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Ninguém sabe onde está Ghislaine Maxwell, a ex-namorada de Jeffrey Epstein

É uma das figuras centrais da nova série documental da Netflix e a pessoa que mais sabe sobre o milionário criminoso falecido.
Estiveram juntos desde o início dos anos 90.

Jeffrey Epstein morreu no ano passado, mas as circunstâncias da sua morte só vieram acrescentar mais um mistério à longa lista de perguntas por responder em relação à sua história. Há várias dúvidas sobre como é que este investidor e consultor financeiro se tornou um enorme multimilionário, muitas especulações sobre que figuras poderosas é que participaram nos alegados crimes (e de que forma é que Epstein tinha poder sobre elas) e, claro, há Ghislaine Maxwell.

Tal como descrito na série documental “Jeffrey Epstein: Podre de Rico” (leia o artigo da NiT sobre o projeto), que estreou na Netflix a 27 de maio e que tem quatro episódios, Ghislaine Maxwell foi durante vários anos a namorada de Epstein. E, além disso, terá estado no topo do esquema em pirâmide de abuso sexual de menores que ocorreu durante anos e anos nas propriedades de Epstein.

Alegadamente, Maxwell recrutou jovens para trabalharem para o namorado, que depois foram abusadas por ele — e também por ela própria — e participou nos vários crimes de tráfico sexual. Era uma figura de classe alta e carismática que ajudava a persuadir jovens raparigas. Apesar das múltiplas acusações por dezenas e dezenas de vítimas (cujos testemunhos vimos na série da Netflix), nunca foi acusada criminalmente e sempre negou todas as alegações.

A verdade é que ninguém sabe muito bem onde está e o que aconteceu a Ghislaine Maxwell. A revista americana “Esquire” perguntou à realizadora da série documental, Lisa Bryant. “Ouvi dizer que ela está no Brasil, que está em França, que está na Califórnia. Quem é que sabe realmente?”

Ghislaine Maxwell não teve qualquer participação no documentário e tem sido muito difícil acompanhar os seus passos nos últimos anos.

Oriunda de uma família britânica rica e numerosa, mudou-se para os EUA em 1991. Foi no mesmo ano em que o pai, antigo milionário caído em desgraça, afundado em dívidas e suspeito de vários crimes financeiros, morreu — possivelmente por suicídio. Daí a mudança de país. Pouco tempo depois, terá conhecido Jeffrey Epstein, outro homem rico que vinha preencher uma lacuna deixada pela morte do pai que idolatrava.

Maxwell era “responsável por gerir as propriedades” do namorado, como diz um processo judicial interposto pela própria este ano, numa tentativa de conseguir dinheiro do fundo de Epstein, onde alega que ele lhe tinha prometido que a ia continuar a financiar. No entanto, no perfil jornalístico da “Vanity Fair” envolto em polémica que está em destaque na série documental da Netflix, Maxwell não é descrita como “trabalhadora” ou “empregada”, mas apenas como namorada.

Depois do “acordo secreto” de 2008, quando Jeffrey Epstein foi considerado culpado de solicitação de prostituição a uma rapariga menor, em troca de uma pena leve, Maxwell e Epstein terão terminado a sua associação pública. Há quem diga até que já não eram propriamente namorados, mas Maxwell geria as propriedades e era a “melhor amiga” de Epstein, como o investidor disse em várias entrevistas. No ano seguinte, Virginia Roberts acusou Epstein e Maxwell de a terem recrutado para a sua rede de tráfico sexual.

Nunca foi acusada formalmente de qualquer crime. E isso poderá ter a ver com o tal “acordo secreto sem precedentes” feito por Jeffrey Epstein e o procurador Alexander Acosta, já que garantia imunidade a Epstein por outros crimes, mas também imunidade para todos os outros co-conspiradores, fossem os seus nomes revelados ou não.

No entanto, a revista “Esquire” escreve que Ghislaine Maxwell continuou a movimentar-se com regularidade até 2015 nos meandros da elite social de Nova Iorque — algo que era a sua especialidade, como mostra a série da Netflix. É possível encontrar fotos suas ao lado de personalidades que vão desde Mick Jagger a Elon Musk, passando por Donald Trump. Em 2012, fundou uma organização não lucrativa ambiental chamada TheTerraMar Project, que foi encerrada em 2019. A sua casa em Nova Iorque foi vendida em 2016.

Ghislaine Maxwell estará também a avançar com o processo judicial para conseguir parte do dinheiro de Epstein porque alega que seria para pagar as suas despesas legais e de segurança privada já que, pela relação que manteve com Epstein, recebe com frequência ameaças de morte.

No verão do ano passado, quando Epstein morreu na sua cela em Nova Iorque — em circunstâncias misteriosas — Maxwell terá sido fotografada num restaurante de hambúrgueres de Los Angeles, do outro lado dos EUA, apesar de haver quem tenha dúvidas sobre a autenticidade da foto (que pode ser vista na imagem, à esquerda, deste vídeo acima da Netflix).

No passado mês de maio, os advogados das alegadas vítimas, que tentam avançar com um processo civil contra Ghislaine Maxwell, não conseguiram localizar a acusada. Segundo a “ABC News”, um dos advogados enviou intimações para cinco moradas anteriormente ligadas a Maxwell, incluindo uma casa em Manhattan, um apartamento em Miami e a mansão de Epstein na ilha de Palm Beach.

A “Esquire” diz que há vários processos das vítimas em andamento e que o FBI poderá ter continuado a investigação após a morte inesperada de Epstein. De qualquer forma, Ghislaine Maxwell era a pessoa que mais sabia sobre os crimes de Jeffrey Epstein e poderia ser uma peça chave neste caso, que deixou dezenas e dezenas de alegadas vítimas sem justiça. E ninguém sabe onde ela está.

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