Saúde

Desconfinamento em Lisboa com uma taxa de contágio superior à da China

Um investigador português questiona a razão para noutros pontos do mundo o aumento não ter sido tão elevado.
O especialista não garante que seja uma segunda vaga.

Os últimos boletins da Direção-Geral da Saúde não deixam dúvidas: apesar do desconfinamento, o vírus continua a circular e o número de casos aumenta diariamente. Um investigador português questiona agora a razão para noutros pontos do mundo que já voltaram à rotina, como é o caso da China, há, em proporção, menos casos do que em Lisboa.

Numa entrevista exclusiva à “TSF” esta quarta-feira, 24 de junho, Ruy Ribeiro, professor de Bioestatística da Universidade de Medicina de Lisboa, pergunta-se não sobre o motivo para haver novos casos em Lisboa. Em vez disso, explica, importa saber porque é que há menos infeções noutros sítios. “Por que é que na China, num novo surto num mercado, não há mais casos?”, questiona também.

Sem a certeza de que se trata de uma segunda vaga,  relaciona os novos casos de Covid-19 com as condições socioeconómicas específicas da fase de desconfinamento. Além disso, acrescenta que também a utilização de transportes públicos pode ter impacto.

“O que temos visto noutros países é que o distanciamento social e a utilização das máscaras parecem ajudar muito, isso é surpreendente. Tem de haver mais pedagogia sobre como se usam as máscaras, sobre não poderem estar abaixo do nariz, sobre a sua substituição de vez em quando”, diz Ruy Ribeiro à “TSF”.

Para o investigador, confinar funciona e faz com que os surtos desapareçam. No entanto, também se sabia que desconfinar significaria mais casos. Resta saber que os números diários se vão manter entre os 200 e 300 doentes ou começar a aumentar — “isso seria uma preocupação”.

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