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Alimentação Saudável

Mariana Abecasis: “Uma grávida não come por dois, mas é saudável por dois”

A nutricionista e autora de um blogue NiT revela como aplicou os truques que aprendeu na teoria durante a sua gravidez.
É acompanhada por 32 mil pessoas no seu Instagram.

No início do mês de junho, a nutricionista Mariana Abecasis, 33 anos, deu à luz ao primeiro filho, Lopo. Foram nove meses a seguir tudo o que estudou para a tese de mestrado em nutrição pela Faculdade de Medicina de Lisboa na área de alimentação na gravidez e recuperação pós-parto.

A autora do blogue em nome próprio, que é uma das cinco especialistas da comunidade lançada pela NiT a 22 de abril, revelou que nem sempre sonhou ter esta profissão. Dividida entre as artes e a ciência, aos 18 anos, Mariana chegou a fazer um ano de arquitetura paisagística, mas abandonou o curso para se dedicar, então, à licenciatura em Ciências da Nutrição, no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.

Como é uma apaixonada pelo poder dos alimentos, Mariana Abecasis começou a partilhar este amor através das redes sociais e do papel, já que escreveu três livros — “A Dieta Perfeita” (2014), “As Receitas da Dieta Perfeita” (2015) e “Vamos Conhecer os Alimentos” (2017), onde fala sobre truques para deixar os pratos saudáveis mais apetitosos aos olhos dos miúdos.

Saiba como é que a especialista colocou em prática a teoria que aprendeu sobre a alimentação na gravidez e que sempre recomendou aos seus pacientes.

Por que decidiu ser nutricionista?
Nunca soube muito bem o que queria fazer. Estava indecisa entre as ciências e as artes e cheguei a fazer um ano de arquitetura paisagística, entre os 18 e os 19 anos. Apesar das boas notas, não me imaginava a exercer a profissão. Nessa época doava sangue com frequência, de quatro em quatro meses, e adorava estar nos hospitais e conversar com as enfermeiras. Como não gostava de medicina nem de enfermagem, surgiu a ideia da nutrição, que não era um curso muito conhecido na altura. Pesquisei que cadeiras faziam parte do programa e percebi que era isso que queria fazer. Não era atuar na área médica e clínica, quando a pessoa já está doente, mas na prevenção. Na altura, o curso era visto mais como sendo da área estética, mas o que me motivava era estar na área preventiva da saúde e da medicina.

Como é que surgiu o interesse de estudar a alimentação na gravidez?
Depois de tirar o curso no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, comecei a trabalhar e entrei também no mestrado pós-laboral na Faculdade de Medicina de Lisboa. Como gostava muito mais da prática do que da área académica, pensei em escolher um tema para a tese que tivesse a maior utilidade possível. Havia muitas teses sobre obesidade e optei por fazer uma ligada à alimentação na gravidez. Por ser mulher, sabia que existiam muitos medos, preocupação com o aumento de peso e também com aquilo que se devia comer. Na altura, não havia muita informação disponível sobre o assunto nem um acompanhamento mais particular.

Aplicou tudo durante a sua gravidez?
Muitas das coisas que aprendi na teoria são válidas até hoje. No entanto, a partir do momento que fiquei grávida, percebi que na prática não é assim tão simples. É que o nosso corpo muda mesmo e as mulheres têm muitos sintomas diferentes das outras. No fundo, aproveitei também o facto de estar a viver esta fase para desenvolver mais truques e dicas para as mulheres passarem a gravidez da melhor forma possível.

Uma das fotografias que tirou durante a primeira gravidez.

Existe alguma dica fundamental?
Cada mulher vive a gravidez de uma forma diferente. Há uma coisa que sempre digo e que é mesmo importante: uma mulher não deve comer por dois quando estiver grávida, mas sim ser saudável e ser responsável por dois. Isto depende imenso se a pessoa vai continuar a fazer aquilo que está habituada, como manter a prática de exercício físico ou beber bastante água, por exemplo. Também costumo dar dicas para enjoo, dependendo do que cada mulher está a sentir. Nesta fase, mais do que as necessidades em calorias ou hidratos de carbono, é importante perceber se a paciente precisa de proteínas, vitaminas e minerais — qualidade é o mais importante. Como é uma altura em que a mulher está limitada a nível de medicação, é bom usar os alimentos a nosso favor.

Quais são os hábitos saudáveis que manteve durante esta fase?
Gosto muito de fazer exercícios como jogging, pelo menos, cinco vezes por semana. Vivo perto do rio e acredito que o exercício em contacto com a natureza é mais puro e revitalizante. No inverno ou num dia de chuva, uso a passadeira em casa e, assim, faço frente ao sedentarismo que a maioria dos trabalhos impõem. Por isso, continuei a fazê-lo. Não posso esquecer-me que quanto mais elevada é a quantidade de consultas, mais tempo fico sentada. Também tenho a regra de comer várias vezes ao longo do dia. Enquanto grávida, tentava ainda mais fazer isso porque o corpo pedia. Não sou adepta de jejuns e não concordo que seja uma prática benéfica para a saúde. Profissionalmente, vejo que as pessoas descompensam fisicamente ou hormonalmente quando o fazem. Sugiro que comam snacks várias vezes ao longo do dia e que sejam o mais naturais possíveis, como frutas, queijo fresco, ovos cozidos e iogurtes. Também há imensas alternativas no supermercado para quem não tem tento de preparar em casa.

O que não pode faltar no seu frigorífico?
Sopas, iogurtes, frutas e ovos. Tenho sempre estes quatro alimentos no frigorífico. Se precisar de fazer uma refeição mais rápida, preparo uma omelete com legumes e tenho uma refeição bastante completa. Também tenho sempre legumes frescos, mas também recorro aos ultracongelados como plano B. Assim consigo preparar uma refeição com vegetais a qualquer hora do dia.

A omelete de ervas com salada de tomate e queijo quark.

E guilty pleasures? Uma nutricionista também tem?
Confesso que adoro batatas fritas. Não as que vêm em de pacote mas aquelas a sério. Já não lembro da última vez que pedi uma dose só para mim. Digo sempre que estou autorizada a roubar seis a dez batatas do prato do meu namorado. Quando isso acontece, aproveito o momento e depois fico algum tempo sem comer. No caso dos doces, não sou gulosa com exceção do leite creme feito pela minha mãe. Quando almoço ou janto na casa de alguém, como aquilo que é servido e sem restrição. No outro dia compenso. Se tiver um almoço mais pesado, janto algo mais leve para desintoxicar. Quando sou eu a escolher, opto por aquilo que considero mais equilibrado e que mais tem a ver com o meu estilo de vida. Uma vida equilibrada é isto também.

Que tipo de dieta é que costuma sugerir aos seus pacientes?
Numa fase de perda de peso, a dieta será mais restritiva. Explico aos meus pacientes que indico muito o que faço. Sei exatamente o que estão a fazer porque é aquilo que coloco em prática no dia a dia. São sempre coisas exequíveis, que não custam a comer, que sei que dão mais saciedade, ajudam a matar a vontade de um doce e que também servem para matar a fome de verdade. É que entre a gula e a fome ainda vai uma grande distância.

Como é fazer parte da comunidade de blogues NiT?
Fiquei muito surpreendida quando fui convidada para participar neste projeto. Na altura, apresentava o meu trabalho apenas no Instagram e não tinha blogue. Senti-me privilegiada. É sempre bom quando alguém que conhecemos como nome de referência, como a NiT, reconhece o nosso trabalho. Ao fazer parte desta comunidade de blogues NiT tenho também a oportunidade de dar um salto diferente na minha carreira profissional. Vou chegar a muito mais pessoas do que chegaria apenas com a minha página pessoal.