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Alimentação Saudável

Descobriu uma doença crónica e usou os alimentos para controlar os efeitos

Lillian Barros, autora do blogue NiT "Santa Melancia", partilha com os leitores a rotina de alimentação saudável.
O poder dos alimentos.

Lillian Barros já sonhou ser bailarina e cabeleireira mas eram coisas de miúda. A nutrição foi o curso escolhido aos 17 anos, em 2000, e transformou-se em paixão. O tiro certeiro foi dado às escuras, quando ainda não tinha noção de que a profissão lhe abriria tantas portas.

Aos 36 anos, a autora do blogue NiT “Santa Melancia” é uma das cinco especialistas da comunidade lançada pela NiT a 22 de abril, que reúne as plataformas online mais respeitadas do segmento de alimentação saudável.

Depois de ter sido diagnosticada com uma doença autoimune (a sarcoidose, que provoca a inflamação de órgãos e tecidos, como pulmões, fígado, olhos ou pele) e de ter passado por vários tratamentos com medicamentos mais agressivos, a nutricionista sentiu na pele que o peso na balança era um reflexo do equilíbrio do corpo. Passou a utilizar os alimentos que lhe davam mais vitalidade, diminuíam o cansaço e o inchaço.

Em 2014, lançou o livro “Sumos & Águas Detox” com 100 receitas de bebidas com frutas, vegetais e sementes para melhorar o funcionamento do corpo. No ano seguinte, publicou “Sopas, Saladas & Chás Detox” e, em 2019, “A Comida que Vai Mudar a Sua Vida” chegou às lojas como um guia de receitas e bases de nutrição funcional.

A NiT conversou com a especialista que revela como conseguiu contornar os efeitos secundários da doença e das medicações com os alimentos certos.

Porque decidiu tornar-se nutricionista?
Fiz esta escolha influenciada pela forma de estar da minha família. Apesar de ninguém ter uma profissão relacionada com saúde ou nutrição, sempre procuraram alimentos ricos em vitamina C para reforçar o sistema imunitário, por exemplo, e outros produtos naturais para prevenir doenças. Desde cedo reconheci no alimento o bem da nossa saúde. Quando tive de escolher uma profissão, olhei para aquela lista enorme de cursos e interessei-me pelo de Consciência da Nutrição. Comecei o curso no ano de 2000 e, naquela altura, ser nutricionista não era nada glamouroso. A maior parte das pessoas não sabia muito bem qual era a nossa função, mas achei que fazia sentido para a minha vida. Aos 17 anos vim para Lisboa [antes vivia no Algarve, para onde se mudou com três anos, após o regresso do Canadá, onde nasceu] com malas e bagagens e fiquei por cá. Ao longo dos anos (na altura o curso tinha cinco), fui-me apaixonando pela profissão. Foi um tiro certeiro, um pouco às escuras no início, mas hoje em dia adoro o que faço.

Lillian Barros usou os alimentos para combater a doença.

A sua relação com os alimentos mudou depois de descobrir a sua doença?
Tenho um problema de saúde crónico. É uma doença autoimune rara chamada sarcoidose. Tive que utilizar cortisona e várias medicações agressivas para contornar os efeitos secundários de imunossupressores e outras medicações. A sarcoidose pode causar alterações em órgãos como pulmões e também me dava muito cansaço. Percebi que uma alimentação mais saudável podia ajudar no meu tratamento e procurei alimentos que me davam mais vitalidade, que fossem mais ricos em cálcio e que substituíssem alguns suplementos. Não aumentei o meu peso, por exemplo, porque conhecia o poder dos alimentos e bebia infusões drenantes que combatiam o inchaço da cortisona. Comecei a utilizar os sumos funcionais e eliminei alimentos processados, ricos em sal, que continham lactose e glúten. Passei a ver os alimentos como uma forma de privilegiar a saúde.

De que forma enfrentar este problema ajudou na sua relação com os pacientes?
Quando descobri esta doença, senti-me um pouco perdida. A maior parte das pessoas só a conhecem da série “Dr. House”. Estudei sobre o tema e senti-me muito desamparada. Não conhecia ninguém que tivesse passado pelo mesmo, mas consegui superar de forma positiva. A minha doença não está ativa neste momento mas, por um gatilho qualquer, pode voltar, por causa da má alimentação ou outra coisa. É importante passar uma mensagem positiva de como as pessoas podem ser pró-ativas na própria cura ou melhoria de estados e é esta experiência que partilho com meus pacientes.

Mudou os seus hábitos alimentares desde que se tornou nutricionista?
Quem tira o curso de nutrição passa a olhar para os alimentos de forma um pouco diferente. Quase de forma autónoma, vamos para a zona verde do supermercado e damos preferência às frutas, aos produtos naturais e biológicos. Eu não compro bolachas lá para casa, por exemplo; não tenho uma garrafa de óleo, substituo por azeite; não faço fritos, nem nunca tive fritadeira. São pequenos hábitos que acho que foram mudando, mas não senti a mudança. Foi um crescimento. É fundamental acreditar no que defendemos para passar ao outro. Não posso vender esta ideia a quem me procura sem ter a mesma paixão.

Receitas partilhadas no blogue NiT “Santa Melancia”.

E não tem um guilty pleasure?
Gosto muito de pizza, mas gosto das que têm ingredientes verdadeiros e frescos. Não gosto do estilo fast food. São estes pequenos pormenores que fazem a diferença. Não sou de doces e sobremesas, não me dão tanto prazer. Gosto de uma cervejinha à beira-mar, num dia de sol, de um pastel de nata quando o rei faz anos, e de vinho tinto, mas não estou a consumir nesta fase porque estou grávida. Quando me rendo a um guilty pleasure, no dia seguinte compenso. É isto que faz diferença. Como nutricionista, temos de saber que a determinada altura da dieta a pessoa vai fazer uma asneira. Mais do que culpabilizar, vou ajudá-la a compensar para reverter a situação, sem colocar tudo a perder. Tem que ter motivação para continuar, em vez de se culpar. O peso da consciência é pior do que o da balança.

Que tipo de dieta é que costuma sugerir aos seus pacientes?
Tento fazer um plano realista e praticável, porque poderia fazer algo mais teórico e radical que teria resultados incríveis, mas a pessoa seguiria por dois ou três dias e depois não conseguiria cumpri-lo. O meu estilo é realista e fácil de adaptar, um plano quase divertido, que não é um fardo para o paciente nem algo proibitivo. Mais do que não comer, vamos perceber como podemos incluir alimentos positivos e vantajosos na alimentação para que sinta na balança e também no dia a dia, com mais produtividade e mais concentração. Utilizo uma aplicação para que a pessoa possa ver o plano, as receitas, as medidas e poder falar comigo se tiver dúvidas. É importante a pessoa sentir-se acompanhada.

Uma grávida saudável.

O que podemos esperar da nova comunidade de blogues NiT?
Já colaborava com a NiT desde os seus primórdios. Quando recebi o convite, fiquei muito lisonjeada. Já tivemos esta parceria de forma mais intensa no início e sei do impacto que a NiT tem e o número de seguidores que atingimos. Acho que esta comunidade de blogues sobre alimentação saudável é uma forma de chegar mais longe e gosto de passar a minha palavra e fazê-a chegar a mais pessoas. Sermos um grupo de nutricionistas, torna tudo mais divertido. A nossa profissão é muito isolada e poder juntar-me a colegas que admiro e respeito para falar sobre alimentação saudável é um privilégio. Tenho muitas expetativas e prevejo muita diversão.

Carregue na galeria para descobrir oito truques da nutricionista Lillian Barros para quem quer emagrecer, mas não consegue seguir uma dieta.