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O homicídio brutal que marcou a vida de Charlize Theron

A heroína de ação do momento em Hollywood viveu uma infância traumática, marcada pelo momento em que viu o pai morrer às mãos da mãe.
Tinha apenas 15 anos quando viu a mãe matar o pai.

Desde o seu papel como Furiosa em “Mad Max: Fury Road” que produtores e realizadores ganharam uma nova paixão pelos talentos de Charlize Theron. Aos 44 anos, a sul-africana quebrou a tradição dos homens durões e reservou um lugar só para si no mundo dos filmes de ação.

Lançou-se nas cenas de pancadaria em 2005 com o morno “Aeon Flux”, mas foi uma década depois que marcou definitivamente a sua posição no obra-prima de George Miller. Haveria de conquistar o papel de protagonista em “Atomic Blonde” — que vai ter direito a uma sequela — e finalmente no último lançamento da Netflix, “A Velha Guarda”, que é um dos conteúdos mais vistos na plataforma de streaming.

O filme, inspirado na banda-desenhada de Greg Rucka, conta a história de um grupo de imortais que escondem o seu segredo do mundo — e que terão que combater o vilão que os quer capturar para roubar o segredo da imortalidade.

Precisamente antes do primeiro grande papel de ação como Furiosa, Theron interpretou Libby Day em “Dark Places”, uma mulher que viveu um momento traumático com apenas oito anos: viu toda a sua família ser assassinada. Acontece que a ficção não estava muito longe da realidade.

“Foi preciso examinar o que um trauma desse género faz a uma criança, especialmente quando ela tem que falar sobre isso. E isso é algo que eu consigo entender e que experienciei na minha vida”, revelou em 2015 em entrevista à “TF1”. 

Theron evita falar sobre aquela a que chama “a grande tragédia” da sua vida. Ao longo da carreira, mencionou-o apenas uma mão cheia de vezes.

Em 2004, a atriz decidiu confessar-se pela primeira vez e recordar o episódio traumático que viveu na residência da família na África do Sul. Tinha apenas 15 anos quando, numa noite como outra qualquer, o pai chegou a casa na companhia do tio.

Theron estava no quarto, mas apercebeu-se de que algo não estava bem. “A natureza dá-nos uma espécie de instinto. Eu sabia que algo de muito mau ia acontecer”, contou.

Mais tarde haveria de confidenciar que Charles Theron, o seu pai, era alcoólico e que sempre o conheceu assim. “Era um homem muito doente (…) era um caso perdido e a nossa família estava presa no meio de tudo isso”, revelou em entrevista à “NPR”

A “imprevisibilidade de conviver com um alcoólico” e de tudo o que de inesperado podia acontecei “deixou marcas”. Mas nada deixaria uma marca mais profunda do que essa noite de 21 de junho de 1991.

“Ele estava tão bêbado nessa noite que nem deveria ter conseguido andar quando entrou em casa de arma na mão. Estava com a minha mãe no quarto, encostada contra a porta, enquanto ele a tentava abrir. Ele deu um passo atrás e disparou contra a porta por três vezes. Nenhuma das balas nos atingiu, o que foi um milagre”, recorda Theron.

Charlize com os pais, Charles e Gerda.

À época, ainda uma adolescente, Charlize revelou à polícia que o pai ameaçou matá-las com a caçadeira. “A minha mãe disse que tinha mesmo medo de que ele realmente o fizesse”, explicou.

Tudo mudou num instante, quando a atriz ouviu mais uns quantos tiros a serem disparados. “Não sei quantos foram, mas ouvi a minha mãe a gritar de forma histérica. Quando avancei para o corredor, vi o meu tio, Danie Theron. A minha mãe estava sentada num canto do quarto a chorar a dizer ‘Charlize, disparei contra eles’”.

Gerda Theron, a mãe, não ficou totalmente surpreendida. A violência era usual e nessa mesma noite, uma familiar tinha ligado para avisar que o marido estava bastante nervoso. Quando o impediu de entrar em casa, explodiu em fúria.

À polícia, Gerda revelou igualmente que Charles estava bêbado e que ameaçou disparar sobre ambas. “Limitei-me a disparar contra ele. Não sei quantas vezes o fiz. Vi-o cair. Depois virei-me e vi o irmão e instintivamente voltei a disparar na sua direção. Ele também caiu”, explicou

As autoridades sul-africanas decidiram não acusar Gerda e concluíram que a morte de Charles não foi mais do que uma ação de auto-defesa. A decisão protetora da mãe também marcou Charlize, que ainda hoje mantêm uma ligação muito forte.

Gerda e Charlize andam sempre juntas.

“A minha mãe é incrível, e eu sei que todas as filhas e filhos dizem o mesmo, sou parcial, mas ela é única. Salvou a minha vida imensas vezes”, contou em 2011 numa entrevista com Piers Morgan.

Dessa noite há quase 30 anos, fica uma mágoa. “Foi a maior tragédia da minha vida. O que acontece depois disso é que tentas perceber o que queres ser neste mundo. Tive uma mãe que me conduziu entre o luto, o choque e a raiva, todas as emoções que surgem depois de um trauma desse género. Mas ela ensinou-me a não ser uma vítima ou a viver uma vida em que me vitimizava. O que aconteceu nessa noite continua a entristecer-me, mas não me assombra. Estou completamente em paz”.

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