Televisão

Pedofilia, racismo, mortes e overdoses. O lado negro de “Glee”

O elenco da bem-disposta série musical está recheado de histórias trágicas e bizarras. Naya Rivera foi a última vítima.
Já lhe chamam a Maldição de Glee

No ecrã eles dançavam, cantavam e riam. Era uma série juvenil, leve, desenhada para descomprimir. Quando foi para o ar em 2009, tornou-se num caso de sucesso. Nos bastidores, o cenário era um pouco diferente. Álcool, drogas e abusos foram sendo relatados ao longo dos anos. Uma década depois da estreia, contam-se três mortes trágicas entre os protagonistas. Fala-se até da maldição de “Glee”.

O último choque para os fãs aconteceu esta quinta-feira, 9 de julho, quando o barco onde Naya Rivera — Santana Lopez na série — surgiu abandonado. Dentro dele seguia apenas o seu filho de 4 anos, sozinho há várias horas.

Mãe e filho alugaram um barco no lago Piru na quarta-feira, 8 de julho. Deveria ter sido devolvido nesse mesmo dia. Nunca o foi.

O barco foi então encontrado numa das extremidades do lago. Dentro dele ainda se encontravam os dois coletes salva-vidas. Um no chão, o outro vestido pela criança, que terá revelado à polícia que ambos mergulharam nas águas. A mãe nunca voltou ao barco.

Rivera tinha 33 anos

“Presumimos que algum acidente aconteceu e que ela se afogou”, revelou um dos agentes no local, antes de frisar que a zona está cheia de plantas subaquáticas. “Se o corpo ficar preso nelas, poderá nunca vir à superfície”.

A atriz que teve em “Glee” o seu maior papel participou em quase todos os episódios das seis temporadas — e é apenas o mais recente caso dramático de mortes entre o elenco original.

A quarta temporada de Cory Monteith no elenco foi a última. O ator não chegou sequer a terminar as gravações. Foi encontrado morto, num quarto de hotel em Vancouver, no Canadá.

Estrela do elenco original, o canadiano morreu aos 31 anos, vítima de uma overdose de heroína. No sangue foram ainda encontradas grandes quantidades de álcool.

Com uma adolescência ligada às drogas e álcool, que consumia desde o 13 anos, foram várias as visitas a clínicas de reabilitação. Pelo menos duas antes dos 19 anos. Tinha completado outro ciclo de reabilitação quatro meses antes da morte.

Os dois protagonistas eram um casal

Alegadamente a tomar medicação para a dor depois de uma intervenção dentária, a mãe revelou que tudo não passou de um acidente. A tese foi corroborada pelo relatório da autópsia.

A culpa, explica a mãe, foi de Hollywood. “Ele não estava preparado para aquele mundo. As drogas eram a sua forma de escapar”.

À época da morte, namorava com a colega de elenco e protagonista Lea Michele, atormentada nas últimas semanas por acusações de racismo e bullying nos bastidores da série.

A atriz que assumiu o papel de Rachel Berry foi acusada pela também atriz Samantha Ware de “microagressões traumáticas”. Pelo menos mais três membros do elenco confirmaram o sucedido e acrescentaram detalhes.

De acordo com as revelações, Michele tratava mal os colegas de raça negra. Ware disse que tornou a sua vida na série “num verdadeiro inferno”. “Creio que disseste a toda a gente que irias cagar na minha peruca se tivesses oportunidade. Entre outras microagressões, isso fez me questionar a carreira em Hollywood”, escreveu.

Michele pediu desculpas em público pelo sucedido, mas não conseguiu evitar o cancelamento de pelo menos um contrato publicitário.

O caso mais bombástico com origem em “Glee” explodiu em 2015, quando outro protagonista foi detido. Mark Salling, que participou em todas as temporadas, foi acusado de posse de pornografia infantil.

Salling foi denunciado por uma ex-namorada, depois de lhe ter mostrado os mais de 600 vídeos e 50 mil imagens, que incluíam violação de menores. Algumas das crianças tinham pouco mais de três anos.

Mark participou em todas as temporadas

O ator que interpretou Puck na série foi também namorado de Naya Rivera entre 2007 e 2010. Na sua biografia, a atriz revelou que não ficou surpreendida com as acusações.

Em 2013, Salling ja havia sido acusado de agressão sexual à sua então namorada Roxanne Gorzela. O caso foi resolvido através de um acordo extrajudicial que o obrigou a pagar uma indemnização de quase três milhões de euros. Em 2016, nova acusação, desta vez por violação. Foi ilibado.

A pouco mais de um mês da leitura da sentença no caso da posse de pornografia infantil — no qual se declarou culpado —, a 30 de janeiro de 2018, Salling foi encontrado morto na sua casa em Los Angeles. Em tratamento devido a problemas psicológicos e já com uma tentativa de suicídio no historial, desta vez atingiu o objetivo e evitou a prisão e uma vida de vergonha.

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