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James Tupper: “No Instagram, as pessoas chamam-me ‘lindo’ em português. Adoro”

Em “Big Little Lies”, está dividido entre duas mulheres. A propósito da nova temporada, a NiT falou com o ator que é Nathan.
Está entre Bonnie e Madeline na série.

2016 ia a meio. James Tupper estava há poucas horas no set de “Big Little Lies” quando se cruzou com Reese Witherspoon. A conversa não foi cordial, não houve grandes apresentações, os dois começaram de imediato a picar-se, exatamente como fazem na histórias as respetivas personagens, Nathan e Madeline, um ex-casal que continua a não se entender.

O ator de 53 anos — que é de Dartmouth, Canadá — garante que o facto de estar toda a gente tão concentrada nas suas tarefas, com câmaras a gravar ou não, é um dos grandes sucessos da minissérie. A segunda temporada estreou na HBO Portugal, e no resto do mundo, a 10 de janeiro. Depois de os sete primeiros episódios — que tinham sido pensados para serem os únicos, já que a produção começou por ser uma minissérie — se terem focado num homicídio e em desvendar os culpados, os novos capítulos mudam de direção e o segredo que o grupo de mulheres de Monterey, as únicas a saberem a verdade, esconde é agora o mistério principal.

Na entrevista dada à NiT, ao telefone, James Tupper garante que a série está “ainda melhor” do que a primeira temporada. Ele só descobriu que haveria novos episódios porque Liane Moriarty — a autora do livro que deu origem à adaptação televisiva com o mesmo nome — fez uma piada sobre o cabelo do ator numa festa em que os dois se cruzaram. Contudo, antes de ser Nathan, o público já o conhecia sobretudo como David Clarke, de “Revenge”, ou até de “Anatomia de Grey”, onde foi um terapeuta que ajudou os médicos a recuperar de um trauma.

Dos seguidores que tem no Instagram, conta que há muitos portugueses que lhe deixam comentários e que com eles aprendeu uma palavra que adora: lindo.

Antes de ver mais um episódio de “Big Little Lies” — ficam disponíveis às segundas-feiras na plataforma de streaming —, leia a entrevista a James Tupper e recorde a crítica aos três primeiros capítulos deste ano.

Olá, James, como está?
Muito magro. Posso estar magro, posso estar gordo, não tenho a certeza.

Comer é tão bom.
Ah, eu adoro. Mas estou a brincar.

Acebei de ver três novos episódios de “Big Little Lies”. Por um lado passaram dois anos desde a primeira temporada, mas por outro há uma sensação muito familiar que nos leva a crer que ainda ontem vimos estas personagens. Como tem sido para vocês, no elenco?
Dois anos, dá para acreditar? Felizmente conseguiram convencer a Liane Moriarty a escrever mais este capítulo da história e vou adiantar-me ao dizer que acho que é ainda melhor do que a temporada anterior. Acho que perceberam exatamente o que tinha de ser central na história e avançaram.

As expetativas já estavam muito altas ainda antes da estreia do projeto. Nessa altura, “Big Little Lies” foi pensada para ser uma minissérie, a história ia acabar ali. Como é que soube que, afinal, haveria mais uma temporada?
Eu estava num evento da HBO, a Liane Moriarty também estava lá, veio ter comigo e disse: “Ah, tens cabelo encaracolado.” Eu disse que sim, o meu cabelo é, de facto, assim e estava maior na altura. “Ok, vou incluir isso na segunda temporada”, disse ela [risos]. Foi assim que eu descobri que haveria segunda temporada. Não é suposto sabermos assim [risos]. Mas eu não podia estar mais satisfeito, as pessoas ligaram-se mesmo à série e é muito bom estar de volta. A história é sombria mas também é muito engraçada.

Reparei realmente nisso nestes primeiros episódios. Sobretudo nos diálogos entre a sua personagem, o Nathan, e a Madeline [Reese Witherspoon] ou entre a sua personagem e o agora marido dela, o Ed [Adam Scott].
Está a chamar-me palhaço [risos]?

Não, nada disso. Mas acho que há mais momentos de humor sarcástico, apenas bastam duas ou três palavras no sítio certo, e estão mais apurados. Não é muito fácil juntar drama e humor numa só história de forma a funcionar tão bem.
É tão verdade. Aos meus amigos que dizem que é uma série de mulheres, eu respondo que sim, porque tem o lado maternal, tem todos aqueles dramas da escola, dos miúdos, das amizades, mas não só. Também tem um homicídio e tudo o que resulta daí.

O James faz parte de “Big Little Lies”, por isso imagino que seja difícil escolher, mas tem uma personagem favorita?
Eu divirto-me muito com o Ed [Adam Scott], temos muitas cenas divertidas juntos. A primeira vez que trabalhei com ele quase fiz chichi nas calças [de tanto rir]. Não conseguimos levar-nos a sério. Talvez seja o meu favo… mas não posso dizer isso. A Reese Witherspoon está na série, a Nicole Kidman está na série, a Shailene Woodley — que é, provavelmente, uma das minhas atrizes favoritas de sempre — está na série, a Laura Dern, é uma equipa incrível. E a Meryl Streep, o que é surreal. É quase como se entrássemos no estádio do Real Madrid ou assim, toda a gente consegue fazer algo especial com a bola, toda a gente tem muito talento e une esforços.

Recuando até ao início das gravações da primeira temporada, percebeu logo que estava envolvido numa série que ia ser um sucesso?
Eu soube logo que havia talento. Uma das coisas muito especiais de trabalhar com o Jean-Marc Vallée, que é de Montreal, Canadá — fez o “Livre” e um incrível filme franco-canadiano chamado “C.R.A.Z.Y.” — é que ele trouxe a maneira dele de filmar e percebemos de imediato que o que ele estava a captar ia ser incrível. Ele permitia aos produtos, aos criativos, aos atores começarem devagar e isso é muito raro em produções grandes como esta. Toda a gente estava muito focada no objetivo, não havia grandes partidas nos bastidores, era um sítio de calma e concentração. A alegria vinha de fazer boas cenas, de conectar pessoas.

Entra as cenas, o James prefere estar sozinho ou com outros colegas?
Prefiro estar sozinho. Às vezes opto por ir almoçar com alguém ou lanchar mas, sabe, estou a proteger esta outra realidade na qual estamos a trabalhar, por isso costumo ficar sozinho. Acho que muitas pessoas fazem o mesmo. Não quer dizer que não sejamos grandes amigos. Somos  mas estamos a proteger-nos. Como, por exemplo, no primeiro dia em que cheguei ao set, falei com a Reese Witherspoon e ela disse: “Espero que não penses que o Nathan não é o responsável pela aquela cena do salmão [Num dos episódios, Madeline vomita de forma épica durante um jantar em casa do ex-marido e da atual mulher, Bonnie]” Eu respondi: “Tornaste impossível só o facto de comer.” Começámos a nossa relação imediatamente [risos]. Em vez de ficarmos lá fora, a falar ou a fazer piadas.

Os espectadores portugueses não o conhecem apenas de agora, a série “Revenge”, onde era David Clarke, também era popular aqui. Já esteve em Portugal?
Não, estou à espera do primeiro convite. Está a convidar-me?

Claro, tem muitos fãs cá.
Estou a caminho [risos]. Eu aprendi uma palavra em português: lindo. Vi-a nos comentários no meu Instagram, às vezes as pessoas comentam só com essa palavra, lindo. Adoro-a.

Teve de ir pesquisar o que queria dizer?
Fui procurar [risos].

Está de férias neste momento?
Sim, tenho mais ao menos um mês de pausa agora.

Então pode vir de férias para treinar o seu português.
Sim, lindo, lindo!

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