NiTfm live

Saúde

Covid-19: “Contactos sociais têm de ser reduzidos ao mínimo mais do que nunca”

O secretário de estado da Saúde disse, ainda, que é crucial que as pessoas não adoeçam ao mesmo tempo.
É essencial ficar em casa.

Pouco depois da divulgação dos novos números do impacto da Covid-19 em Portugal — 3544 infetados e 60 mortes —, o secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, fez um apelo aos portugueses. “É crucial que as pessoas não adoeçam todas ao mesmo tempo. Os contactos sociais têm de ser reduzidos ao mínimo mais do que nunca”, disse.

Durante a conferência que aconteceu esta quinta-feira, 26 de março, avançou ainda que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está preparado para dar resposta a doentes com o novo coronavírus. E mais: agora, em fase de mitigação, tanto os centros de saúde como os hospitais estão operacionais, tendo criado os respetivos circuitos para doentes Covid-19 e não Covid-19.

“Chegaram cinco mil testes dos 80 mil previstos — os restantes chegam no início da próxima semana. Há várias encomendas a chegar a Portugal até domingo [29 de março], quer de equipamento de proteção individual como de material de testagem”, fez saber.

António Lacerda Sales explicou também que as autoridades de saúde de cada zona do País já acionaram planos que permitirão dar respostas na área da saúde mental, garantindo que também haverá apoio psicológico para os profissionais de saúde que estão no combate à pandemia.

Já a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, referiu que “a partir de agora as pessoas vão ficar em casa [a ser tratadas] e isso é um bom sinal”. Garante que isso significa que têm sintomas ligeiros a moderados, pelo que poderão recuperar da Covid-19 em domicílio, sempre com acompanhamento.

Muitos doentes, mas mesmo muitos, que passaram pelos nossos hospitais, foram para o domicílio, acompanhados pelos profissionais. Se a situação evoluir ou agravar, terão outro tipo de acompanhamento. Devem ficar com a tranquilidade de que estão a ser acompanhados.”

Ainda que se tenha iniciado outra fase de mitigação, a linha de saúde 24 “continuará a ser a porta preferencial de entrada no Serviço Nacional de Saúde”, recordam Graça Freitas e António Lacerda Sales.

A diretora-geral da Saúde afirmou, ainda, que nesta fase da pandemia já não existe preocupação “com a ligação epidemiológica do contágio” e que “o critério atual para ligar para o SNS 24 é ter sintomas”. “Sabe-se hoje que o sintoma mais precoce, o que dá mais nas vistas, é a tosse, depois a febre e depois a dificuldade respiratória. Os sintomas devem levar a pessoa, sem pânico, a procurar o apoio da linha SNS 24. Não há um agravamento súbito dos sintomas, as pessoas devem procurar a triagem sem entrarem em pânico. O que interessa aqui é ter sintomas.”

Quando questionada se este novo patamar obriga a mais testes, respondeu que têm sido feitos os testes necessários para retirar dúvidas.

“O número de testes diários sobe porque se há mais mais pessoas com sintomas compatíveis, têm sido testadas mais pessoas; se menos pessoas manifestam sintomas, fazemos menos testes. Mas é óbvio que com este alargamento e com esta capacidade de detetar casos positivos de forma mais precoce, entram mais testes na nossa base de dados. As associações regionais e os centros de saúde estão a criar mecanimos por forma a que pessoas que forem apanhadas na triagem do SNS 24 tenham acesso a um teste — que seja feito o mais próximo possível das pessoas e o mais depressa possível. Interessa mais encontrar um positivo do que um negativo. Um negativo pode hoje dar negativo e dar positivo daqui a um ou dois dias. Já um positivo pode ser logo isolado do agregado familiar e do resto da sociedade.”

De acordo com Graça Freitas, até ao momento, em Portugal, houve 22.257 pessoas suspeitas, e todas elas foram submetidas a teste. “Além destes, muitos mais fizeram testes. O que vamos fazer agora vamos continuar a mesma metodologia”, esclareceu.

Também esteve nesta conferência de imprensa o médico Fernando Almeida, que explicou o porquê de não se estar a usar os testes de despiste rápido.

Além dos testes “clássicos da PCR em tempo real”, os restantes três tipos de testes “chamados rápidos” não tiveram ainda “parecer positivo do Infarmed ou do Instituto Ricardo Jorge”, garante.

“Não significa que não seja apropriado. A questão deve ser sobre a utilização do teste e em que circunstâncias. Quando queremos vigiar e fazer estudos de sequenciação e identificação do gene para diagnóstico rápido, são testes de PCR em tempo real”, disse, acrescentando que esse tipo de testes poderão ser utilizados “numa fase subsequente”.

“Só são detetados estes anticorpos entre sete a dez dias depois da infeção. Poderão ser muito válidos para uma fase subsequente para percebermos o nível de imunidade que a popolução portuguesa já tem ao novo coronavírus”, disse, notando que poderão ser utilizados por exemplo em “profissionais de saúde”.

António Sales, o secretário de Estado da Saúde, confirmou no final que sete profissionais de saúde do Hospital Fernando Fonseca, o Amadora-Sintra, testaram positivo. “Foram sete positivos que não tinham sintomas. O hospital Fernando Fonseca vai com certeza testar todos os profissionais e todos os doentes que se justificarem. De resto, existem outros 30 doentes internados no Fernando Fonseca com Covid positivo”, revelou.