Ginásios e outdoor

Fiz uma aula de kickboxing na Kolmachine — e usei luvas cor-de-rosa

A NiT esteve na nova academia de desportos de combate de Lisboa. O professor é o campeão europeu desta modalidade.

No final da aula, lá estava eu: viva e no meio do ringue, de luvas cor-de-rosa, claro, a guiar-me pelos movimentos do professor, que me obrigavam a misturar murros com pontapés. Estava cansada, a transpirar, mas nem dava por isso. Quando treinamos com esta intensidade, só percebemos que estamos no nosso limite mais tarde, quando paramos. Até esse momento, só queremos uma coisa: repetir dezenas de vezes os mesmos movimentos. Veja o vídeo da aula em NiTtv.

Antes de chegar à Academia Kolmachine, na semana passada, só sabia que ela ficava no número 51 da Avenida João Crisóstomo, em Lisboa. Pelo caminho imaginei aquele cenário clássico, onde teria de subir (ou descer) vários andares até entrar num sítio escuro e sombrio, com cheiro a suor de luvas de combate usadas. Mas assim que cheguei à porta, suspirei de alívio e percebi que não era nada assim.

A nova academia de desportos de combate da cidade mantém o estilo underground obrigatório das escolas de boxe, kickboxing, MMA e tudo o o resto que mete pancada. Mas consegue fugir ao ar pesado e cansado a que associamos estes locais. Ali há luz, o ambiente é fresco, limpo, com tons que alternam entre o vermelho, cinzento e preto. É uma academia moderna.

Quando entrei finalmente, depois de todos estes pensamentos, estava a passar hip hop — o “Boy Soldier”, do Eminem. O Pedro Kol, dono e professor na Academia Kolmachine — e, já agora, campeão da Europa de kickboxing, em 2007 — já estava à minha espera. Ele seria o meu professor de kickboxing na próxima hora. Como acontece em todos os ginásios, deram-me duas toalhas de banho e um cadeado para o cacifo. E pronto, lá fui eu para o balneário feminino equipar-me antes de me transfomar num saco de pancada. O professor só me disse: “Não calces ténis, aqui treinamos descalços”.

Ali há luz, o ambiente é fresco, limpo, com tons que alternam entre o vermelho, cinzento e preto. É uma academia moderna

O treino começou com um aquecimento rápido, no tartame (colchões finos) que preenchia o chão do único e amplo estúdio onde decorrem as aulas. Atrás de mim estava o ringue e um saco de boxe. Já com as articulações e os músculos quentes, treinámos sem luvas, sem plastrons (o material que o professor coloca em cada mão para que o aluno possa aplicar os golpes) e sem saco. Basicamente fiz os movimentos básicos do boxe — os diretos, uppercut e ganchos — contra um adversário imaginário no ar. Como eu já tinha feito uma aula desta modalidade, perdemos pouco tempo nesta fase. Com os deslocamentos — posição e forma como os pés se deslocam tanto no kick como no boxe — foi a mesma coisa. Sim, caros leitores, eu já dominava isto tudo.

Com os pontapés, infelizmente, a história já foi outra. Eles eram movimentos totalmente novos para mim. Existem dezenas, mas eu só aprendi três: o frontal, que é mais estático na parte do tronco; o rotativom, em que tem de haver rotação do corpo; e o golpe com os joelhos.

Primeiro, executei-os sem nenhum material. Depois repeti-os contra os plastrons que o Pedro já tinha colocado nas mãos. No final, treinei contra o saco.

Há um pormenor que me parece fascinante: as luvas eram cor-de-rosa. A academia criou-as de propósito para as mulheres. E temos de admitir: nós, mulheres, valorizamos muito estes pormenores. Antes de as calçar, o professor colocou-me ligaduras à volta das mãos, pulso e dedos. Elas servem para proteger a mão e o pulso, como qualquer fã do “Rocky” bem sabe.

Conclusão: adorei a aula e sai de lá com vontade de me inscrever. A parte boa dos desportos de combate é que podemos treinar durante duas horas — enquanto repetimos e conjugamos vários movimentos sem parar — e nunca sentimos aquela vontade desesperante de desistir.

Dois direitos, um uppercut, um gancho para a esquerda, outro para a direita e dois rotativos; trinta golpes de joelho seguidos; dois uppercuts, três ganchos e um pontapé frontal. Foram, mais ou menos, estas as sequências que repeti vezes sem conta dentro do ringue. O objeitvo era automatizá-las e conseguir fazer uma sequência perfeita. Cada vez que falhava um movimento, repetia-o até acertar. Consegui fazer todos. No final, até fiz uma vénia.

Próximo objetivo: lutar a sério contra alguém. Se calhar vou começar pelo meu diretor.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT