo.

O problema (ou a nossa sorte) é que ele não tem pescoço (nem nada) — não há risco de lhe fazermos mal. O resultado é ficarmos a imaginar o que é que o açúcar faz ao nosso corpo.

“Para se ter noção, em média, os portugueses consomem 16 pacotes de açúcar por dia. Ou seja, quatro vezes mais do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, alerta à NiT a nutricionista Bárbara de Almeida Araújo, autora do blogue “Manias de Uma Dietista“.

Por outras palavras, o consumo não deve ultrapassar as seis colheres de chá de açúcar por dia. Se pensarmos que uma lata de refrigerante tradicional tem 10, é só fazermos as contas. O problema é que quanto mais ingerimos, mais vontade temos de continuar a fazê-lo.

O sabor doce é inato e confere-nos uma sensação de prazer. Este prazer sensorial, que acontece após a ingestão de alimentos doces, está relacionado com a ativação de determinadas zonas do cérebro que têm uma resposta semelhante à provocada pelo álcool ou por drogas.

O que é que isso provoca no nosso corpo?

“Quando comemos alimentos açucarados há um aumento rápido da glicémia, que leva à libertação de dopamina. Trata-se de um neurotransmissor que nos confere uma sensação de prazer imediato e que ativa o sistema de recompensa no nosso cérebro”, explica à NiT a especialista.

Saiba que ao contrário do que acontece quando ingerimos alimentos ricos em fibras e hidratos de carbono complexos, com o açúcar simples o pâncreas liberta uma grande quantidade de insulina e os níveis no sangue diminuem muito rapidamente.

É esta diminuição que vai gerar novamente vontade de comer doces. Basicamente, quanto mais açúcar ingerimos mais queremos comer. Ainda por cima, fazemo-lo quase sempre em maiores quantidades para mantermos os níveis de satisfação.  É nesta altura que perdemos o controlo e ficamos, literalmente, viciados em açúcar. Portanto, sim, é um poço sem fim.

Esta situação pode piorar?

Primeiro, atente nisto: o consumo excessivo de açúcar provoca maior acumulação de gordura, sobretudo abdominal. Talvez seja por isto que não está a notar resultados no ginásio, por exemplo. Mas há mais pontos negativos, além de todos os que já contámos.

“Há um envelhecimento precoce da pele, que se torna progressivamente menos elástica, favorecendo o aparecimento de rugas. Também temos menos energia e sentimos mais cansaço. E há, claro, um aumento do risco de desenvolver diabetes tipo dois, diversos tipos de cancro e doenças cardíacas.”

A especialista explica ainda que o consumo de açúcar promove a produção de ácidos na boca. Estamos a falar daquilo que destrói o esmalte dentário e leva ao aparecimento de cáries — aquilo que nos faz gastar metade do ordenado no dentista.

Podemos continuar a dar-lhe motivos para parar de consumir açúcar como quem bebe água: “Pode afetar a memória a curto e longo prazo, acelerando a progressão da doença de Alzheimer e demência; pode causar inflamação, nomeadamente no cérebro, que está diretamente relacionado com depressão, ansiedade e stress; e, claro, o aumento do peso.”

Agora, as boas notícias. É possível ver-se livre deste vício com força de vontade. Recorde 10 dicas que podem ajudar nessa luta.