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Saúde

Cuidado: cigarros eletrónicos são suspeitos de causar infeção pulmonar

94 pessoas foram hospitalizadas nos Estados Unidos e os médicos ainda não têm a certeza se vão recuperar totalmente.
Atenção, este método não é mais seguro.

Autoridades médicas dos Estados Unidos estão a investigar uma doença misteriosa que ataca os pulmões. Em comum, os pacientes têm o facto de fumarem cigarros eletrónicos. A maioria dos doentes são adolescentes ou jovens adultos de quatro estados norte-americanos.

De acordo com a notícia do jornal “Independent“, publicada no dia 19 de agosto, alguns dos fumadores estão internados nos cuidados intensivos e ligados a ventiladores para poderem respirar. Ainda não se sabe se será possível uma recuperação total.

Os sintomas da infeção pulmonar registados até agora são: falta de ar, dor no peito, febre, tosse, vómito e diarreia. Agentes do departamento de saúde americano estão a trabalhar em pelo menos cinco dos 14 estados onde os 94 casos da doença foram confirmados, nomeadamente Califórnia, Illinois, Indiana, Minnesota e Wisconsin. O objetivo é determinar o que originou a infeção.

Segundo os especialistas do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano, embora alguns dos casos pareçam semelhantes, ainda não é possível determinar se as doenças estão associadas aos dispositivos de cigarros eletrónicos ou a ingredientes específicos inalados através deles.

O presidente da American Vaping Association defende que há cerca de dez milhões de usuários de cigarros eletrónicos com nicotina que não apresentaram nenhum problema de saúde.

Emily Chapman, diretora médica do Children’s Minnesota, cuidou de quatro adolescentes e disse ao jornal “Independent” que não é capaz de garantir que esta prática que se tornou super comum nos últimos anos seja segura.

“No mês passado (julho), os adolescentes apresentaram sintomas que pareciam infeções do tipo viral ou pneumonia bacteriana, como falta de ar, tosse, febre e desconforto abdominal. Entretanto, eles continuaram a piorar, apesar do tratamento adequado com antibióticos e suporte de oxigénio. Alguns sofreram insuficiência respiratória e tiveram de ser colocados em ventiladores”, ressalva a médica ao jornal.

Em fevereiro deste ano, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) deu o alerta sobre estes dispositivos eletrónicos num relatório publicado no site oficial e afirmou que os e-cigarros podem ser menos nefastos do que o tabaco tradicional, mas não são inócuos, porque os componentes químicos do aerossol são potencialmente prejudiciais para a saúde.

De acordo com a associação, a ideia de que são opções mais saudáveis não está correta porque o líquido que dá origem ao aerossol dos cigarros eletrónicos não tem apenas água. Na verdade, contém solventes, como a glicerina vegetal e o propilenoglicol, aromas e, na maioria dos casos, a famosa nicotina.

Quanto à nicotina há vários dados. Sabe-se que esta substância pode provocar estimulação ou depressão, de acordo com a intensidade e a frequência com que é inalada. Além disso, pode estimular o sistema nervoso central ou atuar no sistema cardíaco, acelerando o ritmo do coração. A nicotina pode, ainda, prejudicar os vasos sanguíneos, o sistema hormonal e o metabolismo, por exemplo.

“É verdade que há e-cigarros sem nicotina, mas continua a desconhecer-se o impacto do restante cocktail que compõe o aerossol. As diferentes combinações de solventes e aromas resultam numa grande variedade de produtos químicos no aerossol, o que dificulta o estudo dos efeitos toxicológicos dos cigarros eletrónicos”, explica a DECO.

No fundo, embora os cigarros eletrónicos não produzam combustão — o fenómeno que origina os componentes mais prejudiciais do tabaco tradicional —, contêm substâncias potencialmente perigosas. Portanto, mesmo que os danos para a saúde sejam menores, não podem ser ignorados.

Devido às incertezas sobre este método, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda alguma prudência no recurso a estes dispositivos.