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Saúde

Alterações climáticas podem aumentar o número de casos de distúrbios mentais

Um estudo sugere que existe uma relação entre a subida das temperaturas e o aumento no número de consultas relacionadas com distúrbios psiquiátricos e as taxas de suicídio.
Mais um estudo preocupante.

As mudanças climáticas também podem afetar a saúde mental das pessoas, alerta um estudo realizado em parceria pela Universidade de Massachusetts Amherst e pela Universidade Politécnica Estadual da Califórnia, ambas localizadas nos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada no “Journal of Health Economics“, estabelece uma relação entre a subida da temperatura e o aumento do número de consultas hospitalares por distúrbios mentais e das taxas de suicídio nos Estados Unidos.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, em 2017, o suicídio foi a causa de cerca de 47 mil mortes naquele país, um número que representa mais do que o dobro do número de mortes homicídios.

Para tentar descobrir os fatores de risco que levam a pessoa a tirar a própria vida, os investigadores decidiram debruçar-se sobre o papel do clima no bem-estar psicológico da população. A procura por esta relação também já foi feita em Portugal.

Um estudo da Universidade de Coimbra analisou o número de internamentos por distúrbios mentais entre 2008 e 2014 de residentes da Área Metropolitana de Lisboa e identificou que há um aumento significativo de entradas nos hospitais quando as temperaturas são mais elevadas, sendo que as mulheres mostram-se mais vulneráveis a esta situação.

Para a nova investigação, os cientistas norte-americanos usaram várias fontes diferentes. Recolheram dados dos departamentos de emergência da Califórnia entre 2005 e 2016; obtiveram acesso aos casos de suicídio nos EUA de 1960 a 2016; analisaram as respostas de mais de 4 milhões de pessoas entre 1993 e 2012 sobre a própria saúde mental; e também desenvolveram escalas espaciais e temporais com a temperatura mensal de cada município do país.

No geral, os autores do estudo concluíram que a população parece não adaptar-se às mudanças de temperatura muito rapidamente. A pesquisa também revelou que o calor tem efeitos negativos mesmo para os moradores de regiões mais quentes, que já estão acostumadas com temperaturas altas.

Segundo os investigadores, a interrupção do sono por causa da subida da temperatura acaba por refletir na saúde mental das pessoas. A partir desta informação, os autores do estudo ressalvam a importância de haver políticas públicas para garantir que as pessoas tenham uma boa noite de sono, mesmo nas épocas mais quentes do ano.