Televisão

A nova série documental sobre a investigação a um serial killer perturbador

“I’ll Be Gone in the Dark” estreia esta segunda-feira. Baseia-se no livro de Michelle McNamara, que morreu enquanto investigava.
Tem seis episódios.

Fãs de séries documentais sobre crimes reais, há um novo projeto que têm de conhecer. Chama-se “I’ll Be Gone in the Dark” e estreia na plataforma de streaming da HBO Portugal esta segunda-feira, 29 de junho. No total são seis episódios.

Esta é a história de um predador violento que ficou conhecido como Golden State Killer. Ao longo dos anos 70 e 80, este criminoso anónimo, que ninguém sabia quem era, foi responsável por 50 violações em invasões a residências — e cometeu 12 homicídios.

Nesta série, são entrevistadas vítimas sobreviventes e as respetivas famílias, que puderam usar a voz para se expressarem sobre os abusos que sofreram. A produção acaba por relatar a forma como os crimes sexuais eram vistos na altura — muitas vezes eram ignorados e as vítimas tinham demasiada vergonha e medo de represálias para denunciarem às autoridades o que tinha acontecido.

Contudo, esta história é ainda mais intrigante porque, além de abordar os crimes perturbadores do Golden State Killer, foca-se na recente investigação trágica de uma escritora sobre o caso. Aliás, este projeto baseia-se no livro com o mesmo título escrito por Michelle McNamara.

Enquanto autora, mãe e mulher, Michelle McNamara teve uma vida pacata, longe da fama da indústria do entretenimento, apesar de ser casada com o comediante, ator e argumentista Patton Oswalt. À noite, quando a família dormia, McNamara mergulhava a fundo no mundo dos crimes reais nunca resolvidos — era verdadeiramente obcecada.

Entre blogues criminais e chats onde falava com outras pessoas interessadas nos mesmos temas, Michelle McNamara cruzou-se com o caso do Golden State Killer, enquanto ia partilhando impressões, ideias, pormenores ou fotografias com outros investigadores.

O seu próprio blogue, “True Crime Diary”, tornou-se um registo da sua obsessão pelo caso — mas levou-a a escrever um longo artigo na “Los Angeles Magazine” e resultou num contrato que fez com uma editora para publicar o tal livro.

Michelle McNamara queria tanto resolver o caso que a investigação acabou por a consumir. A angústia e os pensamentos negativos eram crescentes — e a necessidade de equilibrar a vida familiar com este seu trabalho tornaram-na dependente de medicamentos prescritos, que tomava para gerir a enorme ansiedade que tinha.

Em abril de 2016, após várias noites quase sem dormir e com vários pesadelos, McNamara morreu depois de uma overdose acidental. Deixou o seu tão precioso livro por acabar. Depois da sua morte, o marido, Patton Oswalt, contactou os seus colegas investigadores, Paul Haynes e Billy Jensen, para ajudarem a terminar e a publicar o seu livro — era o que a sua mulher mais queria.

O trabalho chegou às livrarias em 2018 e recebeu ótimas críticas da imprensa especializada. “I’ll Be Gone in the Dark” não demorou muito até se tornar um bestseller nos EUA, até pelas circunstâncias em que era publicado.

As palavras de McNamara, narradas pela atriz Amy Ryan, são o fio condutor desta adaptação televisiva. A série documental inclui gravações inéditas, imagens de arquivo, extensas entrevistas exclusivas com detetives, sobreviventes e até familiares do assassino. A ideia foi recriar a imagem de uma investigação complexa e falhada.

Além de relatar o percurso deste serial killer, conta a história desta mulher determinada e incansável, que estava disposta a tudo para descobrir quem era o culpado. Dez anos depois de começar a sua investigação e apenas dois meses após o seu livro ser publicado, Patton Oswalt e outros detetives que ajudaram na investigação reuniram-se em Chicago para uma leitura em conjunto do trabalho.

Poucas horas depois, e através da investigação publicada em livro, o xerife de Sacramento prendeu o culpado: conseguiu provar, através de testes de ADN, que o ex-polícia Joseph James DeAngelo, de 72 anos, era o Golden State Killer.

“I’ll Be Gone in the Dark” reflete sobre como um criminoso consegue deixar uma comunidade a viver em constante medo, e sobre que tipo de repercussões têm determinados crimes violentos na sociedade (e também naqueles que tentam resolvê-los durante anos).

A produção foi realizada por Liz Garbus, produtora de “What Happened, Miss Simone?”, entre muitos outros documentários. A cineasta já foi nomeada para dois Óscares.

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