NiTfm live

Alimentação Saudável

Afinal, o óleo de palma faz bem ou mal à saúde?

Lado positivo: é um dos principais ingredientes da Nutella e é rico em vitaminas A e E. Lado negativo: tem um elevado nível de gorduras saturadas e há estudos que indicam que pode ser potencialmente cancerígeno.

Em 2015, a ministra do Ambiente de França, Ségolène Royal, pediu aos franceses para deixarem de consumir Nutella por causa precisamente do ambiente. No ano seguinte, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar alertou os consumidores para o facto do óleo de palma refinado ser potencialmente cancerígeno. E em janeiro de 2017, a Nutella voltou a ser alvo de polémicas por ser associada ao risco de cancro. No meio de tantas discussões, o culpado era sempre o mesmo: o óleo de palma.

Itália é um dos países que mais utiliza este ingrediente nos produtos, principalmente nos doces. Assim se percebe que tenha sido também uma das economias mais afetadas pelas notícias dos últimos anos. A desconfiança dos consumidores acabou por provocar uma queda nas vendas de várias marcas, que retiraram até o óleo de palma dos produtos.

A Coop, uma das maiores cadeias de supermercados italiana, deixou de vender os produtos com esse ingrediente. E a Barilla, uma marca famosa de massas, eliminou este óleo do rótulo e passou a indicar nas embalagens a frase “livre de óleo de palma”.

Contudo, foram os doces que mais sentiram o impacto nas vendas. Segundo o jornal britânico “The Independent“, a Nutella quis tranquilizar os consumidores referindo que “fazer Nutella sem óleo de palma seria produzir um substituto de inferior qualidade”. Além disso, “o óleo usado pela Ferrero é seguro porque vem de frutas espremidas na hora e é processado a temperaturas controladas [abaixo dos 200 graus]”, afirmou o porta-voz da empresa, Vincenzo Tapella.

Por causa da polémica sobre o óleo de palma, em janeiro de 2017, as Comunidades Científicas Médica e de Nutrição de Itália discutiram os efeitos para a saúde, deixando de lado os fatores ambientais.

O relatório do debate foi publicado no International Journal of Food Sciences and Nutrition e, de acordo com a nutricionista Filipa Morgado, “revelou que não há evidências de efeitos negativos, quando comparados com outros óleos ricos em gorduras saturadas”.

Como se não bastasse, a produção do óleo na Amazónia também tem sido polémica, visto que as florestas são frequentemente devastadas para a plantação de palmeiras. Isto leva ao aumento da produção de emissão de gases de efeito estufa e ainda destrói o habitat de várias espécies.

Outro lado negativo: o óleo de palma é constituído por gorduras saturadas, que podem induzir o aumento de LDL. Isto é, o colesterol mau.

Também existe uma perspetiva positiva sobre o tema. O óleo de palma, ou azeite de Dendê, como é conhecido em países africanos e no Brasil, que é feito a partir de um fruto de uma palmeira existente em África, “é rico em vitaminas A e E. Por isso, é bastante antioxidante”, diz a nutricionista.

Mas atenção: se for demasiado exposto a temperaturas elevadas, os níveis de vitamina A desaparecem.

“É utilizado em cosméticos, na produção de sabonetes e até na produção de combustíveis de motores”. Contudo, é na alimentação que está mais presente, para ajudar na conservação dos produtos. As batatas fritas, as sopas, as bolachas, o caldo de galinha, maionese e os molhos são apenas alguns deles.

Além disso, tem um alto teor em ómegas 6 e 9. Segundo a nutricionista, o primeiro é essencial para a alimentação, uma vez que regula o sistema imunitário, embora não seja produzido naturalmente pelo organismo. Já o ómega 9 funciona como anti-inflamatório. Ou seja, são ambos essenciais para o bom funcionamento do corpo.

De acordo com Filipa Morgado, é importante que se façam estudos em populações com um consumo frequente de óleo de palma para perceber as verdadeiras implicações deste alimento para a saúde. O que ainda não aconteceu.