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Saúde

Os incensos são tão perigosos como o tabaco (e aumentam o risco de cancro)

As análises feitas pela Deco mostram que este produto contém substâncias nocivas, algumas das quais cancerígenas.
Parecem inofensivos.

É usado em cerimónias religiosas, durante a meditação e prática de ioga, ou apenas para dar um aroma especial à casa e criar um ambiente mais acolhedor. Resumindo: o incenso está por todo lado — e o que muita gente não sabe é que não é assim tão benéfico. As análises feita pela Deco a opções de várias marcas provam isso mesmo.

“O fumo liberta uma série de substâncias nocivas, que nada têm de ‘natural’ ou ‘purificante’, nem tão-pouco trazem ‘energia positiva’: apenas contribuem para degradar o ar do espaço interior, já de si nem sempre recomendável”, começa por revelar a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor numa nota publicada no site oficial esta quinta-feira, 23 de janeiro.

A agência avança, ainda, que as conclusões das análises realizadas aos incensos continuam a ser assustadoras e que nada mudou em sete anos, quando foram feitos os primeiros testes a incensos e velas aromáticas.

“Em laboratório, detetámos acetaldeído, acetona, acroleína, benzeno, etilbenzeno, formaldeído, monóxido de carbono, naftaleno e, não perca o fôlego, ainda outros compostos orgânicos voláteis, tudo isto em seis amostras de incenso. Todas elas substâncias irritantes para os olhos, o nariz e as vias respiratórias. Algumas comprovadamente cancerígenas, outras com essa suspeita associada”, pode ler-se.

Além disso, a Deco compara este produto ao tabaco, mencionando que apenas um pau de incenso pode libertar tanto benzeno como cinco cigarros. 

Cuidado.

“Não admira que os utilizadores intensivos deste tipo de incenso corram risco aumentado de cancro a longo prazo. Apesar de prometer um ambiente zen, polui fortemente o ar interior e, a ser usado, pelo menos, deve ser aberta uma janela”, alerta a associação.

Em 2017, a agência francesa do Ambiente e Gestão da Energia chegou a conclusões idênticas. Tendo em conta estes dados, a Deco exigiu à Direção-Geral da Saúde (DGS) e à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) que os incensos sejam retirados do mercado imediatamente — as sete velas testadas emitem poucas ou nenhumas destas substâncias, pelo que podem ser consideradas seguras, garante.

Entre os produtos analisados, em agosto de 2019, estavam à venda nas várias lojas visitadas pela Deco estão os incensos Zara Home Encens, Green Tree 7 Chakras, Satya Sai Baba Nag Champa Cônes d’Encens e Satya Sai Baba Nag Champa Agarbatti Incense Sticks, Eurescents Sensations, Green Tree 7 Chakras e Casa Escape Black Oudh.

Nas velas, a Deco analisou a Yankee Candle, Airwick Anti-tabaco, Kasa Vermelho, A Loja do Gato Preto Vela Verde, Arte Regal Vela Antiolor (Ref. 28395), Glade Relaxing Zen e Casa Wood Rustic.

A Deco reforça também que não há rotulagem com indicações para um uso seguro como, por exemplo, o tempo de exposição máximo admissível, a obrigatoriedade de mencionar as substâncias agressivas e cuidados a seguir por indivíduos sensíveis, pelo que desaconselha totalmente o recurso a estes produtos, deixando a nota final de que “não tenhamos de esperar mais sete anos por uma ação efetiva”.