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Saúde

Fumar 20 cigarros por dia leva a 150 alterações genéticas por ano

Está provado cientificamente: pela primeira vez foi estabelecida uma relação direta entre os cigarros e a alteração do nosso ADN.
"Este número é extremamente elevado e aumenta o risco de desenvolver cancro dos pulmões."

É de conhecimento geral que o tabaco mata e que o cancro é causado por mutações no ADN, ou seja, alterações no código genético das nossas células. Mas, pela primeira vez, um estudo que envolveu vários cientistas internacionais, estabeleceu uma relação direta entre o número de cigarros fumados e o número de mutações no ADN: se fumar um maço de cigarros por dia, cerca de 20 cigarros, ao fim de um ano sofrerá 150 mutações genéticas nas células dos seus pulmões.

De acordo com o que Agostinho Marques, director de pneumologia do Centro Hospitalar S.João, explica à RTP, “o que é interessante é que se quantifica e identifica perfeitamente o mecanismo de início do efeito e isso não tinha sido feito antes”. Continua: “São números impressionantes: fica-se com a ideia de que o fumador de um maço, que não é um grande fumador, é um fumador corrente, mesmo assim, produz uma quantidade enorme de mutações.”

Ludmil Alexandrov, um dos investigadores responsáveis pelo estudo, considera este número de mutações alarmante: “Este número é extremamente elevado e aumenta o risco de desenvolver cancro dos pulmões.”

O estudo, publicado pela revista “Science”, coordenado pelo Laboratório Nacional de Los Alamos e realizado por investigadores norte-americanos, japoneses, ingleses, sul-coreanos, italianos e belgas, revela que os pulmões não são o único órgão afetado. A boca, a laringe, a faringe, o fígado e a bexiga também sofrem mutações, embora numa escala menor.

Interessa saber os fumadores diários não são os únicos afetados pelo tabaco: a exposição direta ou indireta ao fumo do tabaco é o suficiente para provocar estas alterações genéticas aos fumadores esporádicos e aos fumadores passivos. Por exemplo: “Fumar 50 cigarros ao logo da vida resulta, em média, numa mutação”, revela o investigador David Phillips.

Os cigarros têm mais de sete mil substâncias químicas. Vão do mercúrio ao chumbo, a outras substâncias menos conhecidas, mas cancerígenas, como uretano e toluidina.

Além da relação direta estabelecida entre o número de cigarros e o desenvolvimento de doenças, esta investigação poderá ser aplicado para perceber a genética envolvida noutros factores de risco oncológico, como a obesidade, a alimentação, o alcóol. Agostinho Marques destaca que “ao encontrarem-se mutações, encontra-se no mecanismo do cancro o primeiro passo da cadeia genética de alteração e isso também é muito interessante, em termos de investigação de cancro.”

Lidmil Alexandrov destaca que “poderá ser um contributo para a descoberta de outras causas de cancro.”