Ginásios e outdoor

Zumba: a aula que nasceu por acaso em 1986 continua a ser um fenómeno

É capaz de queimar até 800 calorias por sessão, trabalhar os músculos e aumentar a autoestima.
É uma verdadeira loucura.

Pode perguntar em qualquer ginásio com aulas de grupo, a resposta será sempre igual: a modalidade que recebe mais participantes é a Zumba. Porém, se um pequeno descuido não tivesse acontecido em 1986, muito provavelmente, ela não existia. Foi nesse ano que Alberto Pérez, mais conhecido por Beto, se esqueceu do material de fitness para as suas aulas e teve de improvisar.

O agora milionário tinha 16 anos e dava aulas na cidade onde nasceu, Cali, no sudoeste da Colômbia. No clube onde trabalhava tinha de usar sempre o mesmo tipo de músicas, que incluíam temas de artistas como Madonna e Michael Jackson. No dia em que não levou essas faixas, viu-se obrigado a recorrer a uma cassete que tinha no carro.

“Só tinha uma fita-cassete com músicas gravadas da rádio para dar a aula – nada de acessórios. Como também tenho a formação de bailarino, improvisei por uma hora com coreografias de dança. Deu certo. As pessoas adoraram e eu decidi combinar as duas técnicas (de fitness e dança) para criar uma nova modalidade”, contou numa entrevista em 2017 à revista brasileira “Boa Forma”.

A cassete estava cheia de músicas latinas, sendo os principais estilos a salsa e o merengue. O agora empresário de 49 anos fingiu que tinha tudo planeado, tratando-se de uma “aula especial”. A partir daí, apareceram cada vez mais participantes a cada aula.

“Havia filas na porta de pessoas à espera para participar. Este foi o começo da Zumba”, recordou.

Em 1999, mudou-se para os Estados Unidos para realizar “o sonho americano”. Atualmente, estima-se que 15 milhões de pessoas em 186 países — incluindo Portugal — participem nesta modalidade todas as semanas. Após mais de 20 anos, a aula continua a ser um fenómeno, esgotando sessões diariamente.

Apesar de todo o sucesso do fundador da Zumba, a sua vida nem sempre foi fácil. Tinha 14 anos quando começou a trabalhar para ajudar a mãe, que o criava sozinho. Segundo conta a “BBC”, cerca de um ano depois, a mãe foi para os Estados Unidos à procura de uma vida melhor, onde acabou por ser atingida por uma bala perdida. Não se viram durante dez anos.

Para conseguir dinheiro, Beto trabalhou em supermercados, foi operário na área da construção, vendeu gelados e até foi empregado num café, antes de se tornar professor de fitness. 

“Quando assisti a ‘Grease — Nos Tempos da Brilhantina’ (1978), aos oito anos, fiquei apaixonado pela dança. Cresci a dançar nas ruas e nos clubes de música latina, mas também amava a dança americana”, revelou.

O bailarino até foi contratado por Shakira para coreografar os movimentos de dança de algumas de suas músicas — nessa altura ainda nem sonhava que viria a criar a Zumba. 

Quando já estava a dar aulas nos Estados Unidos, um dos seus alunos apresentou-o ao filho, Alberto Perlman, e a um amigo, Alberto Aghion. Foi o trio que registou a marca Zumba, uma palavra inventada, em 2001.

Inicialmente, pensaram em vender vídeos de fitness com Pérez. Tinham pouco dinheiro, mas esforçaram-se em ser criativos. “A nossa primeira gravação foi na garagem do Alberto Aghion, em frente a um lençol”, contou.

Não demorou muito até outras pessoas demonstrarem interesse em ser instrutores de Zumba. Em 2003, quando abriu um curso de formação, inscreveram-se 150 pessoas. O número subiu para 700 no ano seguinte. Atualmente, existem mais de 100 mil instrutores em todo o mundo.

Os incríveis benefícios da Zumba e as versões que surgiram mais tarde

A modalidade que junta estilos como samba, salsa, merengue, mambo, hip hop, é divertida e a melhor parte é que não precisa de quaisquer tipo de acessórios.

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