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Ginásios e outdoor

Guerra entre Joana Amaral Dias e GO Fit Campo Grande chega à polícia

A ex-deputada do Bloco de Esquerda pulou por cima do torniquete na entrada do ginásio para fugir à fila.
Joana Amaral Dias pulou um torniquete.

“Há uma enorme polémica em toda a Europa e nos EUA com a recolha de dados biométricos como a impressão digital, a voz, o reconhecimento facial, o código genético. E, de repente, estou envolvida nela até aos cabelos. Eu e o ginásio GoFit”, escreveu Joana Amaral Dias, antiga deputada do Bloco de Esquerda, na página de perfil do Facebook. O objetivo era denunciar o que se está a passar com os clientes no ginásio do Campo Grande, em Lisboa.

Na publicação feita na manhã desta segunda-feira, 13 de maio, a política e psicóloga explica que o método de entrada no ginásio mudou. Antes havia apenas um cartão magnético (com fotografia) em forma de chave para passar nos torniquetes. Em março deste ano, a cadeia anunciou que o processo passaria a ser feito através da impressão digital.

“Anunciaram nos altifalantes e também presencialmente que iria acontecer esta alteração. Apresentaram isto como obrigatório, pelo menos as pessoas menos informadas ficaram com esta ideia. E a maior parte aderiu”, conta à NiT.

Confrontado pela NiT, o diretor de operações da cadeia em Portugal, João Galileu, explicou o motivo desta mudança. De acordo com a nova lei de proteção de dados, é possível dar esta alternativa mais simples ao sócios. Mas não se trata apenas disso.

“Nestes últimos três anos [o ginásio abriu em abril de 2017], chegámos à conclusão de que muita gente nos enganava. Os sócios passavam as suas chaves a amigos e era difícil controlar isso. Ao associar a impressão digital a cada pessoa, este problema já não acontece. Tendo também crianças naquele espaço, é uma forma de garantir alta segurança”.

Tal como Joana Amaral Dias, cerca de sete clientes não aceitaram esta alteração. Por isso, a cadeia pensou numa solução para este grupo: os clientes mantinham a chave mas tinham de se dirigir à receção para confirmar a identidade e ter, então, acesso ao ginásio.

“Ou seja, quem aderiu à impressão digital, passa o dedo na cancela e entra. Quem não aderiu, em vez de passar o cartão e entrar também (como até então), tem que esperar para ser atendido. Pode ser um segundo ou uma hora, dependendo do número de sócios que estejam a tratar de pagamentos, inscrições, etc.”, queixa-se Joana Amaral Dias.

Segundo a comentadora, trata-se de uma prática abusiva, uma vez que tem as mensalidades pagas e não percebe o motivo para ter de aguardar na fila para a receção.

Há três semanas, por exemplo, chegou ao ginásio do Campo Grande quando faltavam cinco minutos para a aula que tinha reservado. Lembra-se de que estavam cerca de cinco pessoas na fila para a receção e faltar a uma aula com reserva impede os sócios em questão de realizarem qualquer reserva na semana seguinte como forma de penalização. Como não concordou com a situação, decidiu saltar a cancela.

“Não vou começar a ir com meia hora de antecedência. Isso não faz sentido nenhum. Lá toda a gente me conhece, até porque lá vou todos os dias. Até a minha filha anda lá. Como faltava um minuto para a aula e não abriram, saltei. Contratualmente, o que está estipulado é que pago as minhas mensalidades e que posso usar o ginásio.”

Para o GO Fit Campo Grande, Joana Amaral Dias só “tem de aguardar como qualquer comum mortal”. Porém, nessa altura, o ginásio fez apenas uma chamada de atenção, explicando que não admitia aquele tipo de comportamentos nas instalações.

Seguiu-se um segundo episódio. Há duas semanas, Joana garante que a funcionária da receção lhe disse que não podia abrir o torniquete naquele momento e que a insultou.

“Disse que eu era uma ‘grande mal educadona e que tinha de esperar na fila como as outras pessoas’. Como não tinha bateria no telemóvel, pedi que chamassem a PSP para fazer uma participação e também solicitei o livro de reclamações. Além disso, fiz uma queixa à Comissão Nacional De Protecção De Dados.”

O GO Fit fez uma repreensão por escrito para que este tipo de comportamentos não se voltem a repetir. Caso contrário, será obrigado a tomar outras medidas.

“Dos 14 mil sócios que temos no clube dos Olivais, apenas cinco não quiseram a entrada por impressão digital. Dos dez mil de Campo Grande, foram apenas sete ou oito. Mas não temos queixas de mais ninguém. Temos apenas aqueles episódios lamentáveis com a senhora. Não se percebe este comportamento numa criança, quanto mais numa pessoa adulta”, diz à NiT João Galileu.

Como é o ginásio mais perto da casa de Joana Amaral Dias, ela continua a ser sócia do GO Fit, até porque acredita que deve lutar pelos seus direitos. Além disso, garante que os abusos da cadeia não são de agora.

“Por exemplo, enquanto esperava pela PSP fui ao balneário despachar-me e a relações públicas do ginásio apareceu a dizer-me que a polícia já tinha chegado. Portanto, a invadir a minha privacidade, já que não esperou que eu saísse. Eu tinha acabado de sair do banho, nua. Ainda só de cuecas. Mas há mais situações de assédio. Eles costumam tirar fotografias nas aulas para partilhar nas redes sociais e no canal interno e eu já pedi várias vezes que não me incluam nas fotografias porque tenho a minha imagem e faço a gestão dela. E eu apareço sempre. Já fiz reclamações também sobre isto. É um desrespeito perante os sócios e os cidadãos”, recorda a psicóloga.

No entanto, a relação controversa entre Joana Amaral Dias e o GO Fit Campo Grande não vem de agora. O ginásio começou a ser construído no final de 2015, no espaço das antigas piscinas da zona. E no ano seguinte já aceitava pré-inscrições. A antiga deputada do Bloco de Esquerda foi uma das pessoas que se inscreveram e que seis meses depois de terem pagado uma anuidade de 400€, nunca tiveram direito a uma aula.

Nessa altura, também expôs a situação nas redes sociais. Porém, o clube acabou por abrir a 17 de abril de 2017, onde se mantém como sócia até hoje.