Alimentação Saudável

Por favor, pare de comprar latas de feijão na quarentena — pela sua saúde

A nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT “Loveat”, explica a razão deste apelo.
Privilegie o feijão seco.

Com a chegada da pandemia de Covid-19 a Portugal, a compra de bens alimentares com maior durabilidade tem sido privilegiada pela maioria das pessoas. No entanto, nem sempre são as opções mais saudáveis para se ter na despensa. Os produtos alimentares enlatados são um destes produtos. Depois de termos apelado para evitar comer salsichas, o mesmo aplica-se ao feijão em lata.

Ninguém tem dúvidas de que o feijão é uma leguminosa com várias vantagens do ponto vista nutricional, tendo um elevado teor de proteína de origem vegetal, fibra e hidratos de carbono de absorção lenta. 

“Além disso, é uma boa fonte de vitaminas (vitaminas do complexo B) e minerais (potássio, fósforo, cálcio, magnésio, ferro e zinco). Pertencendo ao grupo das leguminosas, estas devem ser incorporadas numa alimentação saudável numa porção diária de 80 gramas (três colheres de sopa)”, diz a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT “Loveat”.

Mas — e há sempre um mas —, existem vários tipos de feijão à venda nos supermercados. Tanto pode ser vendido em seco, como embalado, ultracongelado ou enlatado.

Segundo a especialista, enlatar os alimentos, como o feijão, baseia-se na conserva de embalagens de metal herméticas. Apesar do controlo da segurança alimentar, Mafalda Rodrigues de Almeida relembra que estas embalagens podem libertar substâncias nocivas, como metais pesados, nomeadamente cádmio, chumbo e mercúrio, acabando por poder contaminar o alimento que está no interior.

As latas são revestidas internamente com um verniz, para evitar a migração de elementos metálicos para o alimento, que também pode libertar compostos nocivos, como o bisfenol A. Ainda assim, este composto parece representar um baixo risco toxicológico para a saúde humana”, explica à NiT.

Há, ainda, outra questão: a adição de sal nos produtos enlatados, como acontece no feijão, é também muito comum por apresentar vantagens tecnológicas para a segurança alimentar. Contudo, torna-o numa opção com aditivos, deixando de ser um produto “ao natural”. Além disso, tem na sua constituição a presença de conservantes que permitem aumentar o seu tempo de prateleira.

O feijão seco é mais saudável.

Então, não se deve comer feijão?

Não é nada disso. Apenas deve considerar melhor a sua escolha. De acordo com a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, já o feijão seco, que se pode encontrar embalado ou até mesmo a granel, é uma alternativa mais saudável, uma vez que não possui aditivos nem conservantes, além de ser muito mais barato. Portanto, comparativamente ao feijão enlatado, não só tem uma maior qualidade nutricional como apresenta mais vantagens.

“A única desvantagem de comprar o feijão em seco é pelo facto de despender um maior tempo de preparação e confeção, já que necessita de ser demolhado — o truque passa por deixá-lo a demolhar durante a noite. No entanto, este processo de demolha ajuda a reduzir o tempo de cozedura, melhora a digestão, a absorção de proteína e de minerais no organismo.”

Além disso, a autora do blogue NiT “Loveat” recorda que pode ter melhor em conta a dose da quantidade de sal que coloca ou não na confeção, o que não acontece com o feijão enlatado.

“O feijão seco (se comprado a granel) pode ser adquirido num frasco ou bolsa reutilizável, enquanto o feijão enlatado sempre tem um maior impacto ambiental”, diz também.

Carregue na galeria para descobrir 11 receitas saudáveis em que pode incluir feijão, desde hambúrgueres a bolos.

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