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O médico respeitado e marido dedicado que era o maior serial killer do mundo

A história de Harold Frederick Shipman é contada num documentário que estreia esta quarta-feira, 3 de junho, em Portugal.
No total tem cerca de 1h30 de duração.

De acordo com os registos disponíveis, o maior serial killer do mundo não era alguém marginal, desprezado pela sociedade e com uma vida particularmente difícil. Era um médico respeitado e admirado na comunidade, um marido dedicado, alguém que aparentava ser completamente normal.

O seu nome era Harold Frederick Shipman e a sua história é contada num documentário que estreia em Portugal esta quarta-feira, 3 de junho. “Harold Shipman — Doutor Morte”, que estreou originalmente em 2018, tem dois episódios, que vão ser exibidos de seguida: o primeiro a partir das 22h30, o segundo depois das 23h15. Basta ligar o canal Crime + Investigation para ver.

Nascido em Nottingham, em Inglaterra, filho de pais da classe trabalhadora, Shipman terá vivido uma infância comum e feliz. Jogou rugby em vários clubes e era um atleta de sucesso. Talvez um incidente que tenha mudado as coisas para Shipman foi a morte da mãe, quando o futuro médico tinha apenas 17 anos.

A mãe teve uma morte lenta e agonizante de cancro do pulmão, e Harold ficou habituado à ideia de o médico ir lá a casa injetar morfina na sua mãe, para aliviar a dor dos tratamentos. Seria o método que Shipman viria a usar nos seus crimes — injetar substâncias para assassinar os doentes, muitas vezes numa espécie de “eutanásia” forçada, sobretudo a idosos. 

Harold Shipman estudou na Leeds School of Medicine e licenciou-se em 1970. Trabalhou em vários locais na área da saúde, e o primeiro crime pelo qual foi apanhado foi por falsificar algumas receitas de medicamentos, para uso próprio, em 1975. Teve de pagar uma multa e, por causa disso, teve de passar algum tempo numa clínica de reabilitação.

Ao longo de 30 anos, matou dezenas e dezenas de pessoas. Mas as primeiras suspeitas só surgiram em 1998, porque muitas das suas vítimas eram idosas e eram tratadas por ele — ninguém suspeitava que um médico respeitado estivesse a assassinar os pacientes em vez de cuidar deles.

Em 1998, uma funcionária de uma funerária começou a suspeitar da quantidade de mulheres idosas pacientes de Shipman que morriam e eram cremadas de acordo com a sua sugestão — algo que seria para não deixar pistas. As suspeitas foram levadas a outros médicos e a polícia foi chamada, mas não foram encontradas provas que justificassem uma acusação.

Alguns meses mais tarde, um taxista que levava pacientes para consultas particulares com Shipman, começou a desenvolver também suspeitas — tendo em conta que muitas dessas pessoas morriam. Era uma taxa de letalidade muito grande.

E depois houve o caso ultra suspeito da sua última vítima, Kathleen Grundy, que foi encontrada morta na sua casa no mesmo ano. Shipman teria sido a última pessoa a estar com ela, e o médico teria decretado o seu óbito por “velhice”.

A filha de Grundy, que era advogada, ficou preocupada quando foi informada de que tinha sido feito um testamento, aparentemente pela sua mãe, e havia dúvidas sobre a autenticidade do documento. Afinal, este testamento excluía a família de Grundy e deixava mais de 300 mil euros a Harold Shipman.

A investigação começou depois da descoberta desse documento, e o corpo de Kathleen Grundy foi exumado para ser analisado — continha vestígios de uma substância potencialmente letal, usada para tratar pacientes com muitas dores, a sofrer de cancros terminais.

Shipman alegou que ela era uma toxicodependente, o que tentou provar com documentos médicos elaborados por si — mas os documentos, quando analisados, mostraram à polícia que tinham sido escritos pelo médico depois da morte de Grundy. Harold Shipman foi preso dois meses depois do homicídio e na sua casa foi encontrada uma máquina de escrever que correspondia à que tinha sido usada para redigir o testamento falsificado.

Depois deste crime, a polícia lançou uma investigação a outros casos em que Shipman tinha confirmado as mortes, e descobriram um padrão: o uso de substâncias potencialmente letais, a assinatura das certidões de óbito e a falsificação de registos médicos que indicava que eles estavam em más condições de saúde.

Depois disso, o médico foi acusado de 15 homicídios por injeção letal, ocorridos entre 1995 e 1998, pelos quais foi condenado a prisão perpétua em 1999. Harold Shipman sempre negou todas as acusações e nunca falou em público sobre os crimes — nunca houve qualquer explicação.

Ao longo dos anos seguintes, foram feitas mais investigações e descobriram-se muito mais casos de assassinato. Harold Shipman teria morto pelo menos 215 vítimas — um número que pode ascender a várias outras dezenas de casos que não se conseguiu confirmar. Tendo em conta estes números e os registos disponíveis, é o serial killer com mais vítimas de sempre.

Em 2004, na véspera do seu 58.º aniversário, o médico suicidou-se na prisão — enforcou-se com os lençóis da cama, que prendeu às grades da cela.

O documentário tem entrevistas com alguns familiares das vítimas e com o único psiquiatra que alguma vez o avaliou, um colega seu do Hospital Pontefract — onde terá começado os homicídios. A produção tem reconstituições de vários dos seus crimes, em particular as 12 pessoas que assassinou no mesmo edifício.

O primeiro episódio começa por mostrar como Shipman era um médico conceituado, alguém em quem os pacientes confiavam, antes de relatar os crimes. O segundo capítulo já se foca em como na vila de Hyde, onde trabalhou desde o final dos anos 70 até aos anos 90, todos ficaram chocados com as descobertas — que só ficaram mais graves ao longo dos anos e que obrigaram à exumação de várias vítimas para descobrir o rasto do assassino.

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