Televisão

“Sem Deus”, é assim o novo western feminista da Netflix

A minissérie com Jeff Daniels, Merritt Wever e Michelle Dockery estreia esta semana.

Aqui as mulheres vestem-se à cowboy e usam armas.

Uma terra árida, quente, poeirenta e meio abandonada no Oeste americano de 1880. Um ambiente tenso e lento, enquanto cowboys descem a mão até ao coldre onde está o revólver. E as portas de um saloon de uma pequena cidade a baterem depois de um tiroteio sangrento. Ah, que saudades de um western.

A nova minissérie da Netflix, “Sem Deus”, tem todos os ingredientes clássicos deste cinema. Foi escrita por Scott Frank (“Relatório Minoritário”) para ser um filme — mas os produtores executivos Steven Soderbergh e Casey Silver agarraram no argumento e dividiram-no por sete longos episódios (vários deles com mais de uma hora), numa história com momentos para respirar, tal como um bom western pede.

A história acontece em La Belle, no Novo México. A maioria dos homens da pequena cidade morreram num acidente trágico — e as mulheres acumularam o poder de gerir o dia a dia da terra.

Roy Goode (Jack O’Connell) vai parar a esta terra. Goode está em fuga do seu antigo parceiro de crime, o implacável e temido Frank Griffin (Jeff Daniels), que só tem um braço — cortesia do homem que agora persegue —, e que lidera um dos grupos de bandidos mais perigosos da região.

Quando chega a La Belle, não tem à sua espera uma comitiva de boas-vindas. É alvejado por Alice Fletcher (Michelle Dockery) — nos westerns os tiros não se levam tão a peito —, que depois o acaba por levar para casa, onde trata os seus ferimentos. Roy Goode também aproveitar para ficar escondido e, quem sabe, até começar um romance.

Outra das personagens é Mary Agnes (Merritt Wever), uma cowgirl feminista badass do século XIX, farta daquele papel típico das mulheres, que arrumam a casa e tratam dos filhos.  Sem preconceitos, envolve-se com quem quer (outras mulheres, por exemplo) e veste-se de forma moderna e pouco feminina — chega de espartilhos pouco práticos.

Algumas das restantes mulheres desta cidade, muito à frente do seu tempo, também não estão interessadas em homens. É um western feminista virado para as questões de género, raça, e, como o título sugere, a fé em Deus.

“Sem Deus” é essencialmente um filme de sete horas, que tem ainda no elenco Sam Waterston, Kim Coates ou Scoot McNairy. A estreia na Netflix está marcada para esta quarta-feira, 22 de novembro. Pode ser uma forma de os fãs de “Westworld” matarem saudades, pelo menos da parte western da série.

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