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Crítica: “This Is Us” e a multiplicação dos Pearson

A série continua a esconder bem as surpresas. Há mais uma personagem que pode explicar muitos dos problemas de Jack.

Impossível não suspirar a olhar para estes dois.
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Já devíamos saber que se há alguma coisa relevante para ser revelada em “This Is Us”, ela está guardada para os últimos segundos. Depois de “Still There”, na semana passada, “Brothers” — transmitido esta quinta-feira, 26 de outubro, pela Fox Life — voltou a provar isso mesmo. Com os Pearson a aparecerem com mais rapidez do que centenas de formigas quando se levanta uma pedra, o melhor é dividirmos tudo por tópicos para não ficarmos baralhados.

Dois Pearson pelo preço de um

O mistério da morte de Jack ainda paira sobre nós mas esse capítulo está em pausa. Entretanto há muita coisa para saber sobre a vida dele, detalhes que podem explicar o lado mais negro da personagem, o facto de guardar tudo para ele e a razão de ter começado a beber — o maior problema do próprio pai que ele acabou por herdar. Por falar em pai, o flashback desta semana leva-nos até à infância de Jack, mais precisamente a um dia de pesca que acaba por se resumir ao pai a beber num bar à beira da estrada enquanto o miúdo espera durante horas no carro. De repente, levanta-se uma cabeça no banco de trás. O que é isto? Somos nós que estamos bêbados? Estamos a ver a dobrar? Nada disso, “This Is Us” conseguiu esconder até ao quinto episódio da segunda temporada um irmão de Jack Pearson, Nicky. O título do episódio, “Brothers” (irmãos), nunca nos levou a suspeitar desta possibilidade porque a história também se foca muito em Kevin e Randall. É nestas coisas que a série é imbatível, a guiar o espectador por um caminho que parece tão natural e óbvio para, no fim, nos trocar as voltas e nos atirar com informação tão inesperada que quase nos provoca um curto-circuito no cérebro. Então mas quem é este Nicky, que nunca vimos na vida de Jack? Parece quase certo que a personagem tenha morrido, sobretudo depois da noite de insónia de Jack o levar a remexer nas fotos do Vietname, que já sabemos foi um ponto importante e provavelmente responsável por muitos problemas na vida dele. Será que Nicky morreu na guerra? Será que Jack se sente responsável por isso? Que comecem a aparecer as teorias em 3, 2, 1.

Irmãos de armas

A missão de Jack neste episódio é conseguir que Kevin e Randall se entendam melhor. Para isso leva-os a acampar num fim de semana só de homens. O motivo que o leva a querer tanto que os dois se defendam ao máximo e sejam as pessoas mais importantes na vida um do outro é muito mais profundo do que parece e isso só se sabe no fim com o aparecimento do misterioso irmão, Nicky. “Não vou a lado nenhum”, diz Jack no flashback quando o miúdo mais novo precisa de conforto. Claramente os dois sempre foram o apoio um do outro e ele quer passar isso para os próprios filhos. Ele nunca teve o carinho do pai, Stanley, e por isso também decide não ir vê-lo ao lar, preferindo ficar com os dois miúdos e tentar criar um elo para a vida, para durar mesmo depois da partida dele. Sabemos que nem tudo ficou perfeito entre Randall e Kevin nesta viagem mas o ponto em que os dois se encontram no presente é enternecedor — sobretudo o diálogo que os dois têm à porta da casa de banho enquanto esperam por Deja.

Stanley não tem direito a tempo de antena

O pai de Jack está a morrer e quer, provavelmente, partir em paz. O lar tenta contactá-lo, ele não está, aparecem Rebecca e Kate. Quando Jack finalmente sabe o que se passa, vemos claramente a personagem a debater-se com uma data de emoções contraditórias naqueles segundos em que decide o que fazer. Escolhe os filhos em vez do pai, que teve tudo menos esse papel para ele. Stanley não tem direito a dizer praticamente nada, balbucia duas ou três coisas e Rebecca remata o momento com um discurso inspirador sobre Jack. Adeusinho Stanley, boa viagem.

Toby, a pessoa mais feliz do mundo

O homem faz a festa, atira os foguetes e apanha as canas. Toby vai ser pai mas Kate não o deixa festejar — não antes da criança estar cá fora. Ele acumula todas as emoções e, quando ela lhe diz para contar a uma pessoa e despachar o assunto, temos direito a um espetáculo de dança num café com passos em cima do balcão e tudo. É constrangedor e fofinho ao mesmo tempo. Toby estará sempre neste limite e temos de aceitá-lo assim.

Randall não tem piada, Randall tem tanta piada

Ele não é o homem mais feliz do mundo mas é certamente o mais otimista. As coisas lá por casa não estão fáceis com Deja e quando ele vê uma pequena abertura para criar uma ligação com ela, atira-se sem pensar duas vezes — não interessa que ela queira ir a uma gala de caridade em Nova Iorque só porque Kevin vai lá estar e ela suspira só com a presença dele. Para aligeirar a atmosfera, ele quer ser Randall “cool” Pearson — um erro, garante a mulher, Beth. Nós também achamos mas, ao mesmo tempo, tem tanta graça ver esta personagem a tentar sair da sua zona de conforto.

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