Saúde

Atenção ao vinho que bebe: alguns podem causar náuseas e crises de asma

O alerta da Deco relembra que, tradicionais ou biológicos, todos os vinhos podem conter vários aditivos alimentares.
O alerta é da Deco.

“Encontrar um vinho natural pode ser uma miragem. Ainda que tolerante, a lei estabelece barreiras à utilização de aditivos alimentares. Mesmo assim, é muito difícil encontrar um vinho livre de conservantes”, escreve a Deco no site oficial.

Segundo a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, nem  os vinhos de lavrador, conhecidos como caseiros ou artesanais, estão sempre isentos, assim como os das grandes adegas estão impregnados. 

“Nos primeiros até podemos encontrar mais exageros do que nos últimos, mais controlados por serem vendidos no comércio tradicional. E o mesmo se aplica aos vinhos biológicos”, alerta numa publicação de 19 de maio.

Como explica, alguns aditivos são desnecessários e outros devem ser alvo de uma utilização cuidadosa, já que a sua presença excessiva no organismo pode ter efeitos negativos sobre a saúde. A Deco dá como exemplos náuseas, dores de cabeça, problemas digestivos e cutâneos e até crises de asma.

Embora existam dezenas de substâncias utilizadas na produção de vinho, na publicação destacam-se dois tipos de conservantes em particular: o ácido sórbico e os seus sais, e o dióxido de enxofre ou sulfitos. “O primeiro porque é desnecessário: a sua utilização contraria, mesmo, os princípios gerais para o recurso a aditivos alimentares. O segundo está presente em todos os vinhos.”

No primeiro caso, “a sua utilização é mesmo desnecessária e está presente em menos de dez por cento dos vinhos que testamos”.

A associação lamenta o facto de o vinho e outras bebidas alcoólicas continuarem a ser das poucas exceções onde não é obrigatória a indicação de uma lista de ingredientes, pelo que o consumidor não tem possibilidade de saber quando estes aditivos são utilizados ou não. 

“Uma tolerância inexplicável e absurda do legislador. Não são conservantes muito problemáticos, embora possam estar associados a reações alérgicas, em pessoas sensíveis (urticária, por exemplo)”, pode ler-se.

Atenção às escolhas.

No que diz respeito ao dióxido de enxofre ou sulfitos, a história é diferente. Presente na totalidade dos vinhos testados pela Deco, são importantes na conservação, mas podem apresentar mais efeitos adversos. Por serem aditivos com considerável potencial alergénico, sempre que a concentração for superior a dez miligramas por litro, os rótulos são obrigados a indicar numa pequena frase, como “contém dióxido de enxofre” ou “contém sulfitos”.

Estes aditivos permitem conservar o vinho durante mais tempo, ajudando a manter o seu caráter frutado e a frescura. Porém, a dose a adicionar deve ser bem calculada: se for excessiva, o vinho pode adquirir um aroma picante e um final de boca desagradável; se for insuficiente, o efeito conservante perde-se e o vinho não fica suficientemente protegido contra a oxidação e a refermentação dos açúcares.

A Deco adianta que o teor de dióxido de enxofre nos vinhos está regulamentado pela União Europeia — nos tintos não deve ultrapassar 150 miligramas por litro (ou 200 miligramas, quando o teor em açúcares for igual ou superior a cinco gramas por litro); e nos brancos não deve exceder os 200 miligramas por litro (ou 250 miligramas, quando o teor em açúcares for igual ou superior a cinco gramas por litro). 

“Consideramos estes limites exagerados, deveriam ser inferiores. Os testes que realizamos regularmente mostram que existe uma tendência para abusar destes aditivos, sem que isso se traduza numa melhoria de qualidade dos vinhos. Ou seja: a experiência mostra que não são necessárias quantidades tão elevadas para conseguir o efeito pretendido.”

No site da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor pode encontrar uma zona para fazer uma simulação: escreve o nome ou o número do aditivo que deseja procurar, pelo nível de segurança que procura e se tem ou não reação alérgica associada.

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