Televisão

“Snowpiercer”: o filme transformou-se em série da Netflix (mas é bem diferente)

Estreou na plataforma de streaming em Portugal esta segunda-feira, 25 de maio. Vai ser lançado um episódio por semana.
A segunda temporada já está confirmada.

Em 2013, estreava nos cinemas o filme de Bong Joon Ho (hoje em dia mais conhecido por ser o autor de “Parasitas”) que adaptava uma história distópica de uma série de novelas gráficas de culto com grande sucesso: “Snowpiercer — Expresso do Amanhã”.

Sete anos depois, tanto o filme como os livros servem de base para uma adaptação televisiva do canal americano TNT — que em Portugal estreia esta segunda-feira, 25 de maio, na Netflix. O primeiro episódio já está disponível (e todas as semanas vai chegar um novo capítulo à plataforma de streaming). No total são dez episódios com cerca de uma hora, e a segunda temporada também já foi gravada.

“Snowpiercer”, a série, passa-se sete anos depois do acontecimento que serve de premissa para a narrativa — uma nova Idade do Gelo, provocada pelo uso de uma substância que tinha como objetivo travar o aquecimento global, lançada na atmosfera por vários países, e que originou o fim do mundo.

Toda a sociedade que restou vive num comboio ultra tecnológico, que nunca pára e atravessa o mundo em repetição permanente, enquanto lá fora só há gelo, ruínas e morte. O filme passa-se 17 anos depois desse acontecimento, por isso esta série é anterior na linha cronológica do enredo.

O protagonista é Andre Layton (Daveed Diggs), o último detetive de homicídios do mundo, que faz parte da classe da cauda do comboio — a última carruagem, onde conseguiram entrar as pessoas que não tinham bilhete (e que, portanto, não pertenciam à camada milionária da população).

Tal como no filme de 2013, as guerras entre classes sociais — numa analogia hiperbolizada da sociedade capitalista — estão em grande destaque. E os protagonistas são as pessoas comuns da cauda do comboio, que vivem em circunstâncias miseráveis.

Apesar de a produção televisiva também partir do filme, há várias coisas diferentes. Por exemplo, a descoberta sobre as “barras de nutrição” é um dado adquirido na série. Por outro lado, a identidade misteriosa de Wilford, o criador e líder do comboio, que vive na locomotiva, está envolta em mais secretismo nesta história.

Obviamente, o facto de ser uma série — e ainda por cima já com mais do que uma temporada produzida — faz com que seja possível explorar de forma mais profunda a sociedade que se criou neste comboio, as diferenças entre pobres e ricos, as mil e uma carruagens temáticas e funcionais que existem. 

Apesar de a revolta estar no centro da ação, também há uma investigação a um serial killer dentro do comboio (sendo que Layton é recrutado pela direção por causa das suas competências), um esquema de drogas, possíveis experiências secretas e perigosas (e ricas) elites a tentarem tomar o controlo do comboio.

Este universo distópico abre a porta a muitas possibilidades, apesar de se passar num espaço confinado, mas a crítica internacional tem acusado a produção de ter falta de foco, de conter algumas inconsistências narrativas e de ser bastante aborrecida em comparação com o filme.

Os problemas podem ser explicados com todas as mudanças atribuladas que houve na equipa deste projeto ao longo dos últimos anos. O showrunner original, Josh Friedman, saiu da série por causa de “diferenças criativas” com a estação de televisão e foi substituído por Graeme Manson. O realizador do episódio piloto também abandonou o projeto e a própria WarnerMedia, responsável pela produção, esteve para estrear a série no canal TBS, em vez de no TNT.

Ainda assim, os cenários, caracterização e detalhes de cenografia têm sido elogiados, assim como algumas das coisas que são abordadas e bem aproveitadas no enredo. Além de Andre Layton, a personagem mais relevante é Melanie Cavill (Jennifer Connelly), que faz de representante de Wilford no comboio.

Se no filme existe, basicamente, uma classe que vive miseravelmente e uma que é muito rica, aqui existe uma certa classe média, que também será melhor explorada. A trajetória na produção de Bong Joon Ho era linear — da cauda para a frente do comboio. Aqui, vai haver muitos avanços e recuos, com histórias passadas em várias carruagens e com diferentes personagens.

O elenco inclui ainda Mickey Sumner, Sheila Vand, Alison Wright, Iddo Goldberg, Lena Hall, Aaron Glenane, Mike O’Malley, Karin Konoval, Annalise Basso, Sam Otto e Kwasi Thomas, entre outros.

Leia também o artigo da NiT sobre a história nunca contada da portuguesa que trabalha há décadas com as estrelas de Hollywood (e que trabalhou na série de “Snowpiercer”).

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