Ginásios e outdoor

Eles brilharam no “Portugal Tem Talento”, agora vão abrir um ginásio em Lisboa

Os gémeos já fizeram um pouco de tudo. Desta vez, querem pôr toda a gente em forma, seja a dançar ou a levantar halteres.
Agora os homens também podem treinar com eles.

Eram apenas dois rapazes franzinos à procura de uma vida melhor do que a que tinham no Brasil. Não pesavam mais de 50 quilos e o dia a dia dava para pouco mais do que trabalhar, por vezes em dois sítios em simultâneo. Mais de uma década e vários empregos depois, os gémeos Hategan conseguiram concretizar o sonho de abrir um ginásio. Agora são uma dupla de treinadores de físico esculpido — e de empresários de sucesso.

Esse não era, contudo, o sonho que traziam quando saíram do avião em Lisboa. Depressa abandonaram a ideia de “juntar dinheiro para comprar carro e casa e voltar” para o seu estado-natal, Goiânia. Wesley chegou em 2003, William em 2007. Nunca mais regressaram — nem querem, até porque o projeto de uma vida está apenas à distância de dois meses.

Donos do Gémeos Academia, um ginásio exclusivamente feminino instalado na Bela Vista desde 2016, preparam-se agora para construir uma versão melhor, maior e mais luxuosa. Os 250 metros do espaço atual vão crescer para 700 metros quadrados. A capacidade estimada para 300 inscritos aumenta para os 600, embora com as restrições da pandemia, pretendam reduzir em 75 por cento a capacidade.

As obras já estão em andamento e se o tempo recorde de sete semanas for cumprido, a dupla irá poder abrir as portas logo a 10 de outubro. O nome destes gémeos pode não dizer-lhe nada, mas se por acaso viu a primeira temporada de “Portugal Tem Talento”, o programa da SIC que estreou em 2011, é capaz de ter reparado nestes dois rapazes a mostrarem do que são capazes.

O ‘Portuguese Dream’

“Quando chegámos éramos apenas dois estafetas que gostavam de dançar. Nunca pensei que a dança me fosse trazer a vida que tenho agora”, confessa William em conversa com a NiT.

A vida no novo país nem sempre foi fácil. Dos trabalhos esporádicos a entregar panfletos passou para o curso de instrutor de fitness. Passou a dedicar-se mais ao corpo, ao treino, começou a dar aulas. “Andava com um carro de trás para a frente, ia para a Margem Sul. Durante quatro anos conduzi um carro sem documentos porque não tinha dinheiro para pagar o seguro e a inspeção. Arrisquei ser preso, perder os documentos”, recorda desses tempos.

A provar que os gémeos fazem mesmo tudo juntos, convenceu Wesley a juntar-se a eles nos treinos. Trabalhavam 10 horas por dia, mas havia sempre tempo para um pouco de exercício. William apostou na instrução e foi mais longe: licenciou-se em Educação Física.

Há alguma coisa que eles não façam?

Por essa altura, guardavam outra paixão, a dança. “Via o pessoal a dançar ali nas Docas e disse ao meu irmão ‘se eles sabem dançar, nós também'”, conta o brasileiro de 36 anos. Deram nas vistas nas pistas de dança, até por serem gémeos. Os donos dos espaços estavam atentos e começaram a contratá-los para animar as noites.

O passo seguinte deu-se por acaso, no dia em que decidiu abordar os malabaristas de fogo que faziam espetáculos improvisados perto da sua casa. “Pedi-lhes que me ensinassem a fazer aquilo em troca de um almoço. Comprei-lhes o material e perderam tempo a mostrar-me como se fazia. Depois, bastava acender uma tocha que os turistas alemães e ingleses começavam a gritar. Ficavam doidos”, recorda.

Mais uma vez, recrutou Wesley, pensou num nome — ficou mesmo Twins Dance — e arriscou inscrever-se no concurso do momento que procurava eleger os melhores talentos nacionais, o “Portugal Tem Talento”. Entre mais de cinco mil candidatos, ultrapassaram três eliminatórias de bastidores e ganharam um lugar no palco.

“Já não me recordo dos jurados, mas lembro-me que se riram de nós porque usávamos mais o swing do que propriamente o fogo. Chegámos à meia-final e ganhámos uma projeção incrível”, conta William.

Com o nome difundido por todo o País, arranjar trabalho tornou-se mais fácil. Dançaram para cantores como Mónica Sintra e “outras bandas pimba”, embora hoje se mostrem reticentes em recordar essa época.

“Não falo muito sobre isso, mas era dessa forma que conseguíamos pagar os nossos cursos. Fui bailarino noturno, dancei muitos anos nas colunas, na época do Cachaça, na noite da Margem Sul. Com o dinheiro pagamos as nossas formações”, sublinha com orgulho.

Foram pioneiros da zumba em Portugal, correram ginásios de renome como o Holmes Place e Sol Inca, dançaram na televisão e chegaram a dar aulas pelas aldeias mais remotas do País. Já com o Gémeos Academia inaugurado, ainda em 2016, organizaram uma fusão de zumba com as coloridas festas holi no evento Zumba Colors.

“É preciso muita luta, esforço, mas é possível crescer, aprender e tornar-se um empresário”, conclui William.

A nova academia

Em janeiro, o projeto do novo ginásio já existia na mente de William. Faltava o dinheiro. Anos a fio a trabalhar dias e noites ajudaram a economizar: “Conseguimos juntar o dinheiro para não precisarmos de empréstimos nem nada. Conseguimos atingir essa meta e ainda durante a pandemia disse que quando isso acabasse, ia abrir o novo espaço (risos)”.

Ninguém zumba melhor do que eles.

Wesley e William também sabem que filosofia querem implementar — uma muito diferente daquela que é usada nas grandes cadeias. A ideia passa por criar um “ambiente familiar”, agora sem exclusividade feminina. No novo Gémeos Academia todos treinam, sempre sob o olhar atento da dupla.

“Queremos manter o espírito deste ginásio, onde o cliente entra e toma um café, conversa com os donos. Falamos com eles pelo WhatsApp, dá trabalho, mas é tudo muito mais próximo”, frisa William.

Os 700 metros quadrados vão ter direito a um estúdio com capacidade para 70 pessoas. É melhor assim, nota William, que diz preferir ter um espaço grande ao invés de duas salas pequenas.

“Vamos ter uma sala com 125 metros quadrados de cross-training com todos os materiais para quem quer treinar, fazer musculação ou outras coisas”, diz. Terá também balneários modernos, spa com massagens e gabinetes para avaliações físicas e de nutrição. A lista de aulas é a tradicional: a especialíssima zumba, bem como cycle, pump, TRX, localizada, cross-training ou mesmo treinos outdoor.

Sem qualquer tipo de fidelização, os novos clientes podem contar com mensalidades entre os 24,99€ (duas vezes por semana) ou 34,99€ (livre-trânsito). Por altura da abertura, haverá ainda espaço para uma campanha para os 100 primeiros inscritos: uma mensalidade de 29,99€ sem inscrição e com direito a toalha. A abertura está prevista para 10 de outubro, no Centro Comercial Pingo Doce Bela Vista.

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