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Alimentação Saudável

Tenha cuidado com o consumo de soja — pode não ser tão benéfico como parece

A nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT “Loveat”, explica-lhe porquê.
Esta é a verdade.

As dietas vegetarianas estão cada vez mais na moda. Algumas pessoas recorrem a esta alimentação para serem mais saudáveis e outras por questões éticas, ecológicas e de saúde. Independentemente do motivo, é preciso ter cuidado com alguns dos alimentos tendência que fazem parte destes planos alimentares — um deles é a soja.

A partir do século VII começou a ser conhecida no resto do mundo: primeiro no Japão, um dos países que atualmente mais consome esta leguminosa; depois na Europa, no século XVII. No século seguinte tornou-se moda nos Estados Unidos.

“A soja é usada para a produção de vários análogos e substitutos da carne e produtos lácteos que podem ser usados ​​como alternativas, especialmente durante a transição para a dieta vegetariana. Falo, por exemplo, de tofu, seitan, alternativas aos iogurtes e queijos, bebidas vegetais, substitutos de natas, entre outros”, explica a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT “Loveat”.

É que o processamento de alimentos pode alterar drasticamente a composição dos produtos feitos a partir da soja, alterando o teor de nutrientes e antinutrientes. Além do impacto no que diz respeito à parte nutricional, os compostos artificiais deste processamento podem ter impacto na sua saúde.

“Um exemplo do impacto deste processamento dos grãos de soja é poder melhorar a qualidade nutricional deste alimento, pela redução dos antinutrientes presentes. Porém, as reações de Maillard [confere textura, sabor, cor e aroma] podem reduzir a biodisponibilidade dos aminoácidos que a constituem.”

Vamos por partes. Os efeitos benéficos da soja sobre a saúde humana dependem de fatores como o teor de proteína, teor de isoflavonas da soja, interação com outros componentes da soja e da flora intestinal de cada pessoa.

De acordo com a nutricionista, o conteúdo limitado de hidratos de carbono e o alto teor de proteína faz também da soja uma ótima candidata para o controlo da resposta glicémica em pacientes com diabetes, resistência à insulina e também em doenças metabólicas.

Mas também há uma parte menos positiva. São muitos os estudos que suscitam dúvidas relativamente à segurança do consumo de soja, devido às as altas concentrações de fitoestrogênios, ou seja, polifenóis com estrutura molecular semelhante aos estrogénios endógenos do organismo.

Risotto de soja é um dos pratos mais famosos.

Embora as investigações tenham sido realizadas em animais, revelaram que o consumo de soja pode aumentar os problemas de tiróide. Quanto a isto, a nutricionista deixa uma indicação importante: “É improvável que os alimentos com soja possam alterar a função da tiróide em indivíduos sem qualquer problema na tiróide.”

A lista de potenciais problemas continua com um a incidência de cancro na bexiga, demência, perigo na gravidez e risco de cancro da mama. Tudo isto depende, claro, de fatores que são difíceis analisar, como as diferenças no cultivo, fatores ambientais, métodos de cultura usados, armazenamento e processamento do alimento.

“A rede de hormonas sexuais e as perturbações da glândula da tiróide parecem improváveis, especialmente com a baixa ingestão de isoflavonas relatada em vegetarianos. Ao mesmo tempo, para ter os efeitos benéficos das isoflavonas de soja, a ingestão deve ser de pelo menos 60 a 100 miligramas por dia, que dificilmente é alcançada nos países ocidentais.

Até à data, o uso de alimentos de soja na infância, incluindo fórmulas infantis à base de soja, não foi associado a efeitos adversos.

Qual é o truque para evitar riscos acrescidos associados? Fazer-se uma alimentação variada e equilibrada. Saiba que nutrientes-chave da soja — como proteínas, minerais, vitaminas e fitoquímicos — podem ser encontrados também em alimentos como grão, feijão, lentilhas, favas, ervilhas, sementes, frutos secos ou cereais.

Além disso, recomenda-se que o consumo de derivados de soja seja reduzido, dando sempre preferência ao feijão edamame (a forma mais natural de soja).

“Escolha alternativas ao iogurte à base de leite de coco, bebidas e alternativas ao queijo à base de frutos secos, e dê preferência ao tempeh produzidos com outras leguminosas além da soja”, recomenda à NiT Mafalda Rodrigues de Almeida.

Há outro risco relacionado com a soja que tem feito com que muita gente diminua o seu consumo: é um dos alimentos que, segundo várias notícias, “estão a destruir o planeta”.

Para serem economicamente viáveis, os grãos de soja precisam de ser cultivados numa escala muito grande. Como consequência, os espaços onde isto acontece — América Latina — estão a sofrer muito de desflorestação. As grandes vítimas são a Amazónia, o Gran Chaco e as Florestas Atlânticas. Quase quatro milhões de hectares são destruídos anualmente.

Aproveite e carregue na galeria para conhecer cinco alimentos supostamente saudáveis que não o deixam emagrecer.