NiTfm live

Saúde

Afinal, a pílula pode engordar ou é apenas um mito?

A NiT falou com o ginecologista Fernando Guerreiro para acabar com todas as dúvidas.

Por mais alternativas que existam, a pílula continua a ser o método contracetivo mais usado — em Portugal, por 60 por cento das mulheres. Porém, também o mais polémico. Há quem diga, por exemplo, que pode provocar aumento de peso. A NiT falou com o ginecologista Fernando Guerreiro para acabar com as dúvidas.

Mas, antes, há algumas coisas que deve saber. O primeiro método contracetivo foi comercializado na Europa em 1961. Na altura, era composto por 50 microgramas de etinisestradiol e quatro miligramas de de acetato de noretistesrona.

“A introdução da pílula constituiu um marco na história da contraceção ao possibilitar à mulher uma vida sexual satisfatória e segura com capacidade de decidir sobre a sua vida reprodutiva”, diz à NiT o Diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Unidade de Portimão do Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Em Portugal, os primeiros contracetivos hormonais foram introduzidos também em 1961. Em 1967, foi fundada a Associação para o Planeamento da Família e, mais tarde, em 1976, foi publicado um despacho que institucionalizou a existência de consultas de planeamento familiar nos serviços de saúde.

Desde essa altura que existe uma evolução dos métodos anticoncetivos, sendo cada vez mais seguros e fiáveis — e com menos efeitos secundários e ou colaterais.

Atualmente, existe mais do que um tipo de pílula, mas aquela que é mais utilizada é a que é feita a partir da combinação de hormonas: estrogénio e progesterona. Isto faz com que haja “uma inibição da ovulação”, explica. “Ao tomar a pílula, a mulher não ovula e a hemorragia que tem é como se fosse artificial.”

E, afinal, engorda ou não? Antes de tudo, Fernando Guerreiro garante que não há um método contracetivo ideal. 

“O método contracetivo mais associado ao aumento de peso é a contraceção progestativa injetável, sobretudo no subgrupo das adolescentes com índice de massa corporal superior ao normal. O Implante sub-dérmico só com progestativo também pode em algumas mulheres  provocar um ligeiro aumento de peso”, revela.

Portanto, não estamos a falar da pílula, que é tomada via oral. Sobre este método, o ginecologista garante que não passa de um mito. Não é a ação isolada da pílula que pode provocar um aumento de peso mas, sim, um conjunto de situações.

“Está bem demonstrado que as alterações do estilo de vida (influência da dieta e exercício físico) são bem mais preponderantes no peso corporal do que efetivamente a contraceção hormonal (pílula)”, explica à NiT.

O especialista alerta, também, que antes de iniciar qualquer  método, o aconselhamento deve decidir nesta questão, aproveitando para  incentivar e estimular hábitos de vida saudáveis.

Além do aumento peso, muita gente diz que a pílula faz crescer mais pelos e aumenta o tamanho do peito. Estas consequências aconteciam, sim, há muitos anos, numa altura em que a pílula tinha dosagens hormonais maiores. 

Não há um método contracetivo ideal.

Porém, quando ouvir dizer que há alimentos e situações que diminuem a ação da pílula, é melhor estar atento. Embora não haja nenhum alimento comprovado que tenha esse efeito, existem situações associadas à alimentação e sistema digestivo que podem provocar uma perda do efeito da pílula, aos quais se deve estar atento quando se quer evitar uma gravidez.

Há um chá, por exemplo, que pode diminuir e até cortar o seu efeito. Estamos a falar do chá de hipericão.

“O hipericão é uma planta que, pelas suas propriedades calmantes, muitas vezes é usada na forma de infusão ou suplemento natural, no tratamento auxiliar da depressão e ansiedade”, revela a nutricionista Mariana Abecasis.

Segundo a também autora do blogue NiT em nome próprio, este é o único alimento que parece ter um efeito direto e real na diminuição da eficácia da pílula.

“Assim, no caso de tratamento com esta planta ou de consumo regular do seu chá, deve recorrer-se a um método contracetivo alternativo à pílula”, alerta Mariana Abecasis.

De acordo com a especialista, há outras quatro situações que podem diminuir ou cortar o seu efeito. Carregue na galeria para descobrir quais são.