Televisão

Os próximos episódios de “Unsolved Mysteries” vão ter uma história de fantasmas

Uma das criadoras da nova versão do projeto falou ainda sobre uma teoria em relação ao caso de Rey Rivera.
Há teorias a circular sobre o caso de Rey Rivera.

“Unsolved Mysteries” é um programa histórico nos Estados Unidos. Estreou originalmente em 1988 e relata mistérios da vida real e crimes bizarros que nunca tiveram qualquer tipo de explicação.

Houve várias versões ao longo dos tempos — em 1997, 2001 e 2008 — com um total de mais de 600 episódios. A 1 de julho, chegou à Netflix, numa série documental com seis episódios. 

As séries documentais de crime têm sido um dos géneros de maior sucesso na plataforma de streaming — e “Unsolved Mysteries” tem corrido bastante bem, pelo menos em Portugal. Desde que estreou que tem cimentado a sua posição no top 10 de conteúdos mais vistos da plataforma.

Apesar de o programa original se focar sobretudo em casos paranormais — com histórias que envolviam elementos aparentemente sobrenaturais —, nesta produção da Netflix o grande foco são assassinatos e desaparecimentos. 

Cada episódio conta uma história diferente. Há sempre testemunhos de familiares e amigos das vítimas, além de investigadores ou jornalistas envolvidos, que contam o que aconteceu e oferecem contexto a toda a história. 

Quase todos os episódios começam com um crescendo de tensão e suspense — já sabemos quem é a pessoa (morta ou desaparecida), conhecemos os seus principais traços de personalidade e a forma como era vista pela família e comunidade, mas falta saber exatamente o que aconteceu.

Está confirmado que esta temporada terá mais uma leva de seis episódios. Não se sabe muito sobre que histórias vai incluir, mas, numa entrevista à revista “Variety”, uma das criadoras desta versão, Terry Dunn Meurer, confirmou que vai ter uma história “invulgar” de fantasmas. “É tudo o que posso dizer. É diferente, é um pouco diferente.”

Meurer explicou ainda que, desde a estreia na Netflix, a produção tem recebido milhares de dicas e teorias dos fãs sobre os seis casos. Aquelas que são consideradas mais credíveis, ou que tenham algum tipo de sustentação, são reportadas às autoridades competentes em cada uma das investigações.

Esta é uma grande novidade, já que esta é a primeira versão de “Unsolved Mysteries” a estrear na era das redes sociais — onde há milhares de seguidores a comentarem os casos e a partilharem teorias e impressões.

Neste caso existe até um site criado especificamente para o efeito chamado Unsolved — onde é possível recordar os casos (incluindo os de todas as outras versões, tanto os que tiveram um desfecho como aqueles que ficaram por resolver). Além de entreter, o objetivo do programa é mesmo resolver os casos.

“Há uma equipa de cinco ou seis pessoas no site, em diferentes turnos, para que tenhamos sempre alguém a ler as dicas que nos enviam. E ainda recebemos pistas que podem resolver casos do programa original. Sempre me referi a isto como uma série de televisão que tem uma vida própria. Nunca sabes quando é que vais receber uma chamada telefónica da polícia francesa a dizer: Sabes que mais? Encontrámos o Xavier Dupont de Ligonnès. A missão da série é resolver os casos. É o objetivo”, explica Terry Dunn Meurer.

Numa outra entrevista, desta vez à “Entertainment Weekly”, a produtora de “Unsolved Mysteries” falou de algumas teorias sobre o primeiro caso retratado nesta série da Netflix — o desaparecimento e morte de Rey Rivera.

Esta é a história de um homem que estava em casa quando, depois de uma chamada telefónica, saiu a correr sem dizer a ninguém onde ia. Foi dado como desaparecido. Depois de o seu carro ser encontrado alguns dias depois, até perto da zona de Baltimore onde trabalhava, o cadáver foi descoberto no interior de uma sala de conferências de um hotel.

Rey Rivera atravessou e furou o telhado da sala de conferências, tendo o corpo bastante marcado pela queda — mas o sítio de onde caiu continua a ser desconhecido, tendo em conta que tinha de ser alto o suficiente para provocar aquele enorme impacto.

Rivera não foi visto por ninguém e o caso foi considerado um suicídio pela polícia, que alegava que o homem teria saltado do topo do hotel. Mais tarde, foi encontrada uma nota bizarra em sua casa — não falava de suicídio, mas sim de sociedades secretas e da maçonaria, além de imensas referências a filmes (já que Rivera era um cinéfilo dedicado que até tinha escrito alguns guiões). A empresa onde este homem trabalhava obrigou os funcionários a nunca falarem com a polícia sobre o caso.

Há uma teoria a circular nas redes sociais, e que também chegou à produção do programa, que diz que, tendo em conta o impacto necessário para causar aqueles danos, Rey Rivera deverá ter caído de um helicóptero. No entanto, não há provas que sustentem esta hipótese.

Outra teoria tem a ver com um filme popular de David Fincher, “O Jogo”, de 1997, que tem Michael Douglas no papel principal. “O Jogo” é um dos filmes que Rey Rivera lista na nota bizarra que estava por trás do seu computador.

A produção conta a história de um homem que se deixa apanhar num esquema elaborado em que uma empresa faz com que ele pense que perdeu tudo na sua vida. Depois de uma série de acontecimentos trágicos, ele salta do topo de um edifício e atravessa um telhado de vidro — muitos fãs da série e do filme estabeleceram o paralelismo entre os dois casos.

No entanto, Meurer desvaloriza essa hipótese. “Eu falei com a [mulher] Allison Rivera sobre isso. Ela passou muito tempo a ler aquela nota, assim como o FBI, só a tentar perceber se haveria algum tipo de pista ou alguma coisa que pudesse indicar algo. Mas ela não dá uma especial importância ao filme ‘O Jogo’. O Rey gostava de muitos géneros diferentes de filmes. Ele era um tipo interessado em tudo. Se ele só tivesse deixado isso escrito, ou se ele nunca tivesse escrito outras coisas de forma meio aleatória, isso seria suspeito. Mas ele estava sempre a fazer isto. Tinha vários cadernos cheios de coisas escritas. A Allison leu-os todos a tentar perceber se haveria pistas, mas não encontrou qualquer ligação séria a ‘O Jogo’.”

Leia ainda a crítica da NiT a “Unsolved Mysteries”. Não é certo se haverá uma segunda temporada depois dos próximos seis episódios, mas os produtores asseguram que não faltam histórias para contar.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

NiTfm

AGENDA NiT