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Alimentação Saudável

Mafalda Almeida: “Como Nutella à colherada diretamente da embalagem”

É o maior guilty pleasure da nutricionista — mas isso só acontece uma vez por ano. E em situações especiais.
A alimentação saudável é uma paixão.

Aos oito anos, Mafalda Rodrigues de Almeida já testava as receitas que aprendia nos programas de Martha Stewart e, mais tarde, de Jamie Oliver. Gravava os episódios num gravador de cassetes VHS e depois pedia à mãe para experimentar as suas receitas favoritas. Agora, aos 29 anos, Mafalda é uma das cinco especialistas da comunidade de blogues lançada pela NiT a 22 de abril.

A nutricionista e autora da plataforma online “Loveat” — onde partilha tudo o que sabe sobre uma vida mais saudável, desde 2015 —  também já tem três livros publicados.

Em 2014, lançou “Gourmet em Casa“, onde reuniu receitas da infância e da adolescência. Dois anos depois, dedicou o segundo livro aos superalimentos (“Superalimentos — Refeições Com Mais Vida”) e a uma perspetiva mais funcional da alimentação. No terceiro, “Equilíbrio“, quis mostrar como aquilo que ingerimos em cada refeição pode influenciar a saúde dos intestinos.

Agora, Mafalda Rodrigues de Almeida faz também parte da nova comunidade patrocinada pela NiT que reúne os blogues mais respeitados e populares do segmento. O pretexto perfeito para percebermos como começou a sua paixão pela cozinha e isso se transformou num emprego a tempo inteiro.

A nutricionista atende às terças e quintas.

De onde veio a paixão pela cozinha e pelos alimentos saudáveis?
Quando eu era miúda, a minha mãe estava sempre a fazer dietas com nutricionistas conhecidos. Percebia que ela tinha uma relação difícil com a comida. Por isso, comecei a interessar-me por uma alimentação mais saudável. Adorava assistir aos programas de culinária da Martha Stewart e, mais tarde, do Jamie Oliver. Achava que tinham um lado mais saudável. Lembro-me que com oito anos queria testar as receitas e pedia à minha mãe para experimentar. Ela até incentivava isso. 

Quando é que decidiu que o seu futuro profissional devia estar ligado à nutrição?
Quando era miúda queria ser veterinária. No entanto, com 17 ou 18 anos, quando tive mesmo de decidir o que faria na vida, pensei que gostava tanto da área de cozinha e de alimentação saudável que tinha de ir por aí. Escolhi seguir Ciências da Nutrição, no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. Depois disso, segui para Londres, no Reino Unido, para me formar como Mestre em Políticas Alimentares, na City University London. Apesar de ser um rumo um pouco diferente, o hobbie de cozinhar sempre continuou no meu mundo. Sempre acreditei que a nossa alimentação deveria ser, pelo menos, 80 por cento de vegetais e quis dedicar-me mais ao assunto.

Como é a sua alimentação hoje em dia?
Sou defensora de que a alimentação é a nossa base, a forma como nos alimentamos representa a forma como nos tratamos a nós mesmos, pois o nosso corpo é a nossa casa. Não sou vegetariana, mas tenho uma alimentação maioritariamente vegetal e evito ao máximo os alimentos processados. Como tenho alergia ao leite, também ganhei muitas restrições. No entanto, não me proíbo de comer os alimentos que não me fazem mal. As receitas à base de saladas com legumes assados, espiralizados ou a vapor são aquelas que mais gosto de fazer. Também prefiro criar mais receitas salgadas, que possamos aplicar no dia a dia, e receitas para agradar os miúdos. Não sou fã de panquecas e, apesar de recomendar imenso, confesso que fico logo enjoada com o cheiro.

E não tem um guilty pleasure?
Adoro cozido à portuguesa e feijoada. Por isso, de vez em quando lá como estes pratos. Algo que como uma ou duas vezes por ano é Nutella à colherada. Ou seja, diretamente da embalagem.

Receitas saudáveis e deliciosas do “Loveat”.

Que tipo de dieta é que costuma sugerir aos seus pacientes?
Tento passar aquela ideia de que não precisamos cozinhar uma coisa para quem está de dieta e outra para o resto da família. Portanto, a consulta de nutrição acaba por se refletir também nos filhos e em toda a família. Tento que a minha prática clínica não seja chamada de dieta, porque o meu objetivo não é só a perda de peso. A mudança de hábitos direcionada para a saúde é meu principal objetivo. Perder peso é uma consequência. 

Está envolvida em vários projetos em simultâneo, certo?
O blogue NiT “Loveat” tem uma equipa que trabalha na parte clínica e em eventos. Faço consultorias para algumas empresas, algo que começou por acaso quando passei a fazer formação de gestores de lojas e vendedores para trabalhar com a venda de produtos alimentares e suplementos. Hoje em dia trabalho com empresas para organizar uma semana da saúde, pequenos-almoços, congressos e feiras com refeições mais saudáveis. Também faço consultoria para a criação de ementas e receitas para a restauração e, ainda, workshops para ensinar a cozinhar de forma mais saudável.

O que podemos esperar da nova comunidade de blogues NiT?
Quando o blogue nasceu, em 2015, havia uma necessidade de partilhar a informação, porque quase não haviam páginas de nutricionistas. Agora, a profissão está na moda e ter a NiT como plataforma de divulgação traz-nos ainda mais credibilidade. Queremos educar para uma alimentação mais saudável, ajudar as pessoas a escolherem melhor, desmistificar informações e partilhar receitas saudáveis dos nossos workshops. Participar na comunidade da NiT é muito prestigiante e vai ser uma forma muito interessante de mostrar aos leitores como podem filtrar as informações que recebem a partir de várias fontes mais ou menos credíveis.