NiTfm live

Saúde

Apelo das farmácias: somos “forçadas a abandonar à sua sorte muitas pessoas”

A Associação Nacional das Farmácias escreveu ao primeiro-ministro no dia 24 de março.
Foto meramente illustrativa.

Em desespero, a Associação Nacional das Farmácia (ANF) escreveu ao primeiro-ministro, António Costa, num pedido urgente que pode afetar a vida de todos os portugueses. Solicita a intervenção do Governo com vista a repor o abastecimento de produtos de primeira necessidade para combater a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus.

“Máscaras, gel desinfetantes, paracetamol, termómetros, matéria-prima para manipulados e equipamento de proteção individual desapareceram quase totalmente das farmácias”, pode ler-se na carta enviada a 24 de março.

Neste momento, garante a direção da ANF, as farmácias “veem-se forçadas a abandonar à sua sorte muitas pessoas, cujas necessidades não conseguem satisfazer”. Denuncia ainda que, para adquirirem esses produtos, “têm de pagar preços especulativos e, mesmo assim, não conseguem adquirir quantidade suficiente” para garantir a segurança das próprias equipas e de instituições como lares de idosos.

A Associação Nacional das Farmácias decidiu, também, entregar à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) um documento de 100 páginas com faturas e propostas comerciais apresentadas às farmácias por dezenas de empresas nacionais e importadoras, “na sua maioria estranhas ao mercado de produtos farmacêuticos”. 

Por exemplo, há frascos de 30 mililitros de álcool em gel a 5€; máscaras entre 7€ e 38€; garrafões de cinco litros de desinfetantes a 79€; e termómetros a 97€. Estes são apenas alguns dos preços de aquisição que estão a ser propostos às farmácias e que assustam vários profissionais.

O preço de venda ao público destes produtos de primeira necessidade para o combate à Covid-19 é livre, assim como a sua comercialização por uma multiplicidade de pequenos estabelecimentos e cadeias comerciais.

Por isso mesmo, a ANF recomendou às 2750 farmácias suas associadas que pratiquem margens de comercialização até ao limite de 17,5 por cento, que se aplica aos medicamentos sujeitos a receita médica comparticipados.