Ginásios e outdoor

Inês perdeu 25 quilos durante a quarentena. Agora está a inspirar outras mulheres

Sem milagres e sem pressão, Inês perdeu 25 quilos na pandemia e deixou para trás os complexos que sentia.
Inês perdeu 25 quilos em quatro meses.

Se a quarentena foi um desafio para muita gente manter a forma, para Inês de Oliveira, de 26 anos, foi a oportunidade perfeita para perder peso: Durante o confinamento, conseguiu perder 25 quilos. Mais do que isso, recuperou o lado mais alegre da sua personalidade.

Em 2017, Inês foi viver para Londres. “Na altura tinha cerca de 60 quilos, sentia-me à vontade com o meu corpo e a minha saúde. Mas lá, aos poucos e com o correr do tempo, acabei por ganhar imenso peso”, conta.

Regressou ao nosso País em julho de 2019, com planos para se dedicar mais à sua saúde. Mas não foi assim que as coisas aconteceram. “Fui ganhando sempre mais peso. Não tinha atenção ao que estava a fazer”. Foi nessa altura que começou “a ganhar alguns complexos”.

Aos quilos que ganhou foi juntando também cada vez mais obstáculos mentais. A dada altura já mal saia de casa, “nem para ir ao supermercado”. Não era por receio do que lhe poderiam dizer. Inês, na altura em Santa Maria da Feira, não queria correr o risco de encontrar na rua quem a conhecesse. Muito menos quem a tivesse visto um par de anos antes, quando partira para Londres. Não se sentia a mesma pessoa.

Há um antes e um depois físico e mental.

Estávamos em finais de 2019 quando houve um momento de choque: atingira os 100 quilos. “Talvez até tenha chegado a ter mais mas nessa altura já nem me queria pesar”. Não era só o peso a mais. As análises mostravam um cenário cada vez pior. Quando procurou ajuda médica, era já uma questão de saúde física mas também mental.

“Fui a uma médica, a uma nutricionista, a uma especialista em distúrbios alimentares. Estava com uma compulsão alimentar, o chamado binge-eating”. Inês queria lutar mas “nada estava a resultar e eu já não me mexia, só queria ficar em casa”, recorda sobre a “fobia social” que começava a tomar conta dele.

Até que um dia uma psicóloga a desafiou: “Porque é que não vais para o Algarve. Lá não tens ninguém que te conhece e começas aos poucos a sair de casa”. Inês percebeu que o que vivia se estava “a tornar uma depressão” e seguiu o conselho. “Meti-me no caro, sozinha, e fiz quase 600 quilómetros de Santa Maria da Feira até Albufeira”, onde o pai mora. Foi a 6 de fevereiro deste ano.

Chegada ao Algarve, a primeira grande ajuda veio de um misto de circunstâncias e acaso. “O meu pai faz uma alimentação mais ou menos paleo, embora não tenha essa noção. Evita glúten, lacticínios”. E pensou que “não perdia nada por experimentar”.

Desde então teve esta sorte de não precisar de se preocupar com a comida. “Mal cozinho naquela casa”, ri-se. Aproveita a rotina do pai, na cozinha e à mesa, e hoje em dia as análises refletem isso. “Neste momento está tudo impecável”. Aquela primeira mudança deu lugar a outras.

No início de março, o País registou os primeiros casos de Covid-19 e preparou-se para o período de confinamento. Para Inês, isto significou meses em que ficou pelo Algarve, sem o tal receio de encontrar na rua alguém que a conhecesse.

Não sentir tanta pressão foi essencial.

Começou com caminhadas, três quilómetros a caminho da praia, outros três a voltar. Chegou a experimentar um ou outro período de um dois dias de jejum, mas nada excessivo: além de se hidratar, caso se sentisse com menos força não ficava sem comer. Nesta altura, aliás, não se priva de comer. É apenas mais atenta ao deficit calórico. E é bem mais ativa, também

Desde junho que Inês está a trabalhar no Algarve. Recentemente voltou pela primeira vez ao norte. Reviu amigos e familiares. “Fui a todo o lado, até comemos pizza”, destaca.

Aquelas caminhadas solitárias a caminho da praia, onde “aproveitava para molhar os pés”, foram “para começar a fazer alguma coisa”. Foi uma forma de começar a mudar passo a passo. “Se tivesse mudado para um ritmo completamente diferente daquilo a que estava habituada, acho que não ia conseguir. Desmotivava”.

Quando lhe perguntamos se a pandemia teve algum impacto na nova rotina de vida, Inês confessa que sim mas se calhar não como imaginávamos: “Não havia tanta gente na rua”, conta. O que para ela permitiu ter um à-vontade que não conseguia ter num ginásio.

Em quatro meses, Inês perdeu 25 quilos. Foi nessa altura, já em finais de junho, que fez uma publicação no Instagram a contar um pouco da sua história. O momento foi importante. Era também uma forma de servir de exemplo.

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🇬🇧 Aaaand… posted 😬😅 I’ve been apprehensive, but here it is. . 4 MONTHS ago – 18 of February – I took the before photo. Today I took the one with my current weight. . So far I lost ≈ 25kg / 55lbs. . This was due to: caloric deficit, healthier food and becoming more active. . I eat more protein and vegetables compared to everything else but I don’t deprive myself from any individual food item. . I learnt that the most important thing is to make a sustainable diet that I can keep up for life. . Meanwhile I want to start implementing more exercise. But I know very little about this. Anyone who can help? Please! . I’m tagging to this post a few accounts that in a way were relevant and inspiring for me! 🙏🏼 . 🇵🇹 Eeee…. postei 😬😂 Com algum receio, mas aqui está. . Há 4 meses atrás, no dia 18 de Fevereiro, tirei a primeira fotografia. Hoje tirei a mais recente. . Perdi ≈ 25kg / 55lbs . Toda a mudança foi feita com déficit calórico, alimentação e mantendo-me mais ativa. . Não sigo nenhuma dieta em específico, apenas como em maiores quantidades proteína e vegetais, o resto vem por acréscimo. . Aprendi que o mais importante é fazer uma alimentação que seja sustentável para a vida. . Estou mega ansiosa por ver se as minhas análises voltaram ao normal! . Preciso de começar a implementar exercício físico. Mas disso nada percebo e tão pouco tenho feito por perceber… Ajuda, please! 🙏🏼 . Fiz tag de algumas contas relevantes e inspiradoras para mim! 😘 . . . #weightloss #bodypositive #beforeandafter #weightlossbeforeandafter #plussize #caloricdeficit #perdadepeso #dieta #antesedepois #weightjourney #weightlossjourney #lowcarb #paleo #intermitentfasting #l4l #lfl #fff #f4f #fasting #keto #ketodiet #weightlossresults #diet #nit #lowcalorie #fitness #lowcarbdiet #portugal #weightlosstransformation

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Sobre o Instagram, Inês conta que para ela foi também importante fazer uma espécie de “limpeza”. “Parece que não mas o Instagram influencia”, conta. Que “limpeza” foi essa? “Apaguei perfis que me fizessem sentir mal com o meu corpo”. E escolheu outras opções, mais saudáveis à mesa, com histórias de quem superou o excesso de peso, mas também mais honestas, em que estrias e celulite não são escondidas como se não existissem.

Hoje em dia o seu Instagram mostra-a mais à vontade, desfrutando do bom tempo algarvio. Mas é também uma forma de dar o exemplo a quem, como ela a dada altura, se sente perdido na luta contra o excesso de peso.

“Ao princípio ninguém se acredita muito no que é possível. Tem mesmo de partir de nós e das pessoas no nosso núcleo fechado”. Foi preciso o tal desbloqueio mental para começar. “Agora não sinto vontade de parar. Vou continuar”.

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