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Alimentação Saudável

Cuidado com as massas coloridas — podem não ser tão saudáveis como pensa

Há quem privilegie o seu consumo quando quer emagrecer. Será boa ideia? Uma nutricionista tira todas as dúvidas.
A quantidade de calorias é idêntica à massa comum.

Faz parte do grupo de cereais e derivados na Roda dos Alimentos, juntamente com as batatas e o arroz. Embora a massa seja a base da alimentação de muita gente, passou de aparentemente inofensiva a vilã, especialmente quando o objetivo é emagrecer ou controlar o peso. Por outro lado, as versões às cores são vistas como alternativas mais saudáveis. Mas será mesmo assim?

“As massas alimentícias são produtos secos não fermentados, obtidos de sêmolas de trigo de grão claro, preferencialmente, T. Durum, e de água potável por prensagem e secagem, que podem ter ou não a adição de outras substâncias legalmente autorizadas”, explica a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, autora do blogue NiT “Loveat”.

A versão tradicional, nutricionalmente, tem um alto teor de hidratos de carbono (nomeadamente amido), nível de proteína (glúten) moderado e um teor de gordura praticamente nulo.

Contudo, independentemente da cor ou do tamanho, os consumidores alegam que as massas coloridas são, então, mais saudáveis. Falamos das opções de tonalidade vermelha, verde ou outras, que se encontram à venda nos supermercados, na sua maioria associadas ao formato de laço, concha ou esparguete, consideradas “massas especiais”.

“O seu processamento é semelhante ao das massas comuns, sendo que aquilo que as diferencia é o facto de lhes ser adicionado extrato de algum alimento, como o de espinafre, no caso das verdes; de tomate, no caso das vermelhas; de choco, no caso das negras; ou de outro vegetal que lhes confere uma outra coloração e sabor como, por exemplo, rosada da beterraba”, esclarece à NiT a especialista.

Se dúvidas houvesse, basta olhar para a composição nutricional das duas alternativas. A massa comum pode ter cerca de 354 a 358 calorias por 100 gramas, enquanto as massas com extrato de espinafre, tomate ou outros, que geralmente vêm em mistura com as comuns, podem variar entre as 354 e as 362 calorias — depende da quantidade de extratos de tipo de vegetais. 

A chamada massa tricolor.

Na variante da coloração negra, por exemplo, as massas têm cerca de 350 calorias pela mesma quantidade — e é adicionada tinta de choco e outros ingredientes para conferirem mais sabor. A nível proteico e de teor de fibras, também são muito semelhantes, tendo cerca de 12 e quatro gramas, respetivamente. 

Segundo Mafalda Rodrigues de Almeida, o que varia o seu valor calórico é de facto o teor em hidratos de carbono, contudo, também não muito significativo, podendo ter uma diferença de 0,4 grama.

“Apesar de, na sua maioria, o extrato adicionado vir de um vegetal, isto não é determinante para que sejam mais saudáveis que as massas comuns e que sejam aliadas à perda de peso”, alerta à NiT.

Portanto, exagerar no consumo destas massas apenas porque são coloridas não é uma boa ideia. Para ter uma alimentação mais saudável e aumentar a quantidade de vegetais no dia a dia alimentar, de forma a obter as vitaminas e minerais que lhes são característicos, há um método simples: comer os legumes em cru, cozidos, assados, salteados ou grelhados — e não o seu extrato adicionado à massa.

“Porém, o mercado tem evoluído e encontram-se massas feitas a partir de farinha de outros cereais, como as de quinoa, trigo sarraceno e/ou amaranto, feitas com mistura das suas farinhas com as farinhas de milho e/ou arroz. Estas opções podem ter menos calorias por conterem menos hidratos de carbono e/ou proteína. Além disso, é possível adquirir e consumir massas feitas a partir de farinha de leguminosas, como as massas de ervilhas, que têm um teor menor em hidratos de carbono e superior em proteína e fibra.”

A nutricionista evidencia, ainda, que estas últimas massas podem ser uma alternativa para os doentes celíacos, uma vez que muitas não têm glúten na sua composição. A sugestão aplica-se também para vegetarianos ou atletas, portanto, pessoas que necessitem de aumentar o seu consumo proteico.

E para aqueles que se encontram num processo de perda de peso? Também servem, “uma vez que este tipo de massa pode promover maior saciedade em porções menores que as massas comuns, dada a sua riqueza em proteína e fibra, nutrientes que são mais saciantes”.

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