Alimentação Saudável

“O Grande Livro da Alimentação Saudável”: Afinal, o que nos faz engordar?

O novo livro de Ágata Roquette fica à venda a 7 de agosto. A NiT faz a pré-publicação de parte de um dos capítulos.
Há várias causas.

Já vendeu mais de 400 mil livros, ajudou a mudar a vida de milhares de pessoas e pretende continuar a fazê-lo. Ágata Roquette lança esta sexta-feira, 7 de agosto, com chancela da Contraponto, mais uma obra aguardada por quem a segue. Chama-se “O Grande Livro da Alimentação Saudável” e é descrito como “muito mais do que um livro de dietas”.

Com esta obra a autora, que é formada em nutrição e engenharia alimentar, quer revolucionar a forma como os portugueses se relacionam com a comida. “Aprenda a comer melhor, perdendo peso e ganhando saúde”, pode ler-se na capa.

Os livros anteriores da nutricionista, como “A Dieta dos 31 Dias”, apresentavam soluções como efeitos a curto prazo. Por outro lado, este livro não é para quem quer perder peso depressa mas, sim, para quem procura um parceiro para a vida. As mais de 300 páginas ensinam a comer de forma nutricionalmente equilibrada de acordo com os diferentes objetivos e fases da vida.

A poucos dias de “O Grande Livro da Alimentação Saudável” chegar às livrarias portuguesas, a NiT mostra-lhe em exclusivo parte do terceiro capítulo.

O que nos faz engordar?

“Há muitos fatores que exercem influência direta no nosso peso – a carga genética, a idade, o sexo, o estilo de vida ativo ou sedentário, o metabolismo –, mas a verdade é que, apesar disso, a razão por que engordamos é só uma: porque ingerimos mais calorias do que aquelas que efetivamente gastamos. E os quilos a mais que vemos na balança quando nos pesamos não são mais do que o acumular de toda essa energia por despender. Ou seja, podemos até ter tendência genética para acumular gordura, ou mesmo um estilo de vida sedentário, mas na verdade só engordamos porque ingerimos mais calorias do que as que gastamos. Ninguém engorda se gastar mais do que ingere. 

Ao longo do processo evolutivo do ser humano, e dado que os nossos antepassados mais remotos nem sempre tinham acesso a comida, o nosso organismo foi otimizando a forma como processava a energia consumida, criando reservas para usarmos em tempos de escassez, como nos longos invernos da pré -história. Por exemplo, uma das razões pelas quais as mulheres tendem a acumular gordura sobretudo na zona das ancas é para o corpo fi car mais bem preparado para a gravidez. O problema é que agora temos muito mais calorias ao nosso dispor do que os nossos tetravôs caçadores de mamutes e,ao mesmo tempo, não precisamos de despender tanta energia como eles a caçar ou a percorrer longas distâncias para conseguirmos encontrar frutos e bagas comestíveis – só precisamos de ir ao talho ou à mercearia, e na maior parte das vezes até vamos de carro. Isto significa um saldo positivo de calorias que, ao manter -se com o passar do tempo, acaba por se transformar em quilos a mais. 

Evolução à parte, a verdade é que as pessoas engordam porque comer não é só uma necessidade, uma maneira de obtermos a energia que nos permite viver – é porque comer é uma coisa maravilhosa. É tudo tão, mas tão bom que por vezes é impossível resistir, sobretudo aqui em Portugal. Desde o pão ao prato, às sobremesas, aos vinhos e queijos, é um verdadeiro martírio. Assim é difícil mantermos o peso dentro dos limites. Mas que limites são esses?

O peso ideal

Poderá ser uma surpresa para si, mas, em termos de peso, o valor mais importante não é o número que aparece na balança, mas sim a quantidade de massa gorda e massa magra, ou muscular. Uma maneira de avaliar a massa gorda é através da bioimpedância elétrica com multifrequência. Trata -se de um aparelho semelhante a uma balança que envia um estímulo elétrico de baixa voltagem que permite medir a quantidade de água e de gordura existentes. Estes aparelhos apresentam algumas falhas, embora dê para ir tendo uma ideia da variação algum tempo depois de ter havido uma mudança de hábitos alimentares e de exercício. A medição das pregas cutâneas em pacientes acaba por ser mais fiável do que a bioimpedância. 

As mulheres têm tendência natural a possuir mais massa gorda do que os homens e, à medida que a idade vai avançando, as percentagens consideradas aceitáveis pela comunidade médica também vão aumentando ligeiramente. Quanto mais elevada for a percentagem de massa gorda, maior a probabilidade de problemas para a saúde. No entanto, valores demasiado baixos também representam um risco, dado que a gordura é essencial para o nosso corpo. 

Uma outra medida, mais simples, de avaliar se há ou não excesso de peso é através do Índice de Massa Corporal, que mais não é do que a relação entre o peso e a altura, ou a quantidade de massa (peso) por metro quadrado. Obtém -se através da seguinte fórmula: IMC= peso (kg)/altura (m)2. Depois é só comparar com a classificação estabelecida pela Organização Mundial de Saúde [está disponível no livro].

Medir o perímetro abdominal com uma fita métrica é igualmente uma forma de avaliar a obesidade. Conforme já referi, quando se cria uma camada de gordura em volta dos nossos órgãos internos – a gordura visceral –, o seu trabalho fica comprometido e estes deixam de cumprir devidamente as suas funções, pondo em causa o estado geral do organismo. Um perímetro abdominal superior a 102 cm, no caso dos homens, e acima de 88 cm, no das mulheres, é considerado elevado e representa um fator de risco. O valor do perímetro abdominal em cm não deverá ultrapassar metade da altura.

Não considerando a parte estética e os efeitos que pode ter no nosso estado de espírito e autoestima, o excesso de peso e a obesidade são atualmente um grave problema de saúde pública que afeta grande parte da população mundial. Segundo um relatório da OCDE apresentado em final de 2019 (Health at a Glance 2019), em Portugal, mais de 67% da população com mais de 15 anos sofre de excesso de peso ou de obesidade mórbida. Relativamente às crianças, os números são ainda mais aterradores: na faixa entre os 5 e os 9 anos, mais de 37% das crianças já apresentam peso a mais, aumentando assim de sobremaneira a possibilidade de virem a sofrer de obesidade na idade adulta. Uma alimentação descuidada e desregrada, hipercalórica e pobre em termos nutricionais, aliada a um cada vez maior sedentarismo ajudam a explicar estes números, mas existem também uma série de outros fatores de diversa índole que nos fazem aumentar de peso.

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