Televisão

As histórias mais assustadoras e sem explicação chegaram à Netflix

"Unsolved Mysteries” ficou célebre nos anos 80 a revelar casos paranormais e mistérios inexplicáveis. Agora tem mais sustos para pregar.
Cuidado: pode ter dificuldades em adormecer.

Em 1984, o fotojornalista Peter Cook visitou a casa de Coral Polge. A entrevista tornou-se perigosamente pessoal quando a britânica agarrou o caderno e começou a desenhar. Alguns minutos depois, Cook reconhecia a cara da avó na página — ela que já tinha morrido há mais de duas décadas. “Não foi tanto a imagem que reconheci imediatamente, mas a descrição que ela foi fazendo”, revela, antes de explicar que era impossível Polge conhecer a sua avó.

O “cético de mente aberta” estava convertido e percebeu finalmente porque é que ali foi em trabalho. A artista britânica tornou-se famosa pelos seus retratos de mortos — um dom que revela ter descoberto pouco tempo depois da 2ª Guerra Mundial, numa visita a um espírita.

A avó e a mãe de Cook.

Ao longo dos anos, pintou mais de 100 mil retratos. “Não vejo as pessoas, não as ouço, nem sei bem como o faço. Sinto-as, apenas. E depois há algo a que chamamos o controlo automático, que é como se algo tomasse conta das minhas mãos e ajudasse a tornar os retratos mais fiéis. O resultado nem sempre é bom, mas quando corre bem, vemos perfeitamente a cara dos familiares das pessoas que se tornaram espíritos”, confessa.

Quando uma espírita lhe revelou que tinha um dom, Polge achou que ela “estava louca”. Mas foi aperfeiçoando a técnica e em poucos anos começou a retratar os mortos.

Polge, que morreu em 2001, foi a dezenas de programas de televisão e correu o mundo a dar conferências para plateias cheias de crentes. “Algumas estão curiosas, outras desesperadas. Eu espero conseguir provar-lhes que existe vida depois da morte (…) É um belo pensamento que todos iremos um dia reunirmo-nos com quem amamos e de quem estamos temporariamente separados”, revelou em entrevista ao programa “Unsolved Mysteries”.

O caso paranormal é apenas um entre muitos relatados pelo célebre programa de investigação que foi para o ar em 1988 nos Estados Unidos. “Unsolved Mysteries” cobria crimes por resolver e relatos de eventos inexplicáveis e ele próprio teve um par de vidas. Foi ressuscitado em 1997, em 2001, em 2008 e finalmente em 2020, agora pela mão da Netflix.

A nova temporada acrescenta seis episódios aos mais de 600, que recolhem relatos reais e que muitas vezes os transformam em reencenações. Há de tudo: de encontros com OVNI a assassinatos por explicar.

Esta reencarnação de “Unsolved Mysteries” começa com a história de Ray Rivera, um homem que desapareceu e foi descoberto morto numa sala de reuniões num hotel. No ponto mais extremo, são recolhidos os testemunhos dos habitantes de uma localidade em Massachusetts que afirmam ter visto um OVNI numa noite de 1969. Só não espere é que haja uma resposta no final. Quase nunca acontece — e é o que torna estas histórias verdadeiramente misteriosos. “Unsolved Mysteries” estreou esta quarta-feira, 1 de julho, na Netflix.

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