Televisão

Ljubomir Stanisic: “É vergonhoso, tenho muita pena que [no Rio Minho] não tenham aproveitado nada”

O restaurante foi remodelado em “Pesadelo na Cozinha” mas já voltou aos velhos hábitos. A produção do novo programa da TVI envolveu 50 pessoas e continua a fazer chamadas para os espaços para acompanhar a evolução. A NiT conta-lhe tudo sobre os bastidores.

Ljubomir Stanisic não queria receber informações sobre os espaços

As câmaras começaram a gravar a 12 de setembro de 2016 e só foram desligadas a 16 de dezembro. Durante esse período, “Pesadelo na Cozinha” passou por 13 restaurantes em dificuldades, ajudou os proprietários a perceber o que estava mal, fez obras e mudou menus. O resultado pode ser visto todos os domingos à noite na TVI, desde 12 de março.

Contudo, meses depois da passagem da equipa liderada pelo chef Ljubomir Stanisic, houve quem não aproveitasse as sugestões e voltasse aos velhos hábitos. Foi o caso do Pátio Sete, ou Rio Minho (o nome antigo que, afinal, nunca foi alterado), onde a NiT foi almoçar um dia após a transmissão do programa. As ideias deixadas pelo chef já não fazem parte da ementa, o cartaz que dizia “Pátio Sete” desapareceu e das fardas que os empregados deviam usar nem sinal.

A Shine Iberia, produtora responsável pelo formato, lamenta que certos espaços não tenham aproveitado as ferramentas pensadas por profissionais especializados em várias áreas mas explica que não tem forma de garantir que os restaurantes tenham sucesso nem é obrigada a acompanhar a evolução. Contudo, a equipa faz “chamadas de cortesia”.

“O nosso contacto e acompanhamento continua a ser feito, não só quando solicitado, mas também para sabermos como estão a correr as coisas”, explica à NiT a Shine Iberia.

A Amburgaria & Pregaria Tradicional (que ocupou o primeiro episódio), em Setúbal, confirma esses contactos frequentes. “Sim, têm ligado ao meu patrão, o senhor Manuel Miranda”, conta Daniela Pinto, sub-gerente. Desde as mudanças, os melhoramentos têm sido evidentes, “sobretudo o método de trabalho na cozinha, onde há mais organização”.

Os restaurantes começaram por ser visitados por alguém da equipa enquanto “cliente mistério”

O caso do Rio Minho, o restaurante de Sete Rios, em Lisboa, foi um dos que mais chocou Ljubomir Stanisic. Quando percebeu o estado em que estava a cozinha — que não era limpa há quatro anos, tinha camadas de gordura impossíveis de retirar e não tinha frigoríficos em condições para conservar os alimentos —, o chef do 100 Maneiras vomitou em várias ocasiões. E esqueça o que está a pensar, nada disto foi encenado para o programa de televisão. Aliás, Stanisic não fazia ideia do que iria encontrar, já que não tinha qualquer informação sobre os espaços antes de lá chegar.

“Era uma imposição dele. Recebia uma mensagem de manhã com a morada do restaurante e mais nada. No caso dos espaços de Lisboa até fazia questão de ir sozinho, de mota ou metro”, conta a produtora.

“Pesadelo na Cozinha” é a adaptação do formato britânico com o chef Gordon Ramsay e é pensado para seguir o modelo de um reality show — ou seja, ter o mínimo guião possível e ser natural. É por isso que nos restaurantes são instaladas câmaras robóticas que filmam 24 horas por dia, mesmo quando a equipa do programa não está no local. Tudo o que é dito e feito fica registado mas os proprietários e funcionários sabem disso, é uma cláusula que faz parte do contrato.

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