Alimentação Saudável

Afinal, só metade da fruta dos supermercados é de origem portuguesa

A conclusão é da associação ambientalista Zero, que incluiu espaços como o Continente, Lidl, Pingo Doce, Intermarché e Jumbo no inquérito.

Ai, ai, ai.

“É já um hábito entre nós os consumidores serem ‘sensibilizados’ por parte dos grandes grupos distribuidores com mensagens de que se está favorecer a produção nacional e a apoiar os agricultores portugueses, sendo o lema ‘apoiamos a produção nacional!’ algo que se foi interiorizando nos últimos anos. Mas até que ponto é que esta mensagem corresponde à realidade?”, começa por questionar a associação ambientalista Zero no relatório final que foi publicado esta quinta-feira, 7 de setembro.

Segundo a associação, apenas metade das frutas e dois terços dos hortícolas de época comercializados nos supermercados são produzidos em Portugal. Para sermos mais precisos, 50 e 65 por cento, respetivamente.

A Zero analisou produtos à venda nos supermercados Continente, Lidl, Pingo Doce, Intermarché, Jumbo, Aldi, El Corte inglês, Dia – Mini-preço, E-Leclerc, Miosotis, Supercor, Spar, em 24 munícipios de Portugal Continental e Madeira. Conclusão: “Há uma oferta de produtos oriundos de países distantes muito além do que é desejável.”

No total, foram analisados 13 tipos de fruta e 39 de hortícolas. No último grupo, a associação concluiu que 19 por cento dos produtos vêm de Espanha e oito de França.

Os dois únicos casos em que se atingem os 100 por cento de origem nacional são o dos morangos e o das amoras. Já as ameixas (82%), o figo (77%), a cereja (64%) e o pêssego (60%), encontram-se com valores acima dos 50 por cento. Ainda assim, a Zero destaca, pela negativa, os casos do limão, com 24 por cento de origem nacional, e da uva, com 23.

“Um outro aspeto que se considerou importante foi saber se as produções insulares de ananás, este com origem na Região Autónoma dos Açores, e a banana, e esta com produção na Região Autónoma da Madeira, seriam beneficiadas pela distribuição nacional, algo que não se verificou nas amostragens efetuadas, já que os números rondam, respetivamente, os 25% e os 27%”, revelam.

No final, a associação ambientalista relembra que “a produção de alimentos é o sector económico que mais contribui para as alterações climáticas”.

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