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Alimentação saudável

Portugueses consomem proteína animal em excesso

Quatro vezes mais carne, ovos e peixe do que o necessário. A saúde, o orçamento familiar e o ambiente são os mais prejudicados com este consumo excessivo. A conclusão é da ZERO — Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Sim, tem bom aspeto, mas está na hora de reduzir o consumo de carne, ok?

De acordo com a ZERO — Associação Sistema Terrestre Sustentável, deveríamos ingerir cerca de 33 quilogramas de carne, ovos e pescado por ano. Mas não é isto que está a acontecer: de acordo com Susana Fonseca, membro desta ONG, em declarações à agência Lusa, citada pela “SIC Notícias“, os portugueses estão a consumir 178 quilogramas destas fontes de proteína animal, ou seja, mais 145 do que aquilo que é suposto — o que se traduz num consumo 4,4 do que aquele que é recomendado. Os principais prejudicados: a saúde, o ambiente e o orçamento familiar.

A especialista, que à mesma agência defende o consumo de leguminosas para atenuar este consumo excessivo (2016 é o Ano Internacional das Leguminosas), explica que a proteína em excesso pode ser perigosa para a saúde. Marta Mourão, nutricionista do Holmes Place, explica à NiT que este macronutriente em concentrações muito elevadas pode levantar problemas porque “existe um limite na capacidade de o corpo metabolizar a proteína.”

Apesar do mecanismo de metabolismo da proteína ser bastante complexo, sabe que o que acontece é que, “quando em excesso”, após a transformação no nosso organismo, é libertado azoto, que poderá produzir outros compostos que em demasia também são prejudiciais — ureia, ácido úrico, creatinina, por exemplo. Daí ser necessário ter cuidado com as dietas hiperproteicas.

Sobre os efeitos no ambiente, Susana Fonseca dá o exemplo do impacto no desperdício de água, uma vez que para o consumo de carne é necessária uma quantidade cem vezes maior quando comparada àquela que é precisa para produzir leguminosas. A somar a isto, estão ainda as emissões de metano, “um gás com efeito de estufa que agrava as alterações climáticas”, explica a publicação online da “SIC Notícias”.

Relativamente ao orçamento familiar, a especialista da ZERO refere que é mais cara a utilização de proteína animal, o que poderá ser um gasto desnecessário, uma vez que as leguminosas, ingredientes típicos da dieta mediterrânica, são “uma excelente fonte de proteína”, bem menos dispendiosa.

“Estamos a desperdiçar dinheiro, estamos a consumir proteína que nos está a fazer mal, está a fazer mal ao ambiente e está a retirar-nos recursos financeiros”, reforça Susana Torre, citada pela mesma publicação.

“Se consumirmos só a proteína animal de que precisamos, gastamos menos dinheiro e vamos ter uma parte do rendimento disponível para comprar com maior qualidade”, termina.