Televisão

Gosta de suspense e ficção científica? Então tem de experimentar ver “Devs”

É uma minissérie de seis episódios realizada pelo criador de “Ex Machina” e “Annihilation”.
Tem seis episódios.

Se é um apaixonado por ficção científica, histórias futuristas com cenários tecnológicos, e, claro, uma boa dose de distopia, então tem pelo menos de dar uma oportunidade a “Devs”, a nova série do género, que estreou na plataforma de streaming da HBO Portugal a 6 de março.

É o primeiro projeto televisivo de Alex Garland, o homem que criou os prestigiados “Ex Machina” e “Annihilation”, além de ter escrito guiões para outras produções. Esta minissérie foi feita pelo canal FX, apesar de nos EUA ser transmitida no serviço de streaming da Hulu.

Tem oito episódios e a grande protagonista é a japonesa Sonoya Mizuno, antiga bailarina que poderá reconhecer como a parceira de Oscar Isaac naquela cena épica de dança em “Ex Machina”, ou — e aqui será mais complicado de se recordar da atriz — a sósia extraterrestre de Natalie Portman em “Annihilation”. Ou seja, é uma colaboradora habitual de Garland.

Mizuno interpreta Lily Chan, uma engenheira informática que trabalha no departamento de encriptação da Amaya, uma empresa tecnológica gigante de Silicon Valley, que ultrapassou toda a concorrência, apesar de nunca ser propriamente explícito o que é que esta companhia faz exatamente.

Lily vive com o namorado, o russo e igualmente brilhante Sergei Pavlov, que também trabalha na Amaya. Vivem numa rotina feliz em São Francisco, numa altura não especificada que não é muito distante do presente (pelo menos não se nota nos detalhes), até que Sergei é promovido.

Dentro da Amaya existe uma divisão misteriosa de elite que ninguém sabe o que faz: chama-se precisamente Devs, como o título da série. Refere-se à palavra “desenvolvimento”, mas ninguém, nem sequer as centenas de trabalhadores que fazem parte dos restantes departamentos da Amaya, sabem qual é o seu propósito.

A grande premissa para esta minissérie de seis episódios (neste momento só estão disponíveis quatro, porque chega um capítulo por semana à plataforma) é que Sergei desaparece misteriosamente e tem um desfecho de contornos bizarros. Tudo está relacionado com a sua promoção à Devs.

Destroçada e ao mesmo tempo determinada, Lily Chan vai fazer o que for preciso para chegar à verdade e obter justiça, mesmo que para isso seja necessário destruir a relação que tem com a empresa e pedir ajuda ao ex-namorado, Jamie, com quem não fala há dois anos.

Amaya é a criação de Forest, um homem que perdeu uma filha muito jovem — que se chamava precisamente Amaya — e vive obcecado com isso, agindo com base nesta grande dor, que está bem exposta e materializada através de uma estátua gigante da sua filha que está no campus da empresa.

Tudo isto está relacionado com o grande segredo da Devs, que cruza ciência, filosofia e a própria natureza, as dúvidas sobre o livre-arbítrio humano e os perigos dos avanços da tecnologia, numa série ideal para nerds e fanáticos por ficção científica, mas também para todos aqueles que gostam de suspense, uma busca emocional por justiça e o desvendar de vários mistérios e de uma realidade que, apesar de parecida com a nossa, tem as suas diferenças chave.

Se gostou dos filmes pelos quais Alex Garland se tornou um nome conceituado, é obrigatório ver “Devs” — que tem a sua identidade bem presente. O texto é bom, as personagens cumprem (os atores excedem-nas ligeiramente) e a realização, direção de fotografia e de arte, além da banda sonora, são algumas das melhores valências deste projeto. Não se deixe desanimar pela linguagem exageradamente técnica nalgumas cenas, porque as outras certamente servirão como recompensa. Não é a melhor série do ano nem nada que se pareça, mas é uma boa história que merece uma oportunidade.

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