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Ginásios e outdoor

Experimentei um desafio viral de agachamentos e sobrevivi para contar a história

O Bring Sally Up Challenge tem milhões de visualizações no YouTube e é o treino perfeito para fazer quando vai de férias.
Esta não sou eu mas era esta a minha figura.

Há uma música do Moby chamada “Flower” que foi lançada no ano 2000, cujo refrão é mais ou menos assim: “Bring Sally up and bring Sally down. Lift and squat, gotta tear the ground” (em português isto transforma-se em algo bizarro como “traz a Sally para cima, leva a Sally para baixo. Sobe e desce, há que destruir o chão”). Agora imagine isto durante aproximadamente três minutos e meio.

Estou a falar sobre este tema porque é o protagonista de um desafio de fitness que se tornou viral no YouTube e que eu decidi recentemente enfrentar. Chama-se Bring Sally Up Challenge e popularizou-se na sua versão original, em que um grupo de homens faz flexões ao som da música.

A batida ritmada é perfeita para treinar, mas o que torna este desafio tão especial é que a letra dita o tempo dos movimentos. Cada vez que Moby diz “bring Sally up”, temos de subir e cada vez que diz “bring Sally down” está na hora de descer. Parece simples, certo? 

Ouvi falar do desafio através de um grupo de amigos enquanto estava de férias. A ideia pareceu-me divertida e uma boa alternativa para treinar quando se vai para fora: pode levar-se para todo o lado e não é preciso nada além de um telemóvel com acesso ao YouTube e o peso do próprio corpo.

A primeira vez que percebi que estava perante um desafio de elevada dificuldade foi quando vi o meu namorado — que vai ao ginásio todos os dias — com os braços a tremer passado apenas um minuto da música. Antes de chegar aos dois, atirou-se para o chão com um grunhido de sofrimento e assumiu a derrota. A pontuação marcava Bring Sally Up um, namorado zero.

Além da popular versão das flexões, há outros exercícios que podemos adaptar à música, como burpees ou agachamentos. Depois de testemunhar ao vivo aquela traumática experiência, decidi rapidamente riscar a hipótese das flexões da minha lista. “Agachamentos será”, pensei.

Para que tenha uma ideia do meu nível de preparação física, as minhas idas ao ginásio acontecem, em média, três vezes por semana — às vezes mais, às vezes menos. Estou longe de ser a Carolina Patrocínio mas também não sou propriamente o Fernando Mendes — diria que estou algures no centro deste espetro imaginário. No entanto, já possuo um certo nível de arrogância característica de quem vai ao ginásio há alguns anos: na minha cabeça, ia fazer os agachamentos com uma perna atrás das costas.

O que se seguiu foram três minutos e meio em que o meu estado mental passou rapidamente de “vou dar cabo deste desafio” a “isto nunca mais acaba?”, enquanto a transpiração me escorria pela testa. O que ninguém está à espera antes de começar o Bring Sally Up Challenge é que a parte pior não são as subidas, são as descidas. É que depois de se ouvir as instruções para descer (“bring Sally down”), há um compasso de espera em que tem de ficar em esforço até poder voltar a subir. Este tempo varia entre quatro e dez segundos e é o que torna toda a experiência tão dolosa — mas também eficaz.

Depois de três minutos e meio e 30 repetições, a música acabou e eu saí vitoriosa do desafio. A pontuação? Bring Sally Up zero, Maria um.

O nível de dificuldade diminui bastante entre as flexões e os agachamentos (sendo o segundo exercício bastante mais acessível), mas o treino continua a ser bem desafiante: depois de enfrentar o challenge duas vezes de seguida, posso assegurar que no dia a seguir as minhas pernas não se mexiam. Mas o maior desafio no meio disto tudo foi mesmo tentar tirar a música do Moby da cabeça.