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Alimentação Saudável

Os riscos para a saúde de perder peso com a dieta do iogurte

Este produto lácteo deve fazer parte da alimentação, mas não desta forma. A nutricionista Bárbara de Almeida Araújo explica tudo.
Leia isto com atenção.

Há fenómenos no mundo fit que são difíceis de explicar. Enquanto algumas dietas passam totalmente despercebidas, há outras que se tornam virais e nunca passam de moda, como é o caso da dieta do iogurte. A NiT falou deste método em 2018, quando estava no auge. Hoje em dia continua, mas não é a forma mais segura de perder peso.

Antes de tudo, está na hora de revelar o porquê deste produto lácteo ser tão popular: é prático, barato e deixa-nos saciados. Bónus: são vários os estudos que indicam que alimentos ricos em cálcio, como é o caso do iogurte, podem ajudar a aumentar a queima de gordura, especialmente na parte abdominal.

E podemos continuar: é fonte de proteína e ajuda a controlar o apetite, evitando tragédias alimentares. De acordo com a nutricionista Bárbara de Almeida Araújo, estamos também perante um produto rico em probióticos — outra grande vantagem.

“Isto quer dizer que ajuda a manter a flora intestinal saudável, que tem um papel fundamental na obesidade, acumulação de gordura e metabolismo”, explica à NiT.

Até aqui tudo muito bem. O problema é quando entramos no campo do extremismo onde, de alguma forma, está a dieta do iogurte.

Este método, que se tornou viral na Internet, promete uma perda de três quilos em apenas quatro dias. São feitas sempre as mesmas cinco refeições diárias: uma fatia de pão integral e um iogurte ao pequeno-almoço; uma peça de fruta e um iogurte a meio da manhã; um bife de aves, salada e um iogurte ao almoço; um iogurte e meio ao lanche; e uma salada com uma peça de fruta e um iogurte ao jantar.

Segundo as recomendações da Universidade de Harvard, devemos limitar o consumo de lacticínios para um a dois por dia, o que não acontece nesta dieta. Funciona? A resposta é sim. Afinal, o iogurte é baixo em calorias e, como o plano alimentar sugerido é hipocalórico, deverá resultar na perda de peso. Contudo, é restritivo e pouco variado. Isto quer dizer que, além de não ingerir todos os nutrientes importantes, é pouco provável que consiga manter o peso perdido.

Há mais um problema: está a tornar-se comum seguir esta dieta continuamente e não apenas durante quatro dias, o que pode ser perigoso. 

“Sendo um plano alimentar restritivo e pouco variado, não deve ser seguido por muito tempo”, alerta a também autora do blogue “Manias de Uma Dietista”.

O iogurte é ótimo para a dieta, desde que o seu consumo não seja excessivo.

As dietas que restringem demasiado a alimentação não são uma boa opção. Mais do que uma dieta, deve existir uma reeducação alimentar. Ou seja, conseguir incluir novos hábitos no dia a dia de forma natural e não como uma obrigação. Por exemplo, pode começar a incluir panquecas ao pequeno-almoço, comer frutos secos a meio da manhã e levar almoço de casa para o trabalho — já são pequenos passos que vão fazer a diferença.

A mesma coisa se aplica ao desporto. Se não costuma fazer exercício, não vale a pena definir que irá todos os dias ao ginásio. Porquê? Porque não é realista. Em vez disso, procure estipular dois dias da semana para ir treinar e vá aumentando esse número gradualmente.

“Não queira perder dez quilos em apenas um mês. Objetivos demasiado irrealistas só vão aumentar o seu grau de frustração, assim como a probabilidade de voltar aos hábitos alimentares antigos. Estipule objetivos que sejam concretizáveis como, por exemplo, perder um quilo por semana”, aconselha à NiT Bárbara de Almeida Araújo.

Dentro dos novos hábitos pode estar, claro, o iogurte — mas não cinco unidades diárias. Lembre-se que é na moderação que está o sucesso da dieta. E, cuidado: nem todos os iogurtes são bons. Alguns contêm doses exageradas de açúcar e outros ingredientes adicionados que não são amigos da saúde.

“Para fazer a melhor escolha devemos sempre consultar o rótulo. É importante ver o teor de hidratos de carbono e escolher aquele que tem menos (para referência opte por aqueles que têm um teor igual ou inferior a cinco gramas por cada 100). Não se esqueça, ainda, escolher um iogurte que não tenha açúcar adicionado nem adoçantes. E mais: um teor em proteína mais elevado.”

Portanto, um iogurte natural e sem aromas é sempre a opção mais segura. Dentro desta versão, o tipo de iogurte mais recomendado para emagrecer é o grego natural.

Neste produto, é removido a maior parte do soro. É esse o motivo para ter maior quantidade de gordura do que os restantes — o que também explica a sua cremosidade.

Carregue na galeria para descobrir cinco dos iogurtes gregos naturais à venda nos supermercados.