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Saúde

90% dos portugueses só sai de casa por absoluta necessidade

Este estudo também mostra que a grande maioria da população se sente triste e ansiosa por causa do isolamento.

Basta olhar para as ruas para perceber que os portugueses estão a cumprir um isolamento que começou mesmo antes da declaração do estado de emergência. Apesar de alguns prevaricadores terem invadido as marginais à beira-mar nos últimos dias, um novo estudo revela que nove em cada dez portugueses garante que só sai de casa quando é absolutamente necessário.

Os dados disponibilizados pelo Barómetro Covid-19 — uma parceria da Escola Nacional de Saúde Pública com o “Expresso” — mostram que existe uma preocupação dos portugueses em cumprir com as ordens transmitidas pelas autoridades. Os resultados resultam de um questionário semanal que procura perceber a opinião dos portugueses relativamente aos efeitos da pandemia.

Na primeira semana, de 21 a 26 de março, as cem mil respostas dão uma ampla visão daquilo que é o impacto da Covid-19 na vida de todos. 92% revelou só sair de casa em casos de necessidade, um valor que sobe para os 97,7% nos portugueses com mais de 65 anos, a faixa etária mais vulnerável aos efeitos do novo coronavírus.

Há mais dados relevantes: cerca de metade (51,7%) dos portugueses mostrou estar confiante nos serviços de saúde nacionais. Contudo, 83% dos participantes revelou ter-se sentido triste ou ansioso devido às regras de isolamento social e de distanciamento, exigidas pelas autoridades para conter a disseminação da doença. Um sentimento mais prevalente na faixa etária dos 16 aos 25 anos.

Portugal mais rápido a reagir

O mesmo Barómetro Covid-19 revela que Portugal agiu de forma mais rápida na tomada de medidas preventivas da Covid-19, quando comparado com outros países europeus que neste momento se debatem com números avassaladores — casos de Itália, Espanha e Reino Unido.

Tomado como ponto de partida o momento em que foram detetados os primeiros casos de infeção em cada território, o nosso País agiu quase sempre mais cedo do que os restantes. Como exemplo, a decisão de fechar as escolas ao fim da deteção dos primeiros 50 casos. Espanha fê-lo aos 12 dias, em Itália aos 16 e no Reino Unido só ao fim de 18 dias desse marco.

O mesmo sucedeu na suspensão dos eventos desportivos, na restrição dos transportes ou até na suspensão dos serviços não essenciais. Ainda assim, é feito o alerta: esta conjuntura não permite, ainda assim, prever cenários ou resultados ao nível de infeções e mortes.