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Ginásios e outdoor

Blaya: “Não podemos ter vergonha do nosso corpo nem de fazer o que queremos”

A artista fez uma parceria com a Nike e tem um novo tema. A NiT esteve à conversa com a artista.
Nike Air Force 1 Shadow.

Chama-se Karla Rodrigues e tem 32 anos. Dito assim, parece apenas mais um nome, mas estamos a falar de Blaya. A artista fez parte do fenómeno da música portuguesa Buraka Som Sistema e, atualmente, tem uma carreira a solo alavancada pela música portuguesa com mais visualizações do YouTube (à data desta publicação, conta com quase 35 milhões).

“Faz Gostoso” foi o início de uma carreira de sucesso ímpar que afirma o estatuto de Blaya como dançarina e intérprete. É conhecida por partilhar a sua vida pessoal nas redes sociais e por incentivar todas as mulheres a aceitarem-se como são.

Por tudo isto, a Nike criou uma parceria com a luso-brasileira para, por um lado, promover o novo modelo de sapatilhas femininas Nike Air Force 1 Shadow, e por outro, lançar um passatempo dedicado a mulheres.

A NiT esteve presente no Showroom da Nike, em Lisboa, na sexta-feira, 11 de outubro, para assistir à gravação do vídeo deste passatempo e viu as novas sapatilhas Nike Air Force 1 Shadow — que custam 110€ e existem em quatro cores.

O movimento BLAYA FOR 1 pretende que as mulheres se soltem e dancem. Como funciona? É dedicado exclusivamente a mulheres que pertençam ao clube Nike (pode-se registar no site). Cada participante deverá gravar um vídeo de 60 segundos com uma coreografia que tenha um dos passos que Blaya explica no vídeo que se encontra no seu Instagram.

A coreografia deverá ser gravada ao som do novo tema da artista, “Baza”, que encontra no mesmo site da inscrição. Uma vez terminado, as participantes devem partilhar o vídeo no seu feed de Instragam (não nas stories), de forma pública, e com as hashtags #BLAYAFOR1, #AF1 e identificando a @blaya_con_dios.

As inscrições estão abertas até ao dia 19 de outubro. Depois, a Nike e Blaya vão selecionar as dez melhores candidatas que terão a oportunidade de participar num evento, no dia 23 de outubro, na Nike do Chiado, com meet and greet e uma masterclass. Aí, escolhem-se as duas vencedoras que vão poder participar nas gravações do videoclip do tema “Baza”, ao lado de Blaya.

No meio das gravações deste vídeo, a NiT entrevistou a artista para saber como surgiu esta parceria, quais são as suas rotinas de exercício físico e alimentação, e como é ser a cantora de maior sucesso da atualidade.

Como é que surgiu esta parceria com a Nike e em que consiste este vídeo?
A Nike é uma marca muito energética. Quando nós pensamos em Nike pensamos em movimento. E a marca lembrou-se de mim para representar porque eu consigo colocar nas pessoas a minha energia e movimento. E nós quisemos fazer isso com o vídeo. É um vídeo com imensa energia e dança, e vai fazer com que as pessoas lá em casa também façam o vídeo. Principalmente mulheres, que é o que nós queremos atingir. Porque nós mulheres conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Sei que a Nike procurava uma mulher líder e forte. Vês-te assim?
Sim, eu acho que todas as mulheres são um pouquinho líderes e fortes. Às vezes estão um pouco escondidas ou custa mais tempo a aperceberem-se disso, mas há depois outras mulheres a ponderarem e a ajudarem outras a sentirem-se líderes e é isso que importa. Não é o facto de eu me sentir líder, mas sim fazer com que outras mulheres se sintam bem com elas próprias e se sintam com força para seguir em frente e fazerem o que elas quiserem.

Falas muito da aceitação do corpo, nomeadamente nas redes sociais, sempre foi assim?
Sempre foi assim [risos]. Eu sempre fiz o que eu queria, então eu decidi que era uma mais valia mostrar a todas as pessoas que todas são capazes de fazer o que elas querem. Não podemos ter vergonha do nosso corpo nem de fazer o que queremos na vida. E é isso que eu tento fazer sempre, e mostrar nas minhas redes sociais.

E partilhas muito da tua vida pessoal, por exemplo a cirurgia que fizeste recentemente [implantes de silicone mamários], achas que é importante abrir o debate a estas questões entre as mulheres?
A cirurgia é uma coisa tão recente que eu ainda não pensei sobre isso [risos]. Mas é uma coisa natural e eu acho que se uma mulher não está feliz com alguma coisa do seu corpo, porque não mudar? Se tem essa possibilidade pode mudar à vontade. Se é para ficar melhor com ela própria. Não é para deixar as outras pessoas melhor, mas é para ela própria se sentir melhor. Se há essa possibilidade eu acho que faz todo o sentido. Não é que eu me sentisse muito mal, mas se eu tenho possibilidade.

Além da dança, praticas alguma modalidade desportiva? Costumas ir ao ginásio?
Não vou ao ginásio. Danço muito. Eu tinha um PT, mas comecei com muitos concertos durante a semana e o fim de semana, então parei e agora fiz a cirurgia, então também é mais complicado. Mas os concertos ocupam-me bastante e é muito exercício físico. É uma hora e um quarto, uma hora e vinte, de muito exercício físico que é cantar e dançar e animar. Os meus concertos são o meu ginásio.

E com a alimentação, és regrada ou nem por isso?
Neste momento não como chocolates e açúcares. Quer dizer, eu como coisas com açúcar, mas o açúcar branco, para pôr no café por exemplo, já não utilizo. Só mesmo por causa das borbulhas, não é por causa do físico, nada disso. É só por causa das borbulhas e notei alguma diferença, mas de resto como tudo [risos].

Este novo tema, “Baza”, foi criado propositadamente para este vídeo?
Não foi criado de propósito. A team RedMojo fez um writing camp há pouco tempo, mais ou menos há duas semanas, fizemos várias músicas durante três dias e uma das músicas foi esta, que eu fiz com o Stego e com o Marley. Eu queria qualquer coisa assim com muita energia e disse ao Stego que queria alguma coisa para me lembrar dos Buraka [Som Sistema]. E então foi isso que nós quisemos fazer com esta música. Depois a Nike adorou a música, porque realmente transmite muito boa energia e qualquer pessoa que ouve a música, começa a bater o pé, e depois a abanar a cabeça e depois é o corpo todo e é isso [risos].

Entre os Buraka e o “Faz Gostoso” há um intervalo. Como foi esse período? Estás agora na fase que sempre quiseste?
Sim. Quando estava no grupo lancei um EP a solo, por isso quando saí, quando acabámos, tivemos tempo de nos focarmos cada um no seu projeto a solo. Eu estive mais ao menos durante um ano a dar workshops de dança fora de Portugal – com Buraka eu ainda não tinha tido tempo para viajar e dar workshops. Quando nós acabámos, entre 2016/2017, aí dei imensos workshops. Depois, engravidei, tive a minha Lau. E para aí um mês, ou dois meses depois, reuni com o Emerson da RedMojo para começarmos a preparar as novas músicas, que foi onde saiu também o “Faz Gostoso”.

E como é ser a artista atualmente com maior sucesso de Portugal?
[Risos] só significa que há uma boa equipa que está por trás de todas as músicas e está por trás da Blaya, para fazer isto tudo acontecer.

O que é que ainda falta fazer?
Tanta coisa, falta fazer muita coisa [risos]. Mais músicas para as pessoas dançarem, mais concertos, mais projetos de dança. Sei lá, tudo.