Saúde

Devemos mesmo beber (pelo menos) dois litros de água por dia?

O livro "Mitos e Crenças na Saúde", lançado em fevereiro, acaba com todas as dúvidas.
Leia com atenção.

Ninguém tem dúvidas de que beber água é fundamental. Afinal, é ela que nos ajuda a manter hidratados. Há quem destaque outras vantagens, como regular o trânsito intestinal e eliminar de toxinas. Existe, ainda, quem privilegie o seu consumo para perder peso. Independentemente do motivo, é mesmo necessário beber, pelo menos, dois litros de água por dia? Ou isso é mais um mito popular sobre a saúde?

No livro “Mitos e Crenças na Saúde“, lançado a 19 de fevereiro, o professor e médico António Vaz Carneiro revela de forma simplificada, mas baseado na evidência científica, que esta meta é um mito. E mais: que a sua justificação é sempre a mesma — “temos de fazer funcionar os rins” e “limpar o nosso organismo”.

Como conta o especialista em medicina interna, nefrologia e farmacologia clínica, esta afirmação terá sido feita pela primeira vez em 1945.

“Uma ingestão de água apropriada para adultos anda, na maior parte dos casos, pelos 2,5 litros por dia. Uma média que para a maior parte das pessoas será um mililitro por caloria ingerida da comida. A maior parte desta água está nos alimentos”, cita.

Pelos vistos, foi a eliminação da última frase que deu origem a este mito. Ou seja, que se deve beber água todos os dias, além daquela que já se ingere às refeições.

António Vaz Carneiro explica que a água é regulada pelo organismo e o seu metabolismo é simples, já que ele só aproveita aquilo que necessita.

Bem sabemos que se perde água das mais variadas formas, como o suor, a respiração e, sobretudo, pela urina. Porém, o nosso corpo está preparado para controlar isso, por causa de hormonas que garantem a manutenção dos depósitos de água, bem como de uma determinada densidade do sangue normal.

A ingestão excessiva de líquidos “é no mínimo inútil e, em certos casos, até perigoso”

“O que acontece é que, quando nos desidratamos, esta densidade sobe e o sistema faz com que percamos menos água e bebamos mais líquidos, através do aumento de sede. Por outro lado, quando estamos bem hidratados, passa-se o processo inverso: não temos sede e, como tal, nada bebemos e temos tendência a urinar mais”, explica o autor de “Mitos e Crenças na Saúde”, editado pela Livros Horizonte.

Quer isto dizer que não precisa de se preocupar em atingir diariamente aquele número. Os rins controlam expulsão da urina e, se funcionarem normalmente, não precisam de quaisquer ajudas.

“Mas não temos de fazê-lo para limpar o organismo?”, pode questionar o caro leitor. O pensamento é o mesmo: as nossas células encarregam-se de controlar tudo, não precisando beber mais líquidos para auxiliar.

Qual é o problema de beber dos litros de água por dia?

De acordo com o especialista, que é professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a ingestão excessiva de líquidos “é no mínimo inútil e, em certos casos, até perigoso”.

É que, a partir de um certo volume de água consumida, os rins — mesmo que sejam saudáveis e funcionem bem — não conseguem eliminar toda a água que está a mais no organismo. Na prática, isto significa que os depósitos aumentam e a tal densidade do sangue diminui, o que pode trazer graves problemas.

Qual é a solução? Beber apenas a água que precisa quando tem sede. É tão simples quanto isto.

“Mitos e Crenças na Saúde” (13,90€), que já está disponível nas livrarias, desmistifica outras ideias na área da alimentação e dieta, bem como questões relacionadas com o exercício físico, gravidez e puericultura, tratamentos e o sistema nacional de saúde, por exemplo. O grande objetivo do autor é, numa linguagem acessível, ajudar médicos e pacientes a fazerem escolhas acertadas e conscientes.

A apresentação do livro está marcada para 11 de abril, às 18h30, no El Corte Inglés, em Lisboa.

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